A Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) prendeu a última foragida entre os suspeitos de pertencer a uma organização criminosa responsável por um esquema de de exploração sexual de menores, estupro de vulnerável e produção de conteúdo sexual com menores de idade.
Mariana de Oliveira Minas, de 42 anos, foi presa em um abrigo em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, na última quarta-feira (14).
Ela foi empregada doméstica do homem apontado como chefe do esquema pela polícia, o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins está preso desde março.
Mariana tem passagens pela polícia por abandono de incapaz e pelo homicídio do ex-marido a facadas em 2012. Por esse crime, ela acabou presa.
Mariana de Oliveira Minas foi presa em Itaboraí por agentes da Dcav
Em agosto de 2026, 5 meses após a prisão de Cordovil, um homem levou uma criança até a delegacia de Itaboraí, na Região Metropolitana, após encontrá-la sozinha em um bar.
Lá, a menina disse que estava com um celular dado pela mãe, Mariana de Oliveira Minas, mas que não a via desde o dia anterior.
O caso foi registrado na 71ª DP (Itaboraí) como abandono de incapaz. A criança estava morando com Mariana em um abrigo no município, segundo o registro.
'Arruma a novinha'
Cordovil (à esquerda) quando foi preso, em março de 2026
Em mensagens trocadas com Mariana de Oliveira Minas, Cordovil fez um pedido específico no dia 30 de novembro de 2022:
"Arruma a novinha, mais ou menos zero quilômetro, e a gente vai sair", diz ele.
Polícia prende suspeito de chefiar esquema de exploração sexual de menores no Rio
Prints de conversas obtidas a partir da quebra do sigilo de Cordovil indicam que os participantes da organização criminosa falavam abertamente sobre levar menores para o esquema de exploração sexual.
Mariana também tem registros de conversas "apresentando" várias fotos de meninas menores de idade para Cordovil.
"Eu já te mandei a foto das duas: uma de 15 e outra de 14", diz ela, também no dia 30 de novembro de 2022.
Polícia prende suspeita de aliciamento de menores para exploração sexual no Rio
Em uma das conversas, Mariana inclusive sugere que Cordovil convide a irmã mais velha de uma menina que era alvo da organização criminosa. O objetivo dela era driblar a vigilância da família:
"Então vamos levar a irmã mais velha que aí mais pra frente ela vai levar a irmã, entendeu?"
A defesa técnica de Cordovil informou que ainda não teve acesso integral aos autos do procedimento e que só se manifestará publicamente após a análise técnica de todo o material.
A nota é assinada por Raphaella Estrella, Flavio Biolchini e Felipe Braga.
Cordovil é réu em um processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital (Veca), do Tribunal de Justiça do Rio, e já teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Na semana passada, Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, foi preso na Gávea, na Zona Sul. Já Ariane de Oliveira Minas foi presa em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ambos eram alvos de pedidos de prisão temporária expedidos pela Vara Especializada em Crianças e Adolescentes (Veca).
Segundo a delegada titular da Dcav, Maria Luiza Machado, Luiz Alberto, Mariana e Ariane respondem por estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa.
Luiz Alberto Martins Sobrinho também responde por armazenamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil
Além destes crimes, Cordovil também responde por produção, armazenamento e compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantojuvenil.
O g1 não conseguiu contato com as defesas dos presos.
Como funcionava o esquema
O esquema era estruturado e dividido com tarefas estabelecidas, de acordo com a Dcav:
Cordovil Nogueira: Exploração sexual, produção de conteúdo sexual com menores de idade e pagamento para vítimas e responsáveis
Ariane e Mariana Minas: recrutamento e entrega das vítimas
Luiz Alberto Martins Sobrinho: aliciamento direto e participação nos abusos sexuais
As investigações indicam que Cordovil se aproveitava da vulnerabilidade social das vítimas para se aproximar delas, oferecendo dinheiro, lanches, presentes, celulares e outras vantagens. Além de ser uma forma de aliciamento, serviria para "comprar" o silêncio das vítimas.
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