# Pacientes esperam há quase dois anos por próteses na rede municipal do Rio

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/16/pacientes-esperam-ha-quase-dois-anos-por-proteses-na-rede-municipal-do-rio.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-16T18:17:41.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1212482-pacientes-esperam-ha-quase-dois-anos-por-proteses-na-rede-municipal-do-rio

> Pacientes esperam há quase dois anos por próteses na rede municipal do Rio

Pacientes amputados atendidos em centros públicos de reabilitação do Rio reclamam da demora para conseguir próteses e afirmam que a fila continua parada. Alguns esperam há quase dois anos pelo equipamento, que pode ajudar a recuperar a autonomia e voltar a realizar atividades do dia a dia.

Rodrigo Pereira, Leandro Lúcio de Souza Pinho e Marco Antônio Lima fazem tratamento no Centro Municipal de Reabilitação Oscar Clark, no Maracanã, na Zona Norte. Além de enfrentarem as mudanças provocadas pela amputação, os três têm em comum a espera por uma prótese.

“Desde o dia 24 de novembro de 2024 tô eu aqui nessa espera”, contou Leandro, que aguarda o equipamento há quase dois anos.

Em junho, o RJ1 mostrou a situação de Rodrigo e de outros pacientes que aguardavam pelas próteses. Na ocasião, a Prefeitura do Rio informou que a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) seria responsável pela produção dos equipamentos, mas que o contrato havia sido rompido e, depois, reconsiderado.

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Marco, Rodrigo e Leandro aguardam próteses na rede municipal do Rio

Diante do impasse, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu abrir uma licitação para comprar as próteses. Meses depois, os pacientes afirmam que continuam sem uma previsão para receber os equipamentos.

“[Dizem] que está em processo de licitação, que tem que aguardar e é só aguardar. Somente isso. A resposta que a gente precisa realmente é o equipamento em si, o equipamento, as próteses. A gente não quer somente informação, a gente quer mais do que isso, a gente quer a nossa independência, que são as próteses”, disse Rodrigo.

Após amputar a perna direita, Rodrigo Pereira aguarda a prótese para concluir o processo de reabilitação

Pacientes criaram grupo de apoio

A espera levou pacientes atendidos no Centro Municipal de Reabilitação Oscar Clark a se organizar. Eles criaram um grupo de apoio que reúne cerca de 50 pessoas que reclamam da demora para conseguir os equipamentos.

Leandro precisou amputar a perna esquerda depois de sofrer uma trombose e ficar internado no Hospital Municipal Albert Schweitzer. Desde então, teve que mudar a rotina e a moradia.

“Minha vida mudou. Já não pude morar no apartamento onde morava porque o apartamento era escada, não havia elevador. Voltei a morar com meus pais e mudar minha rotina toda. Foi tudo sendo adaptado”, relatou.

Marco Antônio também teve a vida transformada após uma amputação. Diabético, ele precisou retirar a perna em 2023, depois de uma infecção grave. Atualmente, enfrenta a depressão e depende da ajuda da esposa, Jaqueline da Silva Lima.

Marco Antônio Lima e a esposa, Jaqueline, enfrentam a espera por uma prótese

“É frustrante pra mim porque eu sempre trabalhei, eu sempre dependi da minha própria força, né, de poder [colocar] o alimento em casa, né, e não tô podendo fazer”, disse Marco.

A dificuldade também afeta Jaqueline, que acompanha o marido nas consultas e precisa ajudá-lo a se locomover.

“A gente tá nessa luta, né, a gente pega duas conduções pra vir, a gente não tem carro, eu empurrando de cadeira de roda. É muito complicado pra mim e pra ele”, contou.

Demora também afeta quem precisa trocar a prótese

A falta de equipamentos não atinge apenas quem aguarda a primeira prótese. Pacientes que precisam substituir o dispositivo por causa do prazo de validade também enfrentam dificuldades. Segundo os relatos, o problema se repete em outros centros públicos de reabilitação da cidade.

Feliciano de Souza espera há mais de um ano por uma prótese transfemoral

Feliciano Gonçalves, atendido no Centro de Reabilitação Newton Bethlem, na Praça Seca, na Zona Sudoeste, está há quase um ano à espera de uma prótese.

“O que chega pra gente é que a fila tá parada. Quanto mais tempo demora, mais complicado fica nossa reabilitação”, afirmou.

Para Marco, receber o equipamento representa a possibilidade de retomar a independência e voltar ao trabalho.

“Eu queria pelo menos ter essa dignidade, né, ter minha vida de novo pra poder trabalhar. Não tô pedindo muito, tô pedindo uma coisa que a gente tem direito, né.”

O que diz a ABBR

A Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) informou que solicitou à Prefeitura do Rio uma revisão dos valores do contrato. Segundo a instituição, o novo contrato para a confecção de próteses aguarda a assinatura da Secretaria Municipal de Saúde.

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/16/pacientes-esperam-ha-quase-dois-anos-por-proteses-na-rede-municipal-do-rio.ghtml

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