A pneumonia também esteve entre as principais causas, com 100.304 mortes. Outras doenças cardíacas somaram 84.137 registros. O diabetes respondeu por 72.151 mortes, e as doenças hipertensivas, por 65.799.

Entre as demais causas estão as doenças crônicas das vias aéreas inferiores, com 57.436 mortes, os acidentes de transporte, com 37.954, e os homicídios, com 35.231. Ao todo, o país registrou 1.534.588 mortes em 2025.

PNEUMONIA CRESCE 49,6%

As mortes por pneumonia passaram de 67.063, em 2020, para 100.304, em 2025 –uma alta de 49,6%. Segundo Marcela Costa, pneumologista, especialista em infecções respiratórias e integrante da Comissão de Infecções Respiratórias da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), a análise da evolução dos dados exige cautela porque 2020 foi um ano atípico: medidas de isolamento adotadas durante a pandemia reduziram a circulação de outros vírus e bactérias respiratórios, e parte das mortes por problemas respiratórios foi atribuída à covid.

“Com máscaras, distanciamento e escolas fechadas, outros vírus e bactérias quase pararam de circular. Ou seja, 2020 foi um ano fora da curva, com números baixos. Parte do aumento que vemos agora é a volta ao que era comum antes da pandemia” , afirmou.

Além desse efeito, o envelhecimento da população, a menor adesão à vacinação e a maior circulação de vírus respiratórios contribuem para a alta, de acordo com a pneumologista.

“Hoje temos mais pessoas vulneráveis, mais vírus circulando e menos gente vacinada. Não há indícios de que a pneumonia em si tenha se tornado mais agressiva. E há um ponto que pesa muito: a demora em procurar atendimento. Quando é tratada no início, a pneumonia tem chance muito maior de cura” , disse Costa.

A médica afirma que os números, isoladamente, não permitem concluir se houve aumento dos casos ou se a pneumonia está sendo mais letal. Para isso, seria necessário analisar também as internações e considerar o envelhecimento da população. A especialista destaca a vacinação, a busca precoce por atendimento, evitar automedicação e o cuidado com as doenças crônicas como medidas para prevenir complicações que levem a casos graves e mortes pela doença.