# Um mês depois, égua escolhida para ter filhote de Cavalo Caramelo, símbolo da enchente no RS, ganha peso e dá sinais de cio

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/10/18/um-mes-egua-filhote-cavalo-caramelo-simbolo-enchente-rs-cio.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-18T07:00:01.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1234358-um-mes-depois-egua-escolhida-para-ter-filhote-de-cavalo-caramelo-simbolo-da

> 'Hora Extra': como está a companheira de Caramelo 10 dias após chegada

Há um mês, Hora Extra desembarcava no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, com uma missão: tornar-se companheira de Caramelo e, futuramente, ter um filhote com o cavalo que virou símbolo de resistência durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.

Desde então, a égua de seis anos vem passando por uma espécie de preparação. Ela ganhou peso, melhorou os resultados dos exames de sangue e já começou a apresentar sinais de cio.

🐴 Caramelo foi resgatado em 9 de maio de 2024. A imagem do cavalo preso em um telhado rodou o mundo e comoveu o país. Meses depois, ele foi oficialmente adotado pela Ulbra. Com cerca de 11 anos, ele ganhou um piquete exclusivo de 250 metros quadrados, onde passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama.

Apesar dos avanços, ainda não chegou a hora de aproximar Hora Extra de Caramelo para uma tentativa de reprodução.

Segundo a médica veterinária e diretora da unidade, Laura Martins Cezimbra, Hora Extra apresentou uma evolução visível no primeiro mês.

Como anteriormente vivia solta no campo, estava magra e com bastante pelagem e passou a receber alimentação complementar.

Égua "Hora Extra", no espaço do Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas

Bruno Todeschini/ Grupo RBS

A evolução também apareceu nos exames de sangue. Cezimbra descreve a condição inicial como um "resquício de anemia". Agora, o índice aumentou e está acima da referência mínima.

Segundo a veterinária, Hora Extra está "super bem".

Além dos cuidados com a saúde e o ganho de peso, a equipe acompanha de perto o sistema reprodutivo da égua. Ela já passou por ultrassom para avaliação dos folículos e por acompanhamento da ovulação.

"Ela está fazendo sinais de cio, mas por enquanto não tem folículos viáveis. Ela faz o comportamento, mas não é um cio fértil. Então, não tem chance de emprenhar nesses cios que ela está tendo", explica Cezimbra.

A equipe seguirá acompanhando o desenvolvimento dos folículos e a ovulação. Conforme Cezimbra, caso seja necessário, existe a possibilidade de indução da ovulação, mas, antes disso, os folículos precisam estar prontos.

Ganha companhia, mas ainda não é Caramelo

Nesse primeiro mês, Hora Extra também deixou de ficar sozinha no piquete. A égua passou a dividir o espaço durante o dia com Loirinho, um cavalo castrado. A escolha permite a convivência com outro animal sem risco de reprodução.

Caramelo, por enquanto, fica no piquete ao lado. A separação ocorre justamente porque a equipe ainda acompanha a evolução reprodutiva de Hora Extra.

"Como eles têm esse comportamento gregário, o cavalo tende a querer ficar junto sempre, a gente soltou ela com o Loirinho no piquete", explica.

A chegada de Hora Extra

Cavalo Caramelo e a pretendente "Hora Extra"

A égua desembarcou na universidade no dia 9 de setembro, vinda de uma propriedade rural de São Sebastião do Caí. Com seis anos de idade, ela foi doada à instituição.

Segundo Cezimbra, as éguas começam entre setembro e outubro a fase de reprodução, período em que o dia fica mais longo e as temperaturas ficam mais altas. "Possivelmente, logo em seguida, em outubro ou novembro, ela já vai voltar a ter cio."

O nome Hora Extra vem de uma curiosidade: ela demorou cerca de 10 dias a mais para nascer. Conforme a veterinária, o período médio de gestação dos equinos é de 360 dias.

"Falando com o pessoal que doou ela, comentaram que foi porque ela ficou uns dias a mais no útero da mãe dela. Então, ela já estava fazendo 'hora extra' na barriga da mãe. Por isso, ficou esse nome", conta a veterinária da Ulbra.

Além disso, há outro motivo que contribuiu para a escolha, a primeira letra do seu nome deveria ser H.

"No ano que ela nasceu, a letra para começar o nome era o H. No meio dos cavalos, é muito comum isso. Todo ano é uma letra específica", explica a veterinária.

Segundo a universidade, ela foi escolhida como companheira para Caramelo por conta de características consideradas importantes para o projeto. Entre elas, está o fato de que ela não possui histórico de reprodução, tem perfil dócil e também poderá ser utilizada em atividades práticas do curso de Medicina Veterinária.

'Hora Extra': 10 dias após a chegada, companheira do cavalo Caramelo se adapta a hospital veterinário no RS

Ulbra e RBS TV/Reprodução

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Projeto de reprodução

A ideia de permitir que Caramelo tenha um filhote nasceu da relação criada entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. De acordo com a veterinária, os seguidores costumam pedir novidades sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhá-lo em novas fases.

Embora não possa conviver livremente em grupo por ser um garanhão — um cavalo macho não castrado —, ele mantém contato próximo com outros equinos que vivem no campus, incluindo fêmeas.

"Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores", explica Cezimbra.

A diretora afirma que a iniciativa não tem relação com preservação genética. Segundo ela, o objetivo está ligado ao significado que Caramelo passou a representar para muitas pessoas após a enchente. Para a universidade, a história do animal desperta um forte vínculo afetivo e funciona como uma mensagem de resistência e superação.

Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas

Bruna Linck/Ascom Ulbra

Relembre o resgate

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O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo — veterinários acompanharam toda a ação. Caramelo precisou ser sedado porque a equipe foi alertada que, para o bote não virar, o animal não poderia estar acordado durante o trajeto.

Seco, Caramelo, ainda dentro do bote, foi colocado em cima de uma carreta e, em seguida, levado ao hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdida nas horas em que ficou ilhado.

A mobilização da população e das forças de segurança comoveu o país e sintetizou a relação histórica do cavalo com o povo gaúcho. O cavalo crioulo é animal-símbolo do RS e considerado patrimônio cultural desde 2002. A relação com o animal é uma tradição que faz parte do DNA do povo gaúcho.

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Reportagem completa: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/10/18/um-mes-egua-filhote-cavalo-caramelo-simbolo-enchente-rs-cio.ghtml

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