Esse tipo de interação ajuda a explicar uma mudança no comércio eletrônico: a inteligência artificial começa a participar da descoberta e da comparação de produtos, criando um novo caminho para que consumidores encontrem marcas. Para empresas menores, que nem sempre conseguem competir com grandes varejistas em investimento publicitário, o movimento pode abrir oportunidades de chegar ao público certo.
Esse comportamento começa a mudar a disputa por clientes no comércio eletrônico. Segundo Daniel Azevedo, CFO da Nuvemshop, metade dos consumidores brasileiros já utiliza IA na descoberta de produtos.
Para as marcas, a mudança abre um novo caminho para conquistar clientes, especialmente em um cenário de aumento dos custos de publicidade digital. Ao interpretar o contexto de uma busca, ferramentas como ChatGPT e Gemini podem recomendar produtos com base em características que vão além do preço e da popularidade.
“Você começa a ter mais tráfego que vem de IA por mérito do seu produto, da sua história, e menos por necessariamente investimento em mídia”, afirma Azevedo.
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O site próprio ganha relevância na era da IA
Para marcas que vendem direto ao consumidor (modelo D2C), esse movimento reforça o papel do site próprio como fonte de informação. Para aparecer nas recomendações, as marcas precisam oferecer informações claras e completas sobre seus produtos. Descrições detalhadas, avaliações de clientes e diferenciais ajudam os sistemas a entender o que cada negócio oferece.
Segundo Azevedo, a parcela de consumidores que considera o site da marca a fonte mais confiável de informações sobre produtos passou de 40% para 50% em um ano, conforme a pesquisa citada pelo executivo.
Esse movimento pode beneficiar marcas independentes, que nem sempre têm orçamento para competir com grandes empresas em publicidade. Ao apresentar melhor seus produtos e sua proposta de valor, esses negócios podem ampliar as chances de serem encontrados por consumidores com interesses específicos.
Isso não elimina a importância dos investimentos em mídia, mas acrescenta um novo canal de descoberta. O desafio é preparar a loja para que suas informações sejam compreendidas pela IA e acompanhar o impacto desse tráfego nas vendas.
Leia mais: A IA ainda não leva o cliente até a loja, mas já ajuda a escolher o que ele compra
A IA substitui os marketplaces?
O avanço dos assistentes de IA também levanta dúvidas sobre o futuro dos marketplaces e das lojas virtuais. Para Azevedo, porém, é importante separar a descoberta do produto da transação.
Enquanto a IA pode ajudar o consumidor a encontrar e comparar alternativas, concluir uma compra exige informações atualizadas de preço e estoque, além de uma estrutura segura de pagamento.
Por isso, o executivo avalia que as lojas próprias continuam relevantes. Elas concentram informações sobre os produtos e sustentam a operação comercial, mesmo quando o consumidor chega por um novo canal.
Uma pesquisa da Gartner realizada em janeiro de 2026 com consumidores dos Estados Unidos reforça essa distinção: 11% aceitariam delegar decisões de compra à IA em categorias de menor risco, enquanto 31% aceitariam que a tecnologia reduzisse as opções de produtos para itens domésticos.
Os números sugerem que a IA pode ganhar espaço na pesquisa e na comparação sem necessariamente assumir toda a decisão de compra.
Como a Nuvemshop está incorporando IA
A Nuvemshop vem ampliando o uso de inteligência artificial para ajudar os lojistas tanto na gestão das lojas quanto na preparação para essa nova jornada de compra.
Um dos exemplos é o Lumi, assistente integrado à plataforma que permite consultar informações e realizar tarefas por meio de comandos em linguagem natural, funcionando como um assistente de IA que reduz o tempo gasto em tarefas administrativas da loja. Segundo Azevedo, são mais de 30 casos de uso, incluindo análise de vendas e comportamento de clientes, consultas sobre estoque e alterações no conteúdo e no visual da loja.
A empresa também oferece conectores que permitem interagir com a plataforma por meio de ferramentas de IA compatíveis, facilitando determinadas alterações sem que o lojista precise executar cada etapa manualmente.
Segundo levantamento interno citado pelo executivo, os recursos de IA podem economizar cerca de 80 horas de trabalho por mês para um lojista. A ideia é reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais e permitir que o empreendedor se concentre em atividades como planejamento de campanhas, desenvolvimento de produtos e relacionamento com clientes.
A adoção das ferramentas também avança. De acordo com Azevedo, a plataforma registrou cerca de 1,5 milhão de mensagens mensais processadas por IA no mês anterior à entrevista.
Além de facilitar a rotina dos empreendedores, os recursos de IA nativa para gestão da loja também podem ajudar na preparação das lojas para serem compreendidas pelos sistemas de inteligência artificial. A organização das informações e a clareza dos diferenciais da marca passam a ter importância tanto para o consumidor quanto para os algoritmos que participam da descoberta de produtos.
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