O trabalho infantil atingiu o menor nível em dez anos. Mesmo assim, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes ainda trabalham no Brasil.
Trinta e dois anos. Gerente de uma seguradora. Hugo Almeida de Oliveira começou a trabalhar cedo, aos 14 anos, movido pela dificuldade.
“Dando aula duas vezes na semana como professor auxiliar de judô e, aos fins de semana, quando surgia, trabalhava como garçom”, conta.
Naquela época, o trabalho infantil era uma realidade pior do que é hoje. Em 2025, o número de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que trabalhavam teve uma queda de 9% em relação ao ano anterior e atingiu o menor patamar desde 2016.
Trabalho infantil registra o menor nível em uma década
Jornal Nacional/ Reprodução
Mesmo assim, a situação ainda é preocupante. Quase 1,5 milhão de meninos e meninas ainda estão sujeitos a uma condição incompatível com a infância. À medida que a idade avança, o problema se agrava. Entre os adolescentes de 16 e 17 anos, a proporção de trabalhadores infantis é maior. Nessa idade, seja para ajudar no orçamento da casa, ou para buscar a própria independência, esses jovens encontram possibilidade de renda no mercado informal.
Quando ainda era adolescente, o que mudou o destino do Hugo foi se tornar um jovem aprendiz. Mesmo caminho que a Giovanna Marques percorre agora.
"Acho que uma coisa que o jovem fica muito feliz é isso também: controlar, saber administrar seu próprio dinheiro”, diz a jovem aprendiz Giovanna Marques.
Mas garantir um país livre de trabalho infantil continua sendo um grande desafio.
“A erradicação é muito difícil. Nós temos que contar com as estratégias do setor público, com o setor privado. Então, tem diversos atores aí que nós precisamos juntar, coordenar, para a gente poder persistir e chegar na erradicação", afirma Janaína Feijó, economista e pesquisadora do FGV Ibre.
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Brasil tem 1,5 milhão de crianças e adolescentes no trabalho infantil
Governo retirou 4,3 mil crianças e adolescentes do trabalho infantil em 2025, maior número da última década

