Terminou de forma dramática o que era para ser um dia memorável para a família de Wilma, torcedora do Fluminense que foi ao Maracanã com o marido e a filha para ver o duelo contra o Palmeiras, pela semifinal da Conmebol Libertadores.

Pouco antes do fim do primeiro tempo, ainda quando a partida estava 0 a 0, Wilma, 63, aposentada, foi atingida por uma bomba no setor sul do Maracanã, arremessada por outro torcedor do Fluminense que estava no local. Ao ge, Juliana, filha da torcedora, conta com detalhes o episódio assustador vivido pela família:

— Foi tudo muito rápido. Pouco antes dos 30 minutos, a bomba passou pelo braço do meu pai, fez o estrondo, e atingiu a perna da minha mãe. Além do susto, meu pai ficou desorientado, com tontura por causa do barulho. Minha mãe gritava: “Pegou na minha perna! Minha perna!”. Eu levantei a calça dela e vimos como estava machucado. Fiquei tentando segurar meu pai para ele não desmaiar e, ao mesmo tempo, acudindo minha mãe, que estava com dor.

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Wilma, torcedora do Fluminense, ao lado do marido e da filha

Juliana conta que teve ajuda de torcedores que estavam ao redor da família para abrir caminho até um socorrista, localizado na saída do setor. No ambulatório, os pais de Juliana foram atendidos, receberam cuidados médicos e, em seguida, retornaram para casa, antes mesmo do fim do jogo.

A filha da torcedora atingida pela bomba arremessada no setor sul do Maracanã diz que a mãe está lidando com ferimentos, dor e um grande hematoma na perna. Já o pai está lindando, principalmente, com o abalo emocional causado pelo acontecimento. Segundo ela, Jonias passou anos longe do Maracanã por medo da violência e tinha voltado a frequentar o estádio esse ano.

Hematoma causado por bomba na perna de torcedora do Fluminense

Ao ge, Wilma também deu sua versão do ocorrido, e se mostrou revoltada com a situação:

— Sempre vou ao Maracanã com a minha filha e jamais pensei em passar por uma situação dessa. Para entrar no estádio a gente passa por revista e reconhecimento facial, e mesmo assim alguém consegue burlar as regras. É assustador. Foi um barulho muito forte e, quando olhei para o chão, minha perna já estava ardendo muito. Fiquei imaginando se tivesse pegado numa criança. Agora é esperar o susto passar e cuidar da minha perna, que eu sei que vai ficar dias com hematomas.

Juliana estuda entrar com medidas contra a Conmebol e o Maracanã por ter permitido a entrada de torcedores com bombas no estádio. Ela revela o medo de estar no estádio novamente e reforça o desejo por uma resposta:

— Podia ter sido uma tragédia. O médico repetiu várias vezes para o meu pai que eles deram sorte de não ter pegado em outra parte do corpo: se fosse nos olhos, poderiam ter ficado cegos. E tinha muita criança no setor. Bombas não entram sozinhas num estádio com revista e biometria: alguém jogou, e alguém deixou entrar. E fica a pergunta para a própria torcida: como alguém joga bomba na própria torcida? Qual o sentido disso?

— Nada muda o que eu sinto pelo Fluminense. Mas é justamente por amar tanto esse clube que eu não aceito que isso passe em branco nem seja normalizado. Vamos cobrar da Conmebol, do Maracanã e da própria torcida, para que nenhuma outra família troque o Maracanã pelo ambulatório.

Cria de Xerém, Nonato se firmou como titular do Flu em 2026

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