# A 'história esquecida' dos vikings que chegaram à América 500 anos antes de Cristóvão Colombo

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/17/a-historia-esquecida-dos-vikings-que-chegaram-a-america-500-anos-antes-de-cristovao-colombo.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-17T16:35:34.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1225949-a-historia-esquecida-dos-vikings-que-chegaram-a-america-500-anos-antes-de

> Os vikings chamaram de Vinlândia (Vinland), a "terra das videiras", uma das regiões que exploraram na América do Norte

Cristóvão Colombo pode ter atravessado o oceano em 1492 — quando chegou às Bahamas em 12 de outubro daquele ano. Mas ele não foi o primeiro europeu a alcançar o território que hoje conhecemos como América.

A chegada desses outros europeus não foi marcada por grandes celebrações. Não houve proclamações reais nem multidões nas ruas para recebê-los na volta. Tampouco atravessaram o imenso oceano Atlântico diretamente de um continente a outro.

Em vez disso, fizeram a viagem por etapas, usando a Islândia e a Groenlândia como pontos de parada. As expedições deles foram narradas séculos depois em sagas, relatos mais próximos da literatura épica do que dos livros de história.

Esses navegadores chegaram ao continente americano 500 anos antes de Cristóvão Colombo.

Flateyjarbók é considerado um dos registros antigos que comprovam a chegada dos vikings à América do Norte

As sagas nórdicas, histórias dos vikings registradas por seus descendentes, passaram a ser reconhecidas como fontes históricas confiáveis.

Em 1966, o apresentador da BBC Magnus Magnusson descreveu o Flateyjarbók (Livro de Flatey ou Livro da Ilha Plana), manuscrito do século 14, como "um dos mais valiosos manuscritos islandeses que existem".

O livro é tão valioso, disse Magnusson, que, em 1893, quando os organizadores da Exposição Universal de Chicago pediram o manuscrito emprestado para comemorar, com um ano de atraso, os 400 anos da viagem de Colombo, "ofereceram enviar um navio de guerra à Dinamarca para buscá-lo, transportá-lo pelos Estados Unidos em um trem blindado e contratar um seguro de US$ 1 milhão [cerca de R$ 5 milhões, na cotação atual sem correção monetária]. Mesmo com todas essas garantias, os dinamarqueses não quiseram correr o risco".

Mas por que os americanos faziam tanta questão de ter o manuscrito?

Os vikings navegaram pelo Atlântico Norte e chegaram à costa da América do Norte

Porque ele contém "o relato da colonização nórdica da Groenlândia no século 10 e, o que é ainda mais surpreendente, a história da descoberta da América do Norte pelos nórdicos e da tentativa de colonizar a região poucos anos depois, cinco séculos antes de Colombo".

Em 1960, foi descoberto um acampamento usado pelos nórdicos como ponto de parada em L'Anse aux Meadows, na ilha de Terra Nova, no Canadá.

Em 2021, pesquisadores que utilizaram uma nova técnica de datação descobriram que os vikings haviam ocupado o local cerca de mil anos antes.

Acredita-se que o acampamento tenha servido de base para expedições a outras regiões da América do Norte.

"Este é o começo de uma história esquecida: os séculos em que europeus visitaram a América em viagens que não deixaram registros escritos, apenas rastros nas águas", afirmou Robin Ellis em um episódio de 1997 da série documental Timewatch, da BBC.

Os nórdicos chegaram à Islândia por volta do ano 870 e à Groenlândia cerca de cem anos depois.

De lá, bastava atravessar cerca de 320 km pelo estreito de Davis para chegar à ilha de Baffin, no atual Canadá. Eles chamaram a região de Helluland, a "terra das lajes de pedra".

Segundo as sagas, os navegadores seguiram pela costa em direção ao sul até Labrador, região que chamaram de Markland, a "terra das florestas". Depois, avançaram ainda mais ao sul, até uma área que batizaram de Vinland, a "terra das videiras".

"As sagas mostram que esses homens não pararam em um único lugar, mas passaram por vários", afirmou Emily Lethbridge, da Universidade da Islândia, ao programa Timewatch, em 2016.

"E passaram vários anos longe de casa. Tinham todo um mundo novo para explorar."

Erik, o Vermelho

Acredita-se que, Erik, o Vermelho, chegou à Islândia por volta do ano 960

Segundo as sagas, o mais famoso dos colonizadores nórdicos, Erik, o Vermelho, chegou à Islândia por volta do ano 960, depois que seu pai foi expulso da Noruega por assassinato.

Em 932, os islandeses haviam criado um parlamento, o Althing. Era uma assembleia nacional realizada ao ar livre, durante duas semanas a cada verão, para discutir leis e julgar conflitos. Os encontros aconteciam em um lugar extraordinário: um desfiladeiro que formava um impressionante anfiteatro natural.

