O ex-prefeito de Fortaleza e candidato derrotado a vice-governador na chapa de Ciro Gomes (PSDB), Roberto Cláudio (União), declarou nesta sexta-feira (16) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Ciro Gomes, por sua vez, ainda não se manifestou.

Em um comunicado de 4 minutos, publicado nas redes sociais, Roberto Cláudio fez críticas à condução dos governos do Ceará e do governo federal - ambos comandados pelo PT - nas áreas de segurança e saúde. Ele também fez críticas à relação do partido com o STF e classificou algumas propostas recentes de Lula (PT) como "agenda eleitoreira" sem responsabilidade fiscal.

Roberto Cláudio relembrou a campanha para o governo estadual, que ele disse ter sido "tomada na marra mesmo, na última hora, por máquinas públicas sem qualquer limite moral legal". A chapa de Ciro entrou com uma ação na Justiça Eleitoral para pedir a cassação da chapa de Elmano de Freitas (PT) e a realização de novas eleições no estado.

Depois, o candidato a vice-governador afirmou que "nós, que votamos no Ciro, agora [estamos] frente a uma decisão sobre o que vamos fazer nesse segundo turno".

Na sequência, ele fez uma série de críticas ao PT, ao governador Elmano e ao presidente Lula. "Na minha opinião, a mesma corrupção entranhada em praticamente toda a máquina pública cearense é simplesmente o espelho da corrupção que o PT nacional resolveu naturalizar", afirmou.

"Ao invés de governarem, com a generosa chance que foi dada pelo povo, resolveram, por preguiça e desonestidade, demonizarem adversários como uma tática política de manutenção do poder. É lamentável ver o Lula, depois de quatro anos do seu terceiro governo, por desespero em tentar se manter no poder, impor uma agenda eleitoreira e sem qualquer credibilidade ou responsabilidade fiscal a um mês de eleição", disse Roberto Cláudio.

Candidato a vice de Ciro Gomes, Roberto Cláudio declara apoio a Flávio Bolsonaro

Fabiane de Paula/SVM

Rompimento com o PT

Roberto Cláudio é uma das figuras centrais no rompimento entre PT e PDT no Ceará que acabou por levar Ciro Gomes à oposição. Em 2022, o PDT indicou Roberto Cláudio, que havia cumprido dois mandatos à frente da Prefeitura de Fortaleza, como candidato do partido para suceder Camilo Santana (PT) no governo estadual.

O PT apoiava a governadora em exercício, Izolda Cela (PDT), como candidata. Com a indicação de Roberto Cláudio, o grupo rompeu e o PT lançou candidato próprio ao governo, Elmano de Freitas (PT), que acabou por vencer Roberto Cláudio.

Ao longo do comunicado em que declarou apoio a Flávio Bolsonaro nesta sexta-feira (16), o ex-prefeito de Fortaleza disse que iria "apostar na mudança".

"A certeza do caminho do desastre nós já temos. Vamos crer na possibilidade de um grupo de novas pessoas, de novas ideias surgirem, de uma nova coalizão de forças aparecer, de um mínimo consenso em torno de uma agenda nacional e de uma nova relação com o STF", disse.

Sem manifestação de Ciro

Ciro Gomes não declarou apoios no segundo turno até o momento

Até o momento, Ciro Gomes não se manifestou publicamente sobre o segundo turno das eleições. Ao longo da campanha do primeiro turno, mesmo com o PL entre os partidos aliados, Ciro afirmou repetidas vezes que não iria apoiar Flávio Bolsonaro.

Desde a derrota para o governador Elmano de Freitas no dia 4 de outubro, Ciro só se manifestou uma vez, no dia 6, por meio de nota, afirmando que seu sentimento sobre o resultado era "de que fomos roubados". Dias depois, o PSDB de Ciro pediu a anulação das eleições na Justiça.

No mesmo comunicado, Ciro teceu críticas ao PT e Supremo Tribunal Federal. "Abram o olho: nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro. A república brasileira apodreceu com um STF com membros tais como estes que nos assaltaram no domingo", afirmou.

O tema também foi citado na manifestação de Roberto Cláudio desta sexta-feira (16). No vídeo, Roberto afirmou que "a relação promíscua entre o governo federal do PT e setores do STF ameaça a democracia real e não a tal democracia e soberania, entre aspas, manipulada pelos discursos de quem tem interesses inconfessáveis na manutenção do atual Estado de Poder do Brasil".