Um auxiliar de enfermagem foi preso preventivamente nesta sexta-feira (16), na região do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo, suspeito de extorquir pacientes acamados durante atendimentos domiciliares. Segundo a Polícia Civil, seis vítimas já foram identificadas.
Leonardo Normando Bueno dos Santos é investigado por extorsão, estelionato, furto e roubo. O g1 tenta localizar a defesa dele.
De acordo com o inquérito policial, o profissional teria se aproveitado da condição de saúde e da dificuldade de reação dos pacientes para obter acesso a celulares e contas bancárias e realizar transferências via PiIX sem autorização.
A investigação do 15° Distrito Policial começou após uma ocorrência registrada em 23 de julho deste ano, envolvendo um paciente com sequelas da Covid-19 que permanecia acamado em um apartamento na Vila Nova Conceição, na Zona Sul da capital.
Segundo o relato do filho da vítima à polícia, ao chegar ao imóvel por volta das 7h10, ele foi informado pelo pai de que o técnico em enfermagem responsável pelo plantão da madrugada o havia obrigado a desbloquear o celular e os aplicativos bancários.
Ainda conforme o depoimento, o paciente tentou impedir o desbloqueio, chegando a virar e esconder o rosto para evitar o reconhecimento biométrico. O profissional, porém, teria ameaçado machucá-lo caso não obedecesse.
A vítima acabou cedendo. Segundo o inquérito, ela tinha movimentos apenas dos ombros para cima e não conseguia empurrar ou afastar o profissional, que permaneceu sozinho com ela no quarto durante a madrugada.
Os registros bancários reunidos na investigação apontam operações realizadas e tentativas de transferência a partir das contas da vítima entre a noite de 22 de julho e a manhã do dia seguinte.
Os documentos anexados ao inquérito registram oito operações via PIX que somam R$ 8.362,15, além de tentativas frustradas de movimentação no valor de R$ 2.206,46.
Uma câmera de segurança no quarto do paciente também registrou Leonardo sentado em uma poltrona. Nas imagens, ele se levanta, vai até a região do leito e retorna com um objeto nas mãos — o celular.
Leonardo manuseia celular de vítima.
Paciente desacordado após atendimento
Outro caso investigado pela Polícia Civil envolve um comerciante de 60 anos que estava em tratamento contra o câncer e recebia atendimento domiciliar. Segundo o inquérito, em 3 de fevereiro, Leonardo foi à casa dele para cobrir a folga de outro profissional e pediu reconhecimento facial e assinatura digital, alegando que precisava cumprir uma exigência burocrática da empresa.
Naquela noite, a vítima começou a receber notificações bancárias sobre transações. Na manhã seguinte, durante um novo atendimento, o paciente estranhou a aparência esbranquiçada do soro usado para a limpeza do cateter. Segundo seu relato à polícia, após a aplicação, ele desmaiou e só recobrou a consciência no hospital.
A esposa contou à polícia que encontrou o marido desacordado, aparentando estar sem respirar, enquanto o profissional mexia no celular. Segundo o depoimento, ela pediu que ele chamasse uma ambulância, mas acabou levando o marido por conta própria ao Hospital A.C. Camargo. O paciente ficou internado por quatro dias.
Ainda conforme o inquérito, já no pronto-socorro, Leonardo teria voltado a pedir o reconhecimento facial e a assinatura digital, segurando a cabeça do paciente para posicioná-la diante do celular.
Os registros bancários apresentados pela vítima apontam uma transferência via PIX de R$ 3.258, realizada na manhã de 4 de fevereiro, além de compras no cartão de crédito na noite anterior.
A empresa de assistência domiciliar informou à polícia que o reconhecimento facial não fazia parte de seus procedimentos e que o profissional deveria preencher e assinar o prontuário mantido na residência, o que, segundo a empresa, não foi feito.
Polícia identificou padrão de atuação
Ao analisar outras ocorrências, os investigadores identificaram um padrão na atuação atribuída ao suspeito. Segundo o inquérito, ele teria chegado às casas das vítimas por meio de empresas de assistência domiciliar, com cooperativas intermediando a contratação dos profissionais.
Em pelo menos três episódios, o auxiliar teria se apresentado como substituto de outro profissional durante uma folga. O inquérito ainda aponta que as vítimas tinham idade avançada ou doenças incapacitantes e pouca ou nenhuma possibilidade de reagir ou conferir as próprias contas bancárias.
A investigação também descreve diferentes formas pelas quais o suspeito teria conseguido acesso aos meios de pagamento das vítimas, incluindo ameaças, pedidos de ajuda para operações bancárias e outros métodos de obtenção de credenciais ou dados biométricos.
Ao todo, a polícia analisou seis ocorrências registradas entre outubro de 2025 e agosto de 2026, todas envolvendo pacientes atendidos em regime domiciliar.