"Não é apenas a acústica que torna esse lugar especial", afirmou Lethbridge à BBC. "É uma falha geológica natural. Estamos no ponto de encontro das placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia."

Assim, os primeiros europeus a explorar a América do Norte estabeleceram um de seus parlamentos em um vale formado pela separação das placas tectônicas dos dois continentes.

Nesse parlamento, segundo Lethbridge, da Universidade da Islândia, "eram decretadas penas de banimento contra pessoas que haviam transgredido gravemente todas as regras da sociedade. Elas podiam ir para qualquer outro lugar, mas estavam proibidas de pisar na Islândia enquanto durasse a punição".

Em 982, o Althing expulsou Erik, o Vermelho, da Islândia após uma disputa violenta com um fazendeiro vizinho. Seu exílio deu início a um capítulo extraordinário da exploração viking.

"Erik, o Vermelho, foi o primeiro islandês a descobrir a Groenlândia e estabelecer um povoado permanente na região", afirmou Lethbridge.

Ele fundou uma colônia na Groenlândia que duraria cerca de 500 anos e serviria de ponto de partida para as expedições nórdicas à América do Norte.

"Eram pessoas dispostas a correr riscos e enfrentar enormes desafios físicos, como atravessar o Atlântico em embarcações abertas para descobrir o que havia do outro lado", disse Lethbridge.

A presença nórdica na Groenlândia se manteve até o início do século 15. Nesse período, os vikings, liderados por Leif Eriksson, filho de Erik, aparentemente fizeram não apenas uma, mas várias travessias marítimas até a América do Norte.

"A maioria das pessoas imagina que, depois que Leif Eriksson e seus companheiros chegaram a Vinland, desistiram e foram embora, nunca mais se ouviu falar do Novo Mundo", afirmou Robert McGhee, arqueólogo do Museu Canadense da Civilização, ao programa Timewatch.

"Mas temos evidências arqueológicas de que os nórdicos continuaram fazendo viagens ocasionais ao Novo Mundo durante os dois ou três séculos seguintes", disse McGhee.

Colombo sabia da existência de Vinlândia?

Quando Cristóvão Colombo chegou às Bahamas em 1492, os vikings já tinham viajado para as Américas há quase 500 anos

"Temos inúmeras evidências de que, durante toda a Idade Média, foram realizadas viagens entre as regiões que hoje conhecemos como Groenlândia e América do Norte", afirmou Kirsten Seaver, historiadora especializada em navegação medieval, ao programa Timewatch.

"Sabemos que, por volta de 1480, houve uma tentativa deliberada de navegar até a América do Norte, ou até o que eles chamavam de "ilha de Brasil". Não devemos considerar essa a primeira viagem à região, mas a primeira tentativa de chegar lá diretamente, sem passar pela Groenlândia, que era a referência habitual dos navegadores."

Seaver também mencionou um documento que indica que o próprio Colombo sabia dessas viagens. "No inverno de 1497 a 1498, um inglês chamado John Day escreveu a Cristóvão Colombo para contar sobre a viagem bem-sucedida de John Cabot à América do Norte, em 1497. Entre outras coisas, mencionou como algo de conhecimento geral que, como Colombo sabia, navegadores de Bristol [na Inglaterra] já faziam aquela viagem rumo ao norte havia muitos anos."

Quando Colombo chegou às Bahamas, em 1492, é possível que já soubesse da existência da região que os vikings chamavam de Vinlândia.

Há até teorias de que o navegador teria tentado evitar deliberadamente uma terra que sabia já ter sido descoberta por outros europeus.

"Colombo sabia, assim como qualquer navegador sabe hoje, que, para atravessar oceanos no Hemisfério Norte, é preciso seguir para o norte, onde a distância a percorrer é menor, fazer a travessia rapidamente e depois descer novamente", afirmou McGhee, do Museu Canadense da Civilização, ao programa Timewatch.

"Mas Colombo fez o contrário: escolheu a rota mais longa, atravessando diretamente o oceano. Talvez estivesse tentando evitar o Canadá. Talvez quisesse evitar a Vinlândia, que não era o que ele procurava. Acredito que a intenção era contornar a América para tentar chegar às riquezas do Extremo Oriente."

Assim, embora muitos cidadãos dos EUA celebrem o Dia de Colombo (12/10) todos os anos, não devem se esquecer das travessias do Atlântico que aconteceram antes da viagem do navegador.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/17/a-historia-esquecida-dos-vikings-que-chegaram-a-america-500-anos-antes-de-cristovao-colombo.ghtml

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