No caso do crédito de longo prazo (acima de cinco anos), os bancos comerciais tradicionais também seguiram como a principal fonte de recursos, apontada na sondagem por 49,5% das empresas do setor que buscaram crédito nessa modalidade. Em 2025, a participação dos bancos comerciais nesse tipo de operação chegou a 51%.

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Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, comentou em nota que recorrer mais aos bancos comerciais tradicionais do que a outras fontes de financiamento não é, por si só, um problema. A dificuldade, segundo ela, é encontrar crédito com custo, volume e prazo adequados para as necessidades das empresas.

Ela sugere que é preciso haver diversificação das fontes de financiamento. “O ideal é que as empresas tenham acesso a diferentes fontes de crédito para financiar suas atividades. Isso permitiria a elas encontrarem, com maior facilidade, fontes de financiamento que atendam às suas necessidades em relação a prazo, custo e montante, permitindo não só o pagamento de despesas correntes, mas a expansão de capacidade produtiva”, disse.

Segundo a pesquisa, o capital próprio foi a segunda fonte de financiamento de curto/médio prazo mais citada pelas empresas industriais (23,6%) que buscaram crédito no período, enquanto os bancos de desenvolvimento foram a terceira (18,5%).

No financiamento de longo prazo, essa ordem se inverte. Enquanto os bancos de desenvolvimento foram citados por 29,5% dos empresários que buscaram crédito nessa modalidade, o capital próprio foi mencionado por 23,1%.

Para a maioria das empresas industriais que contrataram ou renovaram crédito, o valor aprovado foi similar ao solicitado, mostrou a sondagem. No crédito de curto/médio prazo, 62,1% receberam o montante que necessitavam. No crédito de longo prazo, esse percentual foi de 61%.

Por outro lado, aproximadamente uma em cada quatro empresas industriais que contrataram ou renovaram crédito de curto/médio prazo (24,9%) relatou que o volume aprovado foi menor ou muito menor do que necessitava.

No crédito de longo prazo, esse percentual foi de 26,4%. Já os valores superiores às necessidades das empresas foram menos frequentes, registrados por 11,1% das que obtiveram crédito de curto/médio prazo e 10,8% das que obtiveram financiamento de longo prazo.

Porte da empresa

Na análise por porte, as pequenas empresas apresentaram os maiores percentuais de insuficiência dos valores aprovados. No crédito de curto/médio prazo, 33,3% delas receberam recursos inferiores às suas necessidades, percentual que chegou a 34,4% no crédito de longo prazo. Entre as médias e grandes empresas, os percentuais variaram de 21% a 27,7%.

“As pequenas empresas têm mais dificuldade para apresentar garantias exigidas pelas instituições financeiras para conceder o crédito, comprovar capacidade de pagamento, além de terem menor poder de barganha para negociar as condições de financiamento”, avalia Colusso.

Condições de renovação pioraram

Os empresários também foram questionados sobre as condições de acesso ao crédito. Entre as empresas industriais que renovaram suas linhas de curto/médio prazo no período, 53,9% apontaram que as condições gerais da operação permaneceram semelhantes.

No entanto, 24,8% apontaram que as condições de renovação foram piores ou muito piores, ao passo que 19,7% relataram condições melhores ou muito melhores.

Sobre as condições de renovação do crédito de longo prazo, 53,2% dos entrevistados afirmaram que elas continuaram parecidas; 17,8% classificaram-nas como piores ou muito piores; 26,9% relataram condições melhores ou muito melhores.

Metade das empresas não tentaram crédito

De acordo com a pesquisa, metade das empresas industriais (49,9%) não buscaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo no período. Somente 22,9% contrataram ou renovaram financiamento, enquanto 7,5% tentaram, mas não conseguiram obter os recursos.

Em relação ao crédito de longo prazo, a proporção de empresas que não tentaram contratar ou renovar foi ainda maior: 54%. Outros 15,5% conseguiram um novo financiamento ou a extensão do anterior. Além disso, 9,2% tentaram, mas não conseguiram acessar o crédito.

Levando-se em conta apenas as empresas que buscaram contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo nos seis meses anteriores à pesquisa, quase uma em cada quatro (24,7%) não tiveram sucesso, percentual que sobe para 37,2% nas operações de longo prazo. Os percentuais de frustração são superiores aos registrados na edição anterior da pesquisa.

A CNI consultou 1.701 empresas — 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes — entre 3 e 12 de agosto.

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