O desmatamento na Amazônia e no Cerrado caiu ao menor nível de suas respectivas séries históricas entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira (16).
Na Amazônia, a área desmatada foi de 3.335 km², o menor valor desde o início do monitoramento, em 1988. O resultado representa uma redução de aproximadamente 41,8% em relação ao ciclo anterior, quando foram registrados 5.731 km².
No Cerrado, a destruição da vegetação nativa também atingiu um recorde de baixa: 5.516,69 km², o menor patamar da série histórica iniciada em 2001. A queda foi de aproximadamente 23,8% em comparação com os 7.235,27 km² registrados no período anterior.
Os números foram apresentados pelo governo federal durante uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), e fazem parte do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Inpe.
O sistema é responsável por calcular a taxa oficial de desmatamento a partir da análise de imagens de satélite.
Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
Agora no g1
O que explica a queda?
Essa redução acompanha o endurecimento da fiscalização e do controle sobre o desmatamento ilegal nos últimos anos.
Um dos marcos desse movimento foi a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm).
Criado em 2004, o plano reúne ações de diferentes ministérios e esteve por trás da forte queda do desmatamento registrada entre 2004 e 2014. Planos semelhantes também foram elaborados para os demais biomas, entre eles o Cerrado.
Na prática, essas medidas buscam aumentar o risco de punição para quem desmata ilegalmente. Um dos instrumentos usados são os embargos remotos: áreas desmatadas sem autorização são identificadas por imagens de satélite e bloqueadas sem a necessidade de uma operação em campo.
Com o embargo, o proprietário fica impedido de usar a área e de comercializar o que for produzido nela.
Somam-se a isso a atuação dos estados nas ações de controle, o aumento de autuações do Ibama e a maior atenção dos bancos aos dados de desmatamento na concessão de crédito rural.
Assim, propriedades com desmatamento irregular passam a ter mais dificuldade para conseguir financiamento.
No Cerrado, porém, a queda vem sendo mais lenta, e parte da explicação está na própria legislação.
O Código Florestal permite desmatar uma parcela das propriedades rurais, desde que haja autorização do órgão ambiental estadual. Na Amazônia, essa parcela é pequena. No Cerrado, é bem maior.
Por isso, grande parte da perda no Cerrado acontece em propriedades privadas regularizadas, dentro do limite permitido.
Como esse tipo de desmatamento não é alcançado por embargos e multas, que miram a derrubada ilegal, reduzir o ritmo no bioma depende de outros caminhos, como incentivos econômicos para que o produtor mantenha a vegetação nativa e regras mais rígidas para as autorizações concedidas pelos estados.
Por que o Sul é a região mais propensa a tornados no Brasil?
Veja como se cadastrar para receber alerta detalhado da Defesa Civil
Deter x Prodes
🚨 O Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é o sistema responsável pela taxa oficial de desmatamento no Brasil.
Ele calcula, a cada ano, a área de vegetação nativa efetivamente suprimida, sempre considerando o período de agosto a julho.
Para isso, o sistema usa imagens de satélite de maior resolução e passa por uma análise mais detalhada, o que leva mais tempo. O Prodes mapeia o chamado corte raso, ou seja, a remoção completa da vegetação, em áreas a partir de 6,25 hectares (0,0625 km²).
Na Amazônia, a série histórica começa em 1988.
Já o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), também do Inpe, funciona como uma ferramenta de alerta.
Ele emite sinais diários sobre mudanças na cobertura vegetal e serve principalmente para orientar a fiscalização.
Por isso, os números dos dois sistemas não são diretamente comparáveis. A taxa do Prodes costuma, inclusive, ser superior à área apontada pelos alertas do Deter.

