“Tendo agora acesso em nível tecnológico à própria formação do pensamento –à formação e ao impacto sobre o modo de pensar–, acontece que, mesmo se denominando países democráticos, certos governos ou empresas de tecnologia, que fazem parte desses regimes, podem, sob o disfarce de uma estrutura democrática, obter um resultado previamente desejado, apresentando-o como a vontade do povo, os pensamentos das pessoas e assim por diante” , declarou.

Segundo Zakharova, empresas de tecnologia podem “influenciar a maneira como as pessoas pensam” sob o pretexto de representar a vontade popular. A porta-voz considera que o uso dessas ferramentas pode ameaçar a diversidade de opiniões mesmo em países que se consideram democráticos.

“As tecnologias de ponta, incluindo a inteligência artificial, atuam como poderosos catalisadores dessas tendências, capazes de levar esse sistema a um extremo; um extremo que beira o mais puro absurdo” , afirmou Zakharova.

A porta-voz descreveu os riscos da dependência na IA diante de um cenário em que esses sistemas substituiriam os meios de comunicação como fonte de informação. Nesse caso, segundo ela, as respostas fornecidas pela interface limitariam o espaço a interpretações divergentes.

Zakharova também criticou a disseminação do que classificou como uma mistura de “dogmas, mistificações políticas e notícias falsas” . Segundo ela, a intolerância a opiniões divergentes e a grupos sociais distintos acompanha o risco ao pluralismo.

“O pluralismo é um elemento social crucial –uma construção social fundamental e uma das principais ferramentas que permitem à população, em tais países, formar um juízo sensato sobre o curso de ação adotado pelas autoridades e avaliá-lo; uma avaliação que as autoridades deveriam levar em consideração” , afirmou.

A profissional viajou a convite da Embaixada da Rússia no Brasil.