A nova secretária de imprensa do governo dos Estados Unidos, Katie Zacharia, deixou o cargo nesta sexta-feira (16), após menos de uma semana no posto. O pouco tempo em que ficou no cargo foi marcado por gafes, um ato falho e uma revelação sobre seu próprio currículo.

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Ex-comentarista da rede de TV Fox News, Zacharia virou o centro das atenções da Casa Branca nesta semana após uma coletiva de imprensa na qual expressou nervosismo e não conseguiu responder a perguntas de jornalistas. Sua estreia também foi marcada por um ato falho (leia mais abaixo).

Jornais dos EUA também revelaram que a porta-voz, apresentada por Trump como advogada, não tirou a licença para advogar. Ela admitiu, em entrevista, não ter passado na prova.

Zacharia estava no cargo há apenas cinco dias, em substituição a Karoline Leavitt - um dos grandes nomes do governo Trump que pediu demissão para se dedicar à família.

Quem é Zacharia

Nova porta-voz do governo Trump, Katie Zacharia, faz sua primeira entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington, D.C., nos Estados Unidos, em 13 de outubro de 2026.

Casada e com 4 filhos, Zacharia foi porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS) entre fevereiro e abril de 2026, e é uma comentarista habitual nas emissoras Fox News e Newsmax.

Ela colabora regularmente com duas empresas de comunicação ligadas ao presidente, Trump Media & Technology Group, bem como com sua plataforma, Truth Social. Além disso, Zacharia integra a organização conservadora Fix California, fundada por um aliado de Trump, Richard Grenell.

Doutora em Direito, morou na China entre 2011 e 2013, onde trabalhou em um escritório de advocacia. Ela também foi estagiária na Casa Branca durante o governo do presidente George W. Bush. Sua carreira como advogada, no entanto, foi alvo de escrutínio da imprensa.

As credenciais jurídicas de Zacharia foram postas em xeque depois que ela deu uma resposta vaga sobre onde havia sido aprovada no exame para exercer a advocacia (prova equivalente ao exame da OAB no Brasil).

Não passou em exame de advocacia

Zacharia se apresentava nas redes sociais e em programas de televisão como advogada e assessora jurídica. Ela afirmou que trabalhou como advogada em um escritório em Pequim, onde morou após seu marido ser transferido para a China.

Na noite de quinta-feira, no entanto, Zacharia admitiu que não foi aprovada no exame para exercer a advocacia nos Estados Unidos, ao contrário do que havia afirmado.

👉 Zacharia formou-se em Direito pela Universidade Pepperdine em 2011, mas obter o diploma não habilita automaticamente alguém a exercer a profissão. Em uma entrevista à Fox News na quinta-feira, o apresentador Sean Hannity perguntou-lhe: "A senhora fez o exame da ordem, mas não foi aprovada, correto?".

"Sim", respondeu ela.

Em uma entrevista anterior ao veículo conservador Real America's Voice, Zacharia gerou dúvidas sobre a veracidade de suas credenciais. Na entrevista, ela disse que se inscreveu para fazer o exame, mas estava "distraída e sobrecarregada" com os planos de mudança para a China com o marido.

"Os resultados são, de certa forma, irrelevantes, porque eu sabia que não precisaria do título de advogada na China", disse ela. No entanto, cidadãos estrangeiros não podem prestar o exame da ordem na China, embora possam realizar certos trabalhos jurídicos em escritórios de advocacia chineses.

Na entrevista com Hannity, foi questionada se havia feito o exame uma segunda vez, ao que ela respondeu: "Não fiz". "Tive quatro filhos em seis anos", disse ela. "Nunca foi minha intenção exercer a advocacia".

Zacharia disse na Real America's Voice que "muitas pessoas do setor" haviam lhe garantido que ela poderia atuar como advogada, dado o seu diploma em direito e a experiência em direito empresarial que obteve na China.

Ela acrescentou que poderia "oferecer análises jurídicas, não consultoria jurídica".

A organização de ética política Campaign for Accountability solicitou, na quarta-feira, que a Ordem dos Advogados da Califórnia iniciasse uma investigação.

"Na Califórnia, intitular-se advogado sem licença não é um exagero; é crime", afirmou a organização em um comunicado à imprensa.

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