# Mãe acusa ex-marido de levar filha de 7 anos para SP sem autorização; polícia investiga

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/16/mae-acusa-ex-marido-de-levar-filha-para-sp-sem-autorizacao.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-16T15:53:09.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1210666-mae-acusa-ex-marido-de-levar-filha-de-7-anos-para-sp-sem-autorizacao-policia

> Marcelle e a filha, Eloah

Uma mãe acusa o ex-marido de ter levado a filha de 7 anos para São Paulo sem a autorização dela e de impedir o contato entre as duas. Segundo a mulher, o pai deveria ter devolvido a menina na segunda-feira (12), após passar a véspera do Dia das Crianças com ele, mas não cumpriu o combinado.

O caso foi revelado pelo jornal O Globo e é investigado pela Polícia Civil como subtração de incapaz. O g1 tenta contato com Deluan Santos da Cruz, o pai da criança.

Segundo a contadora Marcelle Santos Cruz, de 31 anos, a filha foi entregue no sábado (10) à tia paterna, no bairro Laureano, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para passar o feriado com o pai. Mãe e filha moram em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio.

“(Fui até Duque de Caxias onde) Eu entreguei ela para a tia dela. O combinado é judicial e, nos feriados, os dias são intercalados. Ele deveria ter trazido ela de volta na segunda-feira, mas não trouxe”, contou Marcelle.

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Agora no g1

A contadora afirma que começou a enviar mensagens ao ex-marido para saber a que horas ele devolveria a menina. Segundo Marcelle, inicialmente ele respondeu que ainda não sabia e, depois, deixou de responder.

Ela também acusa Deluan de não compartilhar informações sobre a filha por conta de sua religião. O casal ficou junto por 13 anos, mas está separado há 4 anos.

“Eu mandei várias mensagens, novamente, perguntando qual horário ele ia trazer ela. Ele simplesmente ignorou e condicionou a troca de informações sobre ela a questões da minha religião”, afirmou.

De acordo com Marcelle, o ex-marido é evangélico e passou a questioná-la depois que soube que ela frequentava uma religião de matriz africana há cerca de 1 ano. A mãe afirma que ele também fazia comentários ofensivos sobre sua religião.

Mãe diz que descobriu viagem pela escola

Sem notícias da filha, na terça (13) Marcelle procurou a Escola Municipal Velinda Maurício da Fonseca, em Rocha Miranda, para saber se a menina tinha ido às aulas.

Segundo ela, foi neste momento que descobriu que o pai havia ido à unidade de ensino horas antes e solicitado documentos escolares da criança. Marcelle conta que foi informada pela coordenação de que ele havia dito que levaria a filha para São Paulo e que a menina retornaria no dia 3 de novembro.

“Ele nunca me informou isso (sobre qualquer tipo de viagem). Entrei em desespero porque fiquei sabendo pela escola que ele tinha levado a menina para São Paulo. No momento em que ele foi lá, não me ligaram, não perguntaram se eu autorizava que ela fosse levada”, afirmou.

Procurada pelo g1, a Secretaria Municipal de Educação informou que não havia na escola documentos ou decisões judiciais que impedissem qualquer um dos pais de retirar a filha da unidade ou materiais relacionados às atividades pedagógicas.

Já o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) disse que processos que envolvem menores e Vara de Família tramitam em segredo de Justiça.

Atualmente, de acordo com Marcelle, o pai da criança mora em São José dos Campos, no interior de São Paulo, mas tem familiares em Duque de Caxias.

Por conta disso, Marcelle fez dois registros de ocorrência. O primeiro foi registrado na 40ª DP (Honório Gurgel), na segunda-feira, depois que a menina não retornou para casa na data prevista no acordo judicial. Segundo o advogado Luiz Mantovani, naquele momento, o caso era tratado como um descumprimento do acordo de convivência.

O segundo registro foi feito depois que Marcelle procurou a escola da filha e, segundo ela, descobriu que o ex-marido havia solicitado documentos da criança e informado que a levaria para São Paulo. O caso foi então levado à Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), na Lapa, que investiga o pai por subtração de incapaz.

Advogado pede busca e apreensão

O advogado de Marcelle afirmou que o caso foi levado à DCAV para que medidas sejam adotadas para tentar localizar e trazer a criança de volta.

“Nós já entramos com uma representação na Delegacia da Criança e Adolescente Vítima pedindo que investigue se ele realmente está em São Paulo. Também estamos entrando com uma ação de busca e apreensão no Plantão Judiciário”, afirmou Mantovani.

Segundo o advogado, a defesa também entrou em contato com autoridades do Rio de Janeiro e São Paulo para que a criança seja localizada.

Mantovani classifica como intolerância religiosa a conduta atribuída pela mãe ao ex-marido. A acusação ainda será apurada pelas autoridades.

Histórico de agressões

Deluan tem passagens pela polícia por injúria e lesão corporal contra outra ex-companheira, que pediu medidas protetivas contra ele em 2012. Ele também foi indiciado por agredir a enteada e a ex-mulher.

Em 2021, Deluan foi indiciado por tortura contra a filha, que tinha 11 anos na época. Segundo o relato da criança à mãe, o pai a agrediu com golpes de vassoura nos braços e na cabeça. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, onde permanece desde 2022.

A reportagem tenta contato com Deluan e a defesa dele para que possam se manifestar sobre os relatos.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/16/mae-acusa-ex-marido-de-levar-filha-para-sp-sem-autorizacao.ghtml

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