Flamengo , Fluminense e São Paulo foram os times que exibiram mensagens de protesto contra a medida nos uniformes. O levantamento levou em consideração as últimas rodadas do Brasileirão e considerou os clubes que tinham casas de apostas como patrocinadoras. Equipes que já não tinham empresas do setor como patrocinadoras não foram consideradas nessa comparação, pois não tiveram que retirar marcas de bets das camisas.

A mudança se deu enquanto clubes e representantes do setor de apostas pressionam o Supremo Tribunal Federal para suspender a medida provisória que proibiu a publicidade, o marketing e o patrocínio relacionados às apostas de quota fixa no país. O ministro Luiz Fux, relator de ações sobre o tema, só deve analisar o caso depois do 2º turno das eleições , marcado para 25 de outubro.

A medida provisória ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para se tornar definitiva. O prazo para votação é de 120 dias.

Protestos contra a proibição

Flamengo e Fluminense exibiram a frase “Proibir não é proteger” nos uniformes durante o clássico disputado em 11 de outubro, no Maracanã.

A ação conjunta foi realizada na 30ª rodada do Campeonato Brasileiro e fez parte de uma campanha liderada pela ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e pelo IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) contra a medida provisória que proibiu a publicidade de casas de apostas.

A iniciativa partiu das patrocinadoras máster dos clubes, Betano e Superbet, segundo o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro. No jogo anterior, contra o Santos, em 8 de outubro, o Flamengo já havia estampado a mesma mensagem no espaço central da camisa. Naquela rodada, a frase também apareceu em placas publicitárias de 9 partidas do campeonato.

O protesto no Maracanã também teve participação de torcedores rubro-negros. No setor Norte do estádio, foram estendidas 3 faixas que, juntas, formavam a mensagem: “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra. Lula, Congresso e STF”.

Em nota, as entidades que lideram a campanha afirmaram que pretendem chamar a atenção para os impactos da proibição das casas de apostas regulamentadas e alertar para o avanço de plataformas clandestinas, que operam fora das regras de fiscalização e proteção aos apostadores.

O Fluminense também exibiu a marca Superscore , plataforma independente de estatísticas esportivas ligada ao grupo da Superbet.

As casas de apostas responderam por 34% das receitas de marketing dos 20 maiores clubes do futebol brasileiro em 2025, segundo levantamento da Sports Value .

Os times movimentaram R$ 3,2 bilhões em receitas de marketing no ano. Desse total, cerca de R$ 1,1 bilhão veio de patrocínios de empresas de apostas. Os percentuais são os informados pela consultoria. Leia a íntegra (PDF – 134 kB).

Marcas e acordos pontuais

O Corinthians passou a exibir a Shopee como patrocinadora máster depois de usar a marca Jota.ai em uma ação pontual. O acordo com a empresa de comércio eletrônico foi anunciado para as partidas restantes do Campeonato Brasileiro de 2026.

Assim como o Fluminense, o São Paulo também substituiu a marca Superbet pela Superscore. Os 2 clubes tinham a Superbet como patrocinadora máster.

Outras equipes aproveitaram o espaço para divulgar iniciativas próprias. O Botafogo passou a exibir o programa de sócio-torcedor Camisa 7, enquanto o Vasco promoveu o Sócio Gigante. O Athletico-PR divulgou seu programa de sócio-torcedor.

O Santos usou o uniforme para divulgar o Instituto Leão do Mar, em uma iniciativa institucional, e usará a Agibank para ocupar o espaço de patrocinador máster da camisa do time masculino profissional até o fim da temporada. Sete clubes seguem sem patrocinador máster nas camisas: Bahia , Chapecoense , Cruzeiro , Grêmio , Vitória , Palmeiras e Atlético-MG .

O Internacional está sem patrocinador máster fixo desde a rescisão com a casa de apostas Alfabet, em janeiro de 2026. O clube gaúcho estampou a Shopee nas últimas duas partidas do Brasileirão. O Remo estampa o Banpará, mas já estampou o logo da VaideBet. O Coritiba não teve patrocínio de uma casa de apostas em 2026, mas já manteve acordo com a Reals Bet.

O Red Bull Bragantino e o Mirassol não precisaram substituir casas de apostas no espaço principal, pois já exibiam outras marcas: Red Bull e Guaraná Poty, respectivamente.

A Advocacia-Geral da União defende a manutenção da proibição e pediu que o STF ouça a Procuradoria-Geral da República e avalie a realização de uma audiência pública antes de decidir sobre o caso. As organizações contrárias à medida, por sua vez, questionam sua constitucionalidade.

A decisão do STF e a análise da medida pelo Congresso poderão alterar o cenário para os clubes e para o mercado de patrocínios esportivos.

AÇÕES CONTRA A MP DAS BETS

Eis quem já acionou o Supremo contra a MP 1.394:

setor de bets – a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) e o IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) foram ao Supremo em 28 de setembro. Pedem que a MP seja suspensa até que o Congresso ou o plenário do Supremo analisem o texto do governo. Leia a íntegra (PDF – 798 kB);

emissoras de rádio e TV – a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão entrou no STF em 30 de setembro contra a MP. Afirmou que empresas de comunicação foram impedidas de dar “execução a ajustes regularmente firmados” e falou em “perdas de receita” . Leia a íntegra (PDF – 521 kB);

Flamengo – o clube de maior torcida do Brasil entrou em 30 de setembro como amicus curiae –parte interessada que pode apresentar argumentos e informações– em 3 ações que tratam da regulamentação das bets no país. Leia a íntegra da decisão de Fux que autorizou a entrada do clube nos processos (PDF – 124 kB);

São Paulo Futebol Clube – o clube paulista, a Ponte Preta (SP), o Guarani (SP), a Portuguesa (SP) e o Vitória (BA) ingressaram no Supremo em 1º de outubro . Pediram um prazo de até 1 ano para que as equipes se adaptassem às regras baixadas por Lula. Afirmam que há o risco de o Campeonato Brasileiro ser paralisado e que é dever do Estado proteger o futebol por ser um “patrimônio cultural brasileiro” . Leia a íntegra (PDF – 657 kB);

Botafogo – pediu em 1º de outubro para ser integrado como amicus curiae no processo. Disse que a MP atinge o futebol e “aquilo que ele sustenta: o futebol feminino, as modalidades olímpicas e paralímpicas e as categorias de base” . Leia a íntegra (PDF – 6 MB);

Cruzeiro, Fluminense e mais 14 clubes – pediram, em 2 de outubro, para serem ouvidos na ação e que o ministro atenda ao pedido de ANJL e IBJR pela suspensão da MP até que o Congresso analise o caso. Leia a íntegra (PDF – 476 kB).