Segundo Soller, embora exista uma expectativa de maior mobilização dos eleitores na reta final da disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a ausência de eleições para governador em parte dos estados pode produzir o efeito contrário.

“Tem muita gente falando da redução da abstenção, mas isso pode chegar a ter um aumento”, afirmou.

O primeiro turno registrou 33,4 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 21,08% do eleitorado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi o maior índice de abstenção em um primeiro turno presidencial desde 1998.

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O peso das disputas estaduais

Soller citou o Ceará como exemplo da influência das eleições estaduais sobre o comparecimento. No primeiro turno, o estado registrou abstenção próxima de 17%, em meio a uma disputa pelo governo que mobilizou o eleitorado.

Para o cientista político, o encerramento dessas disputas pode diminuir o interesse de parte dos eleitores em retornar às urnas apenas para escolher o presidente.

Ele ponderou, porém, que não espera uma mudança expressiva no índice nacional de abstenção.

“Eu acredito que, para mais ou para menos, a gente vai variar muito pouco na questão da abstenção. Até porque isso é um histórico no Brasil”, disse.

Na eleição presidencial de 2022, a abstenção caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução de aproximadamente 0,36 ponto percentual.

Mobilização na reta final

O comparecimento às urnas é uma das variáveis acompanhadas pelas campanhas de Lula e Flávio na última semana antes da votação.

Soller afirma que, além dos eleitores dos candidatos eliminados, o comportamento de quem não votou no primeiro turno pode alterar a composição do eleitorado que comparecerá às urnas no dia 25.

O cientista político também destacou que a transferência direta de votos entre Lula e Flávio tem sido pequena nos monitoramentos realizados pela Real Time Big Data.

Segundo ele, entre 94% e 95% dos eleitores que declararam ter escolhido um dos dois candidatos em 4 de outubro pretendem manter o voto.

Os dados foram apresentados por Soller durante a entrevista e fazem parte de levantamentos internos do instituto, não divulgados como pesquisa eleitoral pública.

Nessa reta final das eleições, o Mapa de Risco contará com edições especiais, ao vivo, de segunda a sexta-feira, às 18h, pelo canal do Youtube do InfoMoney .

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