Ao longo da vida, as mamas podem passar por mudanças devido a vários fatores, como envelhecimento, variações de peso, gestação e alterações na elasticidade da pele. Essas transformações podem modificar o formato e a posição dos tecidos mamários, levando algumas mulheres a buscar avaliação médica para entender quais possibilidades existem para tratar a flacidez.

Uma das alternativas é a mastopexia, cirurgia realizada para reposicionar as mamas e retirar o excesso de pele, com o objetivo de modificar o formato e a posição dos tecidos. O procedimento pode ser feito com ou sem prótese, de acordo com as características da mama e o planejamento definido após a avaliação individual de um médico especializado.

Em determinadas situações, o cirurgião plástico também pode avaliar a necessidade de um suporte interno adicional aos tecidos, a chamada tela cirúrgica. Esse é um recurso que pode auxiliar na sustentação e na distribuição do peso sobre a mama.

A escolha, entretanto, não é indicada para todas as pacientes e depende de características como qualidade da pele, quantidade de tecido mamário, histórico de cirurgias anteriores e expectativas em relação ao procedimento.

Segundo o cirurgião plástico Ricardo Westphal (CRM/RS 29367 e RQE 23076), parceiro da plataforma PinkMed, que conecta médicos a pacientes que buscam por esse tipo de procedimento, a utilização da tela pode ser considerada em situações específicas.

“A tela é indicada na mamoplastia estética principalmente em duas situações: trocas de prótese complexas (quando a paciente já operou a mama várias vezes, por exemplo) ou naquelas que não desejam usar prótese (que é o caso da mastopexia sem prótese) e que tenham pele e/ou tecidos muito frouxos, pouca glândula mamária e mais gordura dentro da mama”, afirma Ricardo.

Qual é a função da tela?

A tela utilizada na cirurgia das mamas funciona como um suporte interno adicional aos tecidos mamários. Existem diferentes tipos de materiais, com características e tempos de absorção distintos, e a escolha deve ser individualizada conforme a anatomia da paciente e o planejamento cirúrgico.

São descritos materiais sintéticos com diferentes características, incluindo opções absorvíveis, parcialmente absorvíveis e não absorvíveis, além dos que têm origem biológica.

Entre os materiais utilizados estão polipropileno, poliglactina 910, poli-4-hidroxibutirato (P4HB), polidioxanona (PDO) e poliéster. A escolha depende da finalidade do suporte, das características dos tecidos e do planejamento cirúrgico.

Nas opções absorvíveis, por exemplo, o material é gradualmente degradado pelo organismo ao longo do tempo. Alguns produtos foram desenvolvidos para oferecer suporte durante o período de cicatrização e, posteriormente, serem absorvidos.

O tempo de permanência varia de acordo com a composição da tela. Um exemplo é o P4HB, um polímero sintético utilizado em algumas aplicações de cirurgia mamária e que apresenta absorção prolongada.

A função da tela cirúrgica é diferente daquela desempenhada pela prótese mamária. Enquanto o implante pode ser utilizado para acrescentar volume e modificar o contorno das mamas, a tela é usada como recurso de suporte estrutural. Por isso, sua utilização não significa que ela substitua uma prótese ou que seja necessária em uma mastopexia.

Também é importante entender que a presença da tela não impede que as mamas sofram novas alterações ao longo do tempo. O envelhecimento, oscilações de peso, gestação, qualidade da pele e outros fatores continuam podendo influenciar a aparência e a posição dos tecidos.

Quando a tela não é indicada?

A utilização desse recurso depende de uma avaliação individual e não deve ser tratada como uma etapa obrigatória da cirurgia. Em algumas situações, a própria técnica cirúrgica e os tecidos da paciente são considerados suficientes para o planejamento.

“A tela não é indicada para quem vai colocar prótese pela primeira vez, quem vai fazer mastopexia com prótese pela primeira vez (em determinadas situações, colocar a prótese atrás do músculo já deixa bem firme) ou quem vai simplesmente reduzir uma mama muito grande”, destaca Ricardo.

Dessa forma, mastopexia sem prótese, mastopexia associada a implante e procedimentos que utilizam uma tela apresentam características diferentes. A escolha entre essas possibilidades precisa considerar a anatomia, o volume mamário, a qualidade dos tecidos e o histórico de cada paciente, e não apenas a preferência por determinada técnica.

Indicação médica deve ser individualizada

Além da avaliação da mama, o planejamento deve levar em conta cirurgias anteriores, eventuais perdas significativas de peso e as expectativas da paciente. Antes do procedimento, também devem ser discutidos os benefícios esperados, limitações, custos adicionais, recuperação e possíveis riscos.

A escolha do recurso deve estar associada ao conhecimento da anatomia e à experiência do profissional com a técnica. Para Ricardo, esse cuidado é fundamental para evitar que a utilização da tela seja baseada apenas em uma tendência.

“O importante é que o cirurgião tenha experiência com o uso das telas, saiba indicar bem e não indique somente porque ‘está na moda’. É fundamental conhecer a anatomia da mulher para aplicar os conceitos do uso desse recurso, que são diferentes do uso de prótese, por exemplo”, afirma Ricardo.

Toda cirurgia deve ser realizada por cirurgião plástico com CRM ativo e RQE em Cirurgia Plástica, em estrutura adequada para o procedimento. A avaliação individualizada permite discutir as alternativas disponíveis, compreender os riscos e identificar se existe ou não indicação para recursos adicionais.

Conheça a PinkMed

A PinkMed é uma plataforma que conecta médicos especializados a pacientes que buscam por atendimento. No site, é possível obter informações sobre os especialistas e agendar uma consulta com um(a) médico(a) parceiro(a) da sua região.

Para saber mais sobre mastopexia com tela ou outros tipos de procedimentos cirúrgicos nas mamas, além de consultar informações sobre profissionais e resultados publicados com finalidade educativa, acesse o site da PinkMed.