A apresentadora Ângela Bispo recebeu manifestações de apoio de colegas da Rede Clube na manhã desta sexta-feira (16), após ter sido alvo de um comentário racista em uma publicação no Instagram, na quinta-feira (15). Durante o encontro, ela afirmou que decidiu não mais se calar diante desse tipo de situação após uma conversa com os filhos.

Ângela disse que sua preocupação vai além do impacto pessoal pois envolve a compreensão de representatividade para pessoas que acompanham sua trajetória.

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"Eu já deixei passar muita coisa, só que hoje eu tenho filhos, eu tenho família. E ver os meus filhos ontem me disseram que eu não posso mais deixar passar. Porque tem muita gente que me admira por ser mãe, por ser mulher preta, por ser profissional da comunicação, por ser cidadã. E essas pessoas têm vida difícil. E quando me veem na posição que eu tô, sofrendo um ataque deste, podem querer se diminuir ainda mais e passarem a sofrer, a ter medo de viver. Todo mundo merece viver plenamente, com respeito, recebendo o carinho das pessoas", disse.

Ângela contou também que além do incentivo dos filhos, eles destacaram o orgulho pela trajetória da mãe e reforçaram a luta contra o racismo. Ela também agradeceu o apoio recebido de colegas e profissionais da emissora.

"A gente tá aqui com o único propósito nessa vida, meu povo, é de ser feliz. Então bora distribuir alegria, luz, paz e bem, que eu tenho certeza que esse mundo vai ser melhor. Me sinto imensamente feliz em tá nessa casa que me abraçou de uma forma extraordinária, e que eu sei que o meu lugar é aqui com vocês", completou.

Homenagem reúne colegas em apoio à apresentadora

Homenagem é marcada por acolhimento

Durante a homenagem, profissionais da Rede Clube manifestaram apoio à apresentadora. Em mensagens de solidariedade, colegas destacaram a trajetória de Ângela na emissora, reforçaram a importância do combate ao racismo e ressaltaram que ela não está sozinha diante da situação.

A editora-chefe do Bom Dia Piauí, Cláudia Brandão, ressaltou o apoio da equipe.

"É para dizer que você não está sozinha, que você faz parte de uma equipe e o que quer que aconteça a você, acontece a todos nós. Então, sinta-se abraçada e acolhida por sua equipe e siga sua trajetória", disse.

A acionista da Rede Clube, Márcia Rebelo, ressaltou a trajetória da apresentadora na emissora.

"É muito bom ter você, ter você Ângela, aqui conosco, que você é a cara da TV Clube, que os piauienses têm uma identificação enorme com você. [...] A gente não aceita, a gente não admite esse tipo de comportamento", reforçou.

O apresentador Marcelo Magno também ressaltou que a situação afeta não apenas Ângela, mas também as pessoas próximas a ela.

"E você falando assim, é, isso mexe com todo mundo, mexe com seus amigos, com a sua rede, com a sua família, então essa proteção, ela é devida a todos, a você, aos seus filhos e a todos nós", destacou.

O repórter Marcos Teixeira, que também participou da homenagem, ressaltou a importância de combater manifestações racistas.

"Nós, como formadores de opinião, como comunicadores, temos uma responsabilidade fundamental neste processo todo. Nós não podemos tolerar esse tipo de manifestação que é crime", acrescentou.

O que diz a lei?

Em entrevista à TV Clube, Emanuelly Ferreira, vice-presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Piauí (OAB-PI), explicou que o crime de injúria racial foi equiparado ao racismo em 2023. Segundo ela, o crime é inafiançável e imprescritível. A advogada também destacou que a responsabilização de quem pratica esse tipo de conduta não depende exclusivamente de uma denúncia feita pela vítima.

"O Ministério Público, ele tem a capacidade de, tomando conhecimento do do crime ocorrido, buscar a responsabilização de quem o pratica. Ou seja, para nós do direito, isso se chama crime incondicionado à representação. A vítima, ela pode e deve denunciar para buscar a responsabilização de quem pratica, mas nós sabemos que é um processo doloroso, tanto para quem, no momento que acontece o ato, você fica estasiado, é um tipo de crime que extrapola ali, digamos que a esfera privada, pessoal, individual da pessoa. O dever do Estado é de tutelar o direito da coletividade de todos nós".

Emanuelly Ferreira também explicou a diferença entre os crimes de racismo e injúria racial.

"O racismo, ele é focado na coletividade. Quando se trata de uma agressão direcionada a um indivíduo, se tem a injúria racial, como o que foi que aconteceu com a Ângela. Desde 2023 houve essa equiparação, houve a majoração da injúria racial."

*Juliana Cristina, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros.

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