Oseias Martins/Rede Amazônica

A combinação do calor intenso, falta de chuvas e baixa umidade do ar elevou o perigo de incêndios florestais em Roraima. Uma previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que as precipitações continuarão escassas e mal distribuídas até pelo menos o fim de outubro.

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Em Boa Vista, as temperaturas devem variar entre 35°C e 37°C nos próximos dias, com sensação térmica ainda maior. O boletim destaca que o cenário de calor persistente, chuvas fracas e pontuais e queda na umidade do ar também atinge Uiramutã e Amajari, no extremo norte do estado.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que a chance de os termômetros superarem 35°C passa de 90% no nordeste e centro-leste do estado até 19 de outubro.

Durante a tarde, a umidade relativa do ar pode despencar para 30% ou menos nessas áreas. Esse ressecamento dificulta a respiração da população e deixa a vegetação vulnerável ao fogo. O alívio na umidade ocorre apenas à noite e nas primeiras horas da manhã.

O reflexo da estiagem severa já é visível na principal fonte de água do estado. O nível do rio Branco, em Boa Vista, chegou a apenas 49 centímetros de profundidade nesta sexta-feira (16).

Chuvas escassas ao menos até o fim do mês

Na primeira semana de análise, choveu pouco ou quase nada no centro e no norte de Roraima. Pequenas pancadas isoladas podem ocorrer no extremo sul e sudoeste do estado, mas sem força para molhar o solo de forma geral.

Entre 21 a 27 de outubro, a tendência é de chuvas ainda mais abaixo da média histórica. A seca será mais forte nas faixas norte e leste do território roraimense.

Dificuldade no combate ao fogo

O mapa de risco meteorológico mostra uma situação crítica no nordeste e leste do estado. Entre os dias 15 e 18 de outubro, o perigo de fogo atinge o nível "alto a muito alto", afetando com mais força a região nordeste. A porção oeste de Roraima é a única que apresenta risco baixo neste período.

A partir do dia 18, o alerta diminui no sul e sudeste, mas a atenção segue necessária no leste e nordeste, onde o risco varia de moderado a alto.

Um levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) mostra que a dificuldade das equipes para controlar as chamas no estado cresceu desde agosto. O indicador de dificuldade já supera a média histórica dos últimos 20 anos.

Bombeiros do Governo de Roraima trabalham no controle de queimadas e desmatamento

Diante do avanço da seca e da alta nos focos de calor, o governo de Roraima suspendeu as autorizações para qualquer tipo de queimada no estado. A medida foi anunciada na quinta-feira (15) e vale inicialmente por 15 dias.

Com a decisão, o uso do fogo por produtores rurais para limpar pastos e áreas de plantio passa a ser considerado crime ambiental. Para identificar os infratores, a Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) fará o monitoramento via satélite, cruzando a localização do fogo com o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

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