# Pernambucano, Rueda teve 60% de votos em Belford Roxo, onde fez dobradinha com Canella; PF vê uso de milícia na eleição por ex-prefeito

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/eleicoes/2026/noticia/2026/10/17/pernambucano-rueda-teve-60percent-de-votos-em-belford-roxo-onde-fez-dobradinha-com-canella-pf-ve-uso-de-milicia-na-eleicao-por-ex-prefeito.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-17T07:00:00.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1220223-pernambucano-rueda-teve-60-de-votos-em-belford-roxo-onde-fez-dobradinha-com

> 'Dobradinha' de Canella e Rueda: investigação aponta existência de currais eleitorais em Belford Roxo

Pernambucano e eleito deputado federal em sua estreia nas urnas, o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, recebeu 60,2% de seus 155.836 votos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Na cidade, fez campanha em conjunto com o ex-prefeito Márcio Canella, preso na quinta-feira (15).

Segundo a Polícia Federal, Canella contava com um braço armado e com coerção para sustentar seu domínio eleitoral no município. No relatório que pediu a prisão do ex-prefeito, os investigadores apontam que um miliciano condenado garantiria a ele o controle de currais eleitorais.

Rueda não é citado nesse relatório da PF. A ligação de sua campanha com suspeitos de integrar milícias, no entanto, foi questionada pela Procuradoria Regional Eleitoral, que se manifestou contra sua candidatura.

No parecer, a Procuradoria apontou uma “conexão estrutural e territorial” entre Rueda, Canella e operadores paramilitares em Belford Roxo. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) autorizou as duas candidaturas.

O ‘federal do Canella’

Rueda foi apresentado na campanha como "o federal do Canella"

Nascido no Recife, a cerca de 2,3 mil quilômetros de Belford Roxo, Rueda concentrou no município a maior parte de sua votação para a Câmara dos Deputados.

Ele e Canella fizeram uma “dobradinha”: promoveram suas candidaturas em conjunto, um para deputado federal e o outro para deputado estadual. Na propaganda eleitoral, Rueda era apresentado como o “federal do Canella”.

Os dois também apareceram em santinhos virtuais ao lado de Fabinho Varandão, nomeado secretário municipal de Esportes durante a gestão de Canella na prefeitura.

Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, Varandão é acusado de integrar uma milícia armada, praticar extorsões violentas e ameaçar comerciantes de morte. O órgão também atribui a ele o controle armado e o monopólio da distribuição de sinal de internet em bairros de Belford Roxo.

No parecer contrário ao registro de Rueda, a Procuradoria afirmou que Varandão teria sido mantido no núcleo de poder político local e integraria a base que sustentava, promovia e operacionalizava a candidatura do presidente do União Brasil.

Essa atuação, segundo o documento, incluiria a promoção de comícios, reuniões e publicações de propaganda em conjunto com Rueda e Canella na Baixada Fluminense.

Apesar da manifestação contrária da Procuradoria, o TRE-RJ permitiu que Rueda disputasse a eleição.

Canella recebeu mais da metade dos votos da cidade

Um levantamento do RJ2 mostra que Canella, eleito o segundo deputado estadual mais votado do Rio, recebeu 133.956 votos em Belford Roxo — 54% dos votos para o cargo no município.

O segundo colocado na cidade, Igo Menezes, teve 6.197 votos, ou 2,5% do total. A votação dele equivale a 4,6% da obtida pelo ex-prefeito.

Nas quatro zonas eleitorais de Belford Roxo, Canella recebeu entre 46% e 61% dos votos, em uma disputa com mais de mil candidatos a deputado estadual.

Fora de Belford Roxo, seu melhor resultado proporcional foi em uma zona eleitoral de Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense, onde recebeu 12% dos votos.

O relatório da PF que pediu sua prisão é de 3 de setembro, cerca de um mês antes da eleição. No documento, os investigadores descrevem a suspeita de uso de milícia para garantir o controle eleitoral.

TRE discutiu suspeitas antes da votação

As suspeitas de ligação de Canella com milícia e de seus efeitos nas urnas já haviam sido levadas ao TRE-RJ por adversários políticos que pediam o indeferimento de sua candidatura. Os questionamentos receberam o apoio do Ministério Público Eleitoral.

O desembargador Guilherme Calmon votou para impedir a candidatura, mas ficou vencido.

Em seu voto, Calmon citou a nomeação da mulher do ex-policial Juracy Prudêncio, o Jura, para o gabinete de Canella quando ele era deputado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Jura é apontado como chefe do grupo de extermínio e milícia conhecido como “Bonde do Jura”. A nomeação também foi mencionada pela PF.

Outro ponto abordado pelo desembargador foi a operação municipal Barricada Zero, apresentada como um programa para retirar obstáculos instalados nas ruas de Belford Roxo.

Segundo o voto de Calmon, a entrada do então prefeito em áreas dominadas pelo tráfico para gravar vídeos de campanha e realizar obras dependia da autorização expressa dos traficantes Soró e Doca, este apontado como chefe do Comando Vermelho.

O plenário do TRE-RJ, no entanto, autorizou a candidatura de Canella. A validade dos votos do ex-prefeito ainda será analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em julgamento sem data marcada.

O que dizem os citados

O RJ2 pediu um posicionamento à defesa de Márcio Canella, mas não recebeu resposta. Na quinta-feira (15), os advogados afirmaram que ele confia na Justiça e tem certeza de que tudo será esclarecido.

Antonio Rueda também não respondeu ao contato.

A TV Globo não conseguiu contato com Fabinho Varandão.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/eleicoes/2026/noticia/2026/10/17/pernambucano-rueda-teve-60percent-de-votos-em-belford-roxo-onde-fez-dobradinha-com-canella-pf-ve-uso-de-milicia-na-eleicao-por-ex-prefeito.ghtml

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