Ora-pro-nóbis, azedinha, vinagreira e até folhas de batata-doce são alguns dos ingredientes que fazem parte da alimentação oferecida às crianças da rede municipal de Jundiaí. Além das verduras mais conhecidas, as refeições escolares contam com plantas que ajudam a apresentar novos sabores aos estudantes.
Parte desses alimentos vem da Horta Vale Verde, projeto que cultiva hortaliças, ervas aromáticas e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) dentro do próprio município. Somente em 2025, a produção destinada à rede municipal ultrapassou 120 mil maços e pés de alimentos, distribuídos em 26 variedades.
Entre os ingredientes fornecidos estão quase 15 mil maços de PANCs e ervas aromáticas. A proposta é ampliar a diversidade alimentar das crianças, oferecendo opções que nem sempre fazem parte das refeições mais tradicionais.
Até folhas de batata-doce são aproveitadas na alimentação escolar
Um dos aspectos mais curiosos da alimentação escolar de Jundiaí é o aproveitamento de partes das plantas que muitas pessoas não estão acostumadas a consumir.
É o caso das folhas de batata-doce, que também são utilizadas nas refeições. A lista inclui ainda espécies como azedinha, ora-pro-nóbis e vinagreira, cultivadas para diversificar os ingredientes oferecidos nas unidades municipais.
Esses alimentos integram a produção orgânica da Horta Vale Verde, realizada sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos.
A nutricionista Nívea Cristina Maeda Takemoto, da Diretoria de Alimentação e Nutrição da Secretaria Municipal de Educação, destaca a importância de oferecer alimentos frescos e diversificados às crianças.
“E ainda temos as PANCs, como a ora-pro-nóbis e a vinagreira, verdadeiros tesouros nutricionais que ampliam o repertório das crianças”, afirma.
Horta de Jundiaí forneceu mais de 120 mil maços e pés de alimentos
A Horta Vale Verde também produz alimentos mais tradicionais, que complementam as refeições preparadas nas escolas.
Em 2025, foram fornecidos aproximadamente 30 mil pés de alface e 19 mil maços de cheiro-verde, além das outras variedades cultivadas pelo projeto.
A produção ocorre em Jundiaí e abastece parte da alimentação escolar da rede municipal. Segundo a Prefeitura, o cultivo orgânico permite que hortaliças e folhagens cheguem frescas às unidades atendidas.
O fornecimento local também aproxima a produção dos alimentos de seu consumo, algo que faz parte da proposta de educação alimentar desenvolvida no município.
Crianças aprendem a conhecer os alimentos antes de colocá-los no prato
A experiência com os alimentos não se limita ao momento das refeições. Nas escolas municipais de Jundiaí, o contato com o plantio e o crescimento das hortaliças também faz parte das atividades educativas.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, todas as unidades possuem hortas, com mais de 87 espaços em funcionamento.
Nesses ambientes, as crianças podem acompanhar o desenvolvimento das plantas, desde o plantio até o crescimento, aprendendo sobre a origem dos alimentos que chegam à mesa.
Para a diretora do Departamento de Educação Infantil, Ellen Lucas Rozante, essa experiência também está relacionada à autonomia das crianças durante as refeições.
“Nas nossas escolas, as crianças se servem sozinhas: olham, escolhem, experimentam”, explica.
De acordo com a diretora, acompanhar o crescimento dos alimentos pode despertar o interesse das crianças em experimentar aquilo que ajudaram a cultivar.
As hortas também são utilizadas em atividades que relacionam o cultivo a conteúdos de ciência, matemática e linguagem.
Como são planejadas as refeições nas escolas de Jundiaí?
Os cardápios da rede municipal são elaborados por nutricionistas e seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com prioridade para alimentos in natura e minimamente processados.
Na Primeiríssima Infância, as atividades de educação alimentar incluem o incentivo ao consumo de frutas e à experimentação de novos sabores, respeitando as necessidades nutricionais de cada faixa etária.

