# Motores 1.5 dos carros chineses são todos iguais? Entenda porque eles viraram um padrão

- Seção: Automóveis
- Fonte: Quatro Rodas (https://quatrorodas.abril.com.br/auto-servico/motores-1-5-dos-carros-chineses-sao-todos-iguais-entenda-porque-eles-viraram-um-padrao/)
- Publicado em: 2026-10-18T12:37:51.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1237634-motores-1-5-dos-carros-chineses-sao-todos-iguais-entenda-porque-eles-viraram-um

> A invasão das fabricantes asiáticas no mercado global consolidou uma curiosa unanimidade debaixo do capô. Seja a bordo do GWM Haval H6 , do BYD Song Plus ou dos modernos SUVs da Caoa Chery , o motor de quatro cilindros 1.5 tornou-se…

A herança japonesa moldou a base dos motores chineses?

Sim, a indústria automotiva da China iniciou sua expansão técnica copiando e adaptando conjuntos mecânicos consagrados da Toyota e Mitsubishi . Motores de 1.500 cm³ produzidos no Japão entre as décadas de 1970 e 1980 serviram como pilar estrutural para quase todos os projetos asiáticos atuais.

Os Toyota Corolla e Mitsubishi Lancer de 1978 tinham os motores que pavimentaram a indústria automotiva chinesa Reprodução/IA/Quatro Rodas

O movimento comercial tomou corpo real no início dos anos 2000, quando a Toyota e a chinesa FAW uniram forças. Elas iniciaram a produção de pequenos quatro cilindros baseados na famosa arquitetura 8A, que bateu ponto nos cofres da segunda geração do Toyota Corolla de 1978 décadas antes.

Foi nesse instante, por volta de 2003, que empresas menores (ao menos àquela época) como a Geely pagaram para incorporar esses motores japoneses em seus carros. No outro front, a Mitsubishi cedeu os direitos de fabricação da durável linha Orion, usado nos Lancer dos anos 1970 — notadamente os 4G15 e 4G18 — para alicerçar seus primeiros esboços antes da era da eletrificação pesada. Nasceriam a partir dele diversos motores por toda a China.

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Motor Toyota 8A Reprodução/Toyota

Curiosamente, vestígios práticos desse passado continuam à venda nas concessionárias brasileiras. A velha raiz mecânica da Mitsubishi reside estruturalmente tanto no modelo 1.5 EcoBoost embarcado no Ford Territory chinês, quanto na unidade a combustão que pulsa dentro do elogiado GWM Haval H6.

Motor Mitsubishi Orion Reprodução/Mitsubishi

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Hoje, no entanto, esse velho motor japonês está refinada ao extremo. Após as marcas chinesas implementarem sistemas de injeção direta, turbocompressores de geometria variável e controles digitais de alta complexidade, a China encontrou na padronização a grande mágica da amortização de custos.

Motor 1.5 turbo da GWM é derivado do motor Orion da Mitsubishi Divulgação/GWM

Por que os motores estacionaram em exatos 1,5L?

O sistema fiscal da China e de países asiáticos vizinhos aplica impostos para qualquer veículo com deslocamento acima de 1.500 cm³. Modelos de exportação pagam apenas 5% de tarifa alfandegária dentro desse limite volumétrico, mas a penalidade salta para 30% com qualquer acréscimo para um 1.8, 2.0 ou 2.5.

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BYD Yangwang U8 é uma das exceções: usa um 2.0 turbo só para gerar energia para seus quatro motores elétricos Divulgação/BYD

Esse imposto levou as montadoras a cortarem o dinheiro investido na produção de blocos maiores. Foi melhor investir o caixa da engenharia para extrair as últimas gotas de fôlego dos motores 1.5, garantindo que o maquinário rendesse o suficiente para quase qualquer tipo de automóvel.

É aqui que entra o choque de realidade. Para a montadora, padronizar esse tamanho barateia e simplifica a linha de produção. Porém, para o consumidor, a conta bate direto na bomba de combustível: um motor tão enxuto pena para embalar SUVs de duas toneladas, forçando giros altos e um pé pesado no acelerador.

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Para contornar o problema, a motorização híbrida virou uma &#8220;muleta&#8221; necessária. Ao usar pesados motores elétricos para assumir as arrancadas e saídas de farol, o carro disfarça a fraqueza do motor térmico, não esvazia o tanque e ainda livra as fabricantes das multas e sobretaxas da alfândega.

Como o reaproveitamento de componentes abaixa os custos de fabricação?

A estratégia se baseia na produção em massa e na agressiva economia de escala. Usinar a mesma família de blocos garante um volume industrial constante. Espalhando esse maquinário por catálogos de diferentes submarcas, a montadora dilui o bilionário custo de desenvolvimento inicial e derruba os preços finais.

Motor 1.5 turbo está em todos os carros da Chery à venda no Brasil Fernando Pires/Quatro Rodas

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Essa cartilha empresarial puramente pragmática norteia a Chery há mais de vinte anos. A gigante asiática subcontratou o tradicional laboratório europeu AVL em meados de 2003, estruturando uma colaboração direta para lançar a divisão Acteco e criar motores proprietários modernos.

Desdobrando variações sem turbo e incrementando calibrações potentes para atuar perfeitamente num conjunto mecânico híbrido, o cardápio da Chery impressiona. Hoje, a marca tem a disposição mais de vinte variações técnicas feitas sobre a mesma base embrionária da Mitsubishi lançada há quase 50 anos.

O que compensa a falta de fôlego em arrancadas de SUVs pesados?

Para mover utilitários familiares pesados, as montadoras incorporam turbocompressores de geometria variável e injeção direta de combustível que opera em até 350 bar. Sob ciclos térmicos Atkinson ou Miller, esse casamento mecânico assegura picos contínuos e rendimentos superiores aos antigos propulsores de 2.000 cm³.

Anunciado como o motor com melhor eficiência térmica do mundo (44,5%), este 1.5 está nos híbridos plug-in da Omoda & Jaecoo e há planos para convertê-lo em flex no futuro Divulgação/Quatro Rodas

Com um arranjo capaz de garantir que mais de 40% de todo o combustível queimado se converta efetivamente em potência nas rodas, Dongfeng e GWM entregam bom desempenho. Enquanto isso, marcas da Europa optaram por arrancar o quarto cilindro e usar motores de três cilindros para cortar gastos e o consumo.

Motor 1.5 de três cilindros da Ford divulgação/Ford

Atualmente controlando a Volvo e atuando na joint-venture Horse, a chinesa Geely transita pelos dois lados da engenharia mecânica. A marca usa os modernos três cilindros europeus de 1.500 cm³, mas se apoia fortemente na velha cartilha de quatro cilindros 1.5 no mercado de origem.

O verdadeiro desafio prático mora nas leis brasileiras. O nosso imposto equivalente não liga para essa faixa de 1.500 cm³, isentando apenas os motores até 999 cm³ (os famosos 1.0). Para garantir descontos, os SUVs chineses se agarram fortemente nos incentivos atrelados à eletrificação. Resta saber a partir de 2027 como esse jogo de xadrez responderá quando o IPI começar a medir os veículos unicamente pela potência e não mais pelo volume nos cilindros.

Reportagem completa: https://quatrorodas.abril.com.br/auto-servico/motores-1-5-dos-carros-chineses-sao-todos-iguais-entenda-porque-eles-viraram-um-padrao/

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