Após a Polícia Militar (PM) matar a tiros três pessoas em possível surto em pouco mais de uma semana em São Paulo, a cúpula da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da corporação fará uma reunião nesta sexta-feira (16) para discutir a revisão dos protocolos de abordagem policial e a compra de mais armas de choque para os agentes.

As três mortes foram filmadas. As imagens viralizaram nas redes sociais e geraram reações de especialistas em segurança. Eles apontaram a falta de preparo dos policiais para atender casos que envolvam transtornos psicológicos e emocionais (veja vídeos nesta reportagem).

O encontro está previsto para a tarde na capital. O local ainda não foi definido. Participarão o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico; o secretário executivo da pasta, coronel Henguel; e a comandante-geral da PM, coronel Glauce Anselmo Cavalli.

A reunião será a primeira etapa de uma discussão sobre possíveis mudanças no chamado Procedimento Operacional Padrão (POP), que reúne as normas que orientam a atuação dos policiais em diferentes tipos de ocorrência.

A intenção é rever os protocolos em vigor, alguns deles estabelecidos em 2014, e estudar formas de modernizar os procedimentos e melhorar a preparação e o treinamento da tropa.

Entre os pontos em discussão estão a aquisição e a ampliação do uso de armamentos não letais, como a Taser_marca da arma de choque adotada pela PM. A corporação quer comprar aproximadamente mais 6 mil armas de choque para ajudar conter pessoas em surto, por exemplo. Atualmente, ela possui cerca de 11 mil aparelhos do tipo.

Nos três casos recentes nos quais a PM foi acionada para tentar conter pessoas em surto, os agentes só usaram a máquina de choque em um deles. Nos outros dois o equipamento não foi usado pelos policiais. Mas em todos eles, o resultado final foi atirar com arma de fogo e matar quem passava por problemas de saúde mental.

A proposta em estudo é elaborar, junto ao comando da PM, um modelo atualizado de formação e treinamento dos policiais para apresentar ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

A cúpula da Segurança também pretende ouvir especialistas para discutir medidas que ajudem os agentes a lidar com ocorrências envolvendo pessoas em crise emocional, transtorno mental ou possível surto comportamental.

O POP da PM já prevê um protocolo a ser seguido em casos assim. Para isso, adota o uso progressivo da força, com uso de armas menos letais, e usar arma de fogo apenas como último recurso, diante das circunstâncias da ocorrência.

Outras possibilidades estão o acionamento de equipes especializadas, familiares, profissionais de saúde, negociadores ou apoio tático, conforme a situação. A orientação é priorizar a negociação e reduzir os riscos antes de uma intervenção mais incisiva.

A discussão ocorre após três ocorrências consecutivas com mortes de pessoas em surto em pouco mais de uma semana em São Paulo.

Em dois dos casos, policiais dispararam 69 tiros para conter dois homens. Em outra ocorrência, um policial atirou no peito de uma mulher e a matou quando elaem possível surto na Zona Oeste da capital.

PM atira 24 vezes

Antonio Nunes Batista, de 40 anos, morreu em 3 de outubro, na Vila Dionísia, na Zona Norte de São Paulo. Segundo o registro policial, ele estava em aparente surto psicótico e portava objetos cortantes. Os PMs teriam tentado usar uma arma de choque antes de atirar. A irmã afirmou que ele tinha esquizofrenia. O caso é investigado, e os policiais envolvidos foram afastados do serviço operacional.

Policiais dão 45 tiros

Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu em 10 de outubro, em Moema, na Zona Sul, durante uma ocorrência relacionada a uma possível tentativa de suicídio. Os policiais dispararam 45 vezes, e 27 tiros atingiram o jovem. Segundo relatos, ele apontou um celular na direção dos agentes, que teriam interpretado o objeto como uma possível arma. A família contesta a ação policial. O caso é investigado.

PM atira no peito de mulher

Camila Pereira da Silva, de 32 anos, morreu em 15 de outubro após ser baleada por um PM no Parque São Domingos, na Zona Norte. Imagens mostram que ela caminhava na direção de três policiais com uma faca, mesmo após ordem para largá-la. O soldado André Coelho Maximo da Costa foi preso em flagrante por homicídio. Segundo o delegado que registrou a ocorrência, a reação foi desproporcional e não houve uso progressivo da força. A defesa afirma que a prisão foi “de cunho político e eleitoreiro”. O caso é investigado pelo DHPP e pela Corregedoria da PM.

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Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, atingido por diversos tiros de policiais militares na Zona Sul de SP. E Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi atingido por disparados de agentes na Zona Norte.

Câmera de segurança mostra que Gustavo Santana apontou celular e depois foi baleado por PMs em São Paulo.

PMs atiram 24 vezes e matam homem já caído no chão durante abordagem na Zona Norte de SP

Método Giraldi traz informações sobre como um policial deve agir em ocorrências nas quais precisa conter uma pessoa. Ao lado da capa da apostila aparecem desenhos de situações que o PM pode encontrar.

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Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública.

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