Nicolas Armer/dpa/picture alliance via DW

O governo dos Estados Unidos está ampliando sua presença militar na América Latina sob a justificativa de reforçar o combate ao tráfico de drogas.

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Segundo reportagem do jornal The New York Times publicada na quarta-feira (14), o Pentágono enviará centenas de soldados para a região, em uma iniciativa que marca uma nova etapa da política do presidente Donald Trump para os países latino-americanos.

De acordo com o periódico, os primeiros integrantes de um batalhão de cerca de 600 militares da 10ª Divisão de Montanha do Exército americano –sediada em Fort Drum, Nova York– já começaram a ser deslocados para um novo centro de treinamento em selva no Panamá. Posteriormente, eles deverão participar de exercícios e treinamentos conjuntos com forças de segurança da Colômbia e de Honduras.

Qual será a missão das tropas?

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Oficialmente, o objetivo é fortalecer a cooperação militar com países da região no combate a organizações envolvidas no tráfico de drogas. Segundo autoridades ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato, parte dos militares poderá dar apoio a forças especiais americanas que já assessoram operações conduzidas por exércitos locais contra grupos acusados de narcotráfico.

A ampliação da presença militar também inclui a transferência de drones de vigilância MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador, além da criação de uma nova estrutura de comando para operações no Hemisfério Ocidental sediada em Miami, para onde centenas de soldados devem ser transferidos. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, criou ainda um escritório específico para supervisionar as atividades de combate aos cartéis.

Mudança de estratégia

Porta-aviões USS Gerald Ford, da Marinha dos Estados Unidos, em foto de janeiro de 2026.

A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da administração Trump para pressionar governos latino-americanos a intensificarem ofensivas militares contra organizações criminosas e aceitarem operações conjuntas com os Estados Unidos.

Segundo o general Francis L. Donovan, comandante militar responsável por grande parte da América Latina, os EUA pretendem ampliar suas ações para além das operações marítimas atualmente realizadas contra embarcações suspeitas de transportar drogas. O objetivo seria expandir as operações também para áreas terrestres.

A Casa Branca tem buscado construir uma coalizão regional contra os cartéis. De acordo com o jornal, 19 países participam da aliança liderada pelos EUA, denominada Escudo das Américas, embora apenas alguns tenham aceitado oficialmente a realização de operações conjuntas em seus territórios, entre eles Colômbia e Honduras.

Pete Hegseth havia afirmado, durante uma visita ao Panamá em agosto, que a Colômbia, a Guatemala e Honduras haviam concordado em permitir que os EUA realizassem operações militares conjuntas contra grupos criminosos em seus territórios, embora a Guatemala tenha negado a existência de tal acordo.

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Casa Branca/Daniel Torok

Temores na região

A perspectiva de uma presença militar americana mais robusta desperta preocupações em parte da América Latina. A região tem um longo histórico de intervenções dos EUA ao longo dos séculos 20 e 21, frequentemente vistas por governos e setores da sociedade como violações da soberania nacional.

Organizações de direitos humanos também manifestam preocupação com a possibilidade de aumento das vítimas civis. Especialistas citados pelo jornal afirmam que a eliminação de integrantes de grupos criminosos costuma ter impacto limitado sobre o fluxo de drogas, já que lideranças podem ser rapidamente substituídas.

Outra crítica recai sobre a eficácia da estratégia. O novo grupo de trabalho criado pelo Pentágono dá continuidade a uma campanha iniciada há cerca de um ano no Caribe e no Pacífico Oriental.

Segundo o governo americano, essa campanha resultou em 71 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico e a morte de 239 pessoas que – Washington afirma, sem apresentar evidências – estariam traficando drogas. Especialistas, porém, dizem que as operações tiveram pouco efeito sobre a disponibilidade de cocaína nos Estados Unidos.

Dúvidas sobre os objetivos

A reportagem do New York Times informa que integrantes do próprio governo americano questionam a falta de uma definição clara dos objetivos da operação.

Há receio de que eventuais ataques contra militares dos EUA levem a uma escalada do envolvimento americano na região, em um momento em que as Forças Armadas do país já enfrentam forte pressão devido a outros compromissos militares no exterior, como na guerra contra o Irã.

Por enquanto, o envio das tropas tem caráter temporário. No entanto, autoridades americanas ouvidas pelo jornal admitem que essas rotações podem se tornar um componente permanente da presença militar dos Estados Unidos na América Latina.