A empresária goiana Nathália Secco, que começou a carreira como cantora e gravou o primeiro disco aos 14 anos, está entre as 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026, segundo a revista Forbes Brasil. Formada em Música pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ela enfrentou um problema vocal congênito que comprometeu sua atuação como cantora lírica. Anos depois, passou a se dedicar à inovação no agronegócio e criou duas empresas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias para o campo.

A lista foi divulgada na quinta-feira (15), em referência ao Dia Internacional da Mulher Rural, e reúne produtoras, pesquisadoras, empresárias e lideranças que se destacam no agronegócio brasileiro. Esta é a segunda edição da seleção, publicada pela primeira vez em 2021.

Atualmente, Nathália está à frente do Orchestra Innovation Center e da Orchestra Ventures, empresas sediadas em Rio Verde, no sudoeste de Goiás. As iniciativas aproximam startups de produtores rurais e investem no desenvolvimento de soluções tecnológicas para a agricultura.

Empresária goiana Nathália Secco está entre as 100 Mulheres Poderosas do Agro de 2026, segundo a Forbes Brasil.

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Da música ao agronegócio

Cantora lírica formada pela UFG, Nathália Secco precisou reaprender a cantar após uma cirurgia para tratar um problema vocal congênito.

A relação de Nathália com a música começou aos 5 anos. Ainda criança, ela já demonstrava interesse pela carreira artística e, aos 14, gravou e lançou seu primeiro disco pela Universal Music. Na mesma época, abriu sua primeira empresa para administrar a própria carreira.

Aos 16 anos, ingressou no curso de Canto Lírico da Universidade Federal de Goiás. O sonho de cantar ópera, porém, encontrou um obstáculo: um problema vocal congênito que comprometia sua capacidade de cantar.

Em uma publicação nas redes sociais, Nathália contou que precisou passar por uma cirurgia e reaprender a cantar durante a reabilitação. Segundo ela, foi necessário desenvolver uma nova técnica vocal e reconstruir o repertório, já que sua extensão vocal havia mudado.

Embora tenha conseguido superar o problema, a empresária contou que deixou de atuar com tanta frequência como cantora de ópera. Ao relembrar a própria trajetória, Nathália destacou que nem sempre os caminhos profissionais seguem o planejamento inicial.

"Existem períodos difíceis que nos tornam mais fortes. É muito bom olhar pra trás e ver que a nossa vida nos guia de forma, nem sempre, esperada", escreveu.

Antes de criar as próprias empresas, Nathália trabalhou durante quatro anos no negócio dos pais, ligado ao setor agropecuário. A experiência contribuiu para sua aproximação com projetos de inovação e tecnologia voltados à produção rural.

Empresas criadas em Rio Verde

Em 2019, Nathália fundou o Orchestra Innovation Center, em Rio Verde. A iniciativa foi apresentada como a primeira aceleradora de startups do agronegócio em Goiás voltada à inovação tecnológica.

O trabalho consiste em aproximar empresas de tecnologia, inclusive estrangeiras, de produtores rurais interessados em testar soluções diretamente nas fazendas. Entre as áreas de atuação estão a agricultura de precisão, a biotecnologia e o uso de ferramentas digitais para melhorar a produtividade.

Três anos depois, em 2022, a empresária criou a Orchestra Ventures, voltada ao investimento em startups do agronegócio. O negócio começou com um fundo de R$ 6 milhões, formado por recursos da própria Nathália, de quatro empresas e de três produtores rurais da região.

Segundo informações divulgadas sobre a atuação das empresas, as tecnologias apoiadas pelas iniciativas já alcançaram cerca de 200 mil hectares de plantações de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, principalmente no sudoeste goiano.

Entre os resultados apresentados pela empresária estão ganhos de produtividade e uma redução média de 40% nos custos de aplicação de herbicidas, por meio de tecnologias que permitem utilizar os produtos de acordo com a necessidade de cada área.

Além da formação musical, Nathália possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e formação em capital de risco pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos.

Prêmio internacional na Bélgica

Antes de entrar para a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, Nathália também recebeu reconhecimento internacional pela atuação no setor.

Em setembro de 2025, ela venceu uma premiação na categoria de tecnologia agrícola durante o Global Women in Agritech, evento realizado em Antoing, na Bélgica, que reúne mulheres envolvidas com inovação e sustentabilidade na agricultura.

A goiana foi a única brasileira entre as finalistas da categoria, na qual concorreu com outras 22 mulheres. Na ocasião, participou de discussões sobre o futuro da tecnologia agrícola e a importância de ampliar os investimentos em inovação.

"Fiquei muito feliz de poder representar o Brasil", afirmou em entrevista divulgada após a premiação.

Durante o evento, Nathália também defendeu que o avanço de práticas sustentáveis no campo precisa estar associado à viabilidade econômica para os produtores.

Reconhecimento da Forbes

A lista 100 Mulheres Poderosas do Agro, da Forbes Brasil, destaca mulheres que exercem influência em diferentes áreas do agronegócio, como produção rural, pesquisa científica, gestão empresarial, tecnologia e liderança institucional.

A seleção considera a atuação, o impacto e a influência das profissionais no setor. A primeira edição foi publicada em 2021, e a segunda chegou em outubro de 2026, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher Rural.

Nathália Secco começou a carreira musical ainda na infância e lançou o primeiro disco aos 14 anos.

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