O resultado foi registrado em um experimento da Lion, empresa japonesa de produtos de higiene e limpeza. A mudança não envolveu uma secadora especial nem um tecido diferente. O que mudou foi a maneira de distribuir as peças no varal, permitindo que o ar passasse com mais facilidade entre elas.

A descoberta chama a atenção principalmente em dias de chuva, quando estender roupas dentro de casa pode significar horas de espera, toalhas ainda úmidas no fim do dia e aquele cheiro desagradável que aparece quando os tecidos demoram a secar.

Em dias de chuva, roupas muito próximas umas das outras podem levar mais tempo para secar, especialmente em ambientes pouco ventilados. – Foto: Tribuna de Jundiaí

Teste japonês encontrou diferença de 80 minutos na secagem das toalhas

Para avaliar a influência da posição das roupas, a Lion realizou um teste com toalhas de banho e toalhas menores, lavadas em uma máquina convencional e colocadas para secar em ambiente controlado.

Em uma das configurações, as toalhas de banho ficavam dispostas ao redor das peças menores, formando uma espécie de barreira de tecido. Na outra, as toalhas maiores eram presas nas laterais do varal, em formato de sanfona, enquanto as menores ocupavam a parte central.

A segunda organização apresentou o melhor resultado: as toalhas de banho secaram aproximadamente 80 minutos antes.

O experimento foi realizado a uma temperatura de 20 °C e umidade relativa do ar de 65%. Isso significa que o resultado não deve ser interpretado como uma garantia de economia de 80 minutos em qualquer residência.

Ainda assim, a comparação mostrou que a posição das peças pode influenciar o tempo necessário para a água evaporar, mesmo quando as condições de temperatura e umidade permanecem iguais.

Uma toalha e vários pregadores: como formar a sanfona no varal

A técnica é chamada de jabara-boshi , expressão japonesa que pode ser traduzida como secagem em sanfona.

Em vez de deixar uma toalha completamente esticada ao redor do varal, a ideia é distribuí-la em curvas alternadas, formando um zigue-zague. Para isso, utiliza-se preferencialmente um varal retangular com vários pregadores, daqueles que costumam ser usados para pendurar peças menores.

O objetivo não é amontoar o tecido ou dobrá-lo em várias camadas encostadas. Pelo contrário: as curvas precisam ficar abertas, criando espaços entre uma parte da toalha e outra .

Para reproduzir o método em casa, o processo é simples:

Após a lavagem e centrifugação, abra e sacuda a toalha para desfazer as partes que ficaram enroladas.

Utilize os pregadores das laterais de um varal retangular para prender a toalha em pontos sucessivos, formando um zigue-zague.

Ajuste as curvas para que as partes do tecido fiquem separadas, sem encostar umas nas outras.

Se houver outras roupas, distribua as peças menores na região central, mantendo espaço suficiente para a passagem do ar.

O método também é recomendado pela fabricante japonesa Kao, que destaca a redução das áreas de contato entre os tecidos como uma forma de facilitar a secagem de toalhas grandes.

Por que a roupa seca mais rápido quando o ar passa entre os tecidos?

Para entender a diferença, é preciso observar o que acontece com a água presente nas fibras depois da lavagem.

Durante a secagem, essa água passa gradualmente para o ambiente na forma de vapor. Quando o ar próximo ao tecido fica muito úmido e praticamente parado, o processo de evaporação tende a perder velocidade.

É por isso que uma roupa dobrada sobre si mesma ou encostada em outras peças costuma apresentar partes úmidas por mais tempo.

Na disposição em sanfona, os espaços abertos entre as curvas ajudam a renovar o ar em contato com o tecido. Com menos áreas sobrepostas, a umidade consegue se dissipar com maior facilidade.

Entretanto, o formato do varal não resolve tudo sozinho. Se o cômodo estiver muito úmido e sem ventilação, a secagem continuará lenta. A temperatura, a espessura da roupa e a quantidade de água que permaneceu nas fibras depois da centrifugação também interferem no resultado.

Outro teste no Japão mostrou vantagem de 30 minutos com roupas em formato de arco

A sanfona não é a única maneira de organizar um varal para favorecer a secagem.

A Lion também estudou uma técnica conhecida como secagem em arco, indicada para varais com pregadores que acomodam diferentes tipos de roupas.

Nesse método, as peças mais compridas são colocadas nas extremidades, enquanto as menores ficam no centro. Visto de frente, o conjunto forma um arco invertido, com uma abertura maior na parte inferior.

A fabricante encontrou uma redução de aproximadamente 30 minutos no tempo de secagem em comparação com outra disposição tradicional testada. O resultado foi apresentado em um estudo divulgado durante um encontro da Sociedade Japonesa de Ciência do Consumo de Produtos Têxteis, em 2013.

A explicação está relacionada ao movimento do ar ao redor das roupas. Com a abertura inferior, a disposição favorece a circulação e a evaporação da umidade.

Esse teste reforça uma característica comum aos dois métodos: a posição das peças importa, e deixar espaço livre pode ser tão relevante quanto escolher o local onde o varal ficará.

Outra técnica japonesa posiciona roupas compridas nas extremidades e peças menores no centro, criando um arco que favorece a circulação de ar. – Foto: Tribuna de Jundiaí

Toalhas, lençóis e calças precisam de maneiras diferentes de secar

Embora a sanfona funcione bem para toalhas grandes, não significa que todas as roupas devam ser penduradas da mesma maneira.

A Kao apresenta diferentes recomendações conforme o tamanho e o formato das peças.

Para lençóis e cobertores, por exemplo, uma alternativa é a secagem em M. O tecido fica apoiado sobre duas barras paralelas, formando uma abertura central que aumenta a área em contato com o ar.

Já calças e saias grossas podem ser penduradas com a cintura aberta em formato de tubo, criando espaço no interior da peça. Camisas e outras roupas com várias partes sobrepostas também se beneficiam de uma disposição que permita maior exposição das regiões mais difíceis de secar.

O princípio é semelhante, mas a execução muda de acordo com a roupa. Uma toalha aberta em curvas pode funcionar melhor em um varal com pregadores, enquanto uma peça grande, como um lençol, costuma exigir uma estrutura diferente.

O erro que pode deixar a roupa úmida mesmo usando a técnica japonesa

Um dos maiores obstáculos à secagem dentro de casa é a falta de circulação de ar.

Quando o varal fica lotado, as roupas encostam umas nas outras e dificultam a saída da umidade. Mesmo uma toalha organizada em sanfona pode demorar para secar se todas as suas curvas estiverem comprimidas.

O mesmo acontece quando as peças ficam em um ambiente fechado, sem renovação de ar, especialmente durante períodos prolongados de chuva.

Nessas situações, utilizar um ventilador para movimentar o ar ao redor do varal pode ajudar. Sempre que possível, também é importante manter o ambiente ventilado e evitar o acúmulo de umidade.

Outra medida simples é retirar as roupas da máquina logo após a lavagem, evitando que permaneçam amontoadas e molhadas no tambor.

No fim, a comparação japonesa revela algo que passa despercebido em muitas casas. Duas toalhas podem ocupar praticamente o mesmo espaço, mas apresentar resultados diferentes dependendo da maneira como foram penduradas.

E, em dias de chuva, transformar uma toalha esticada em uma sequência de curvas abertas pode ser uma mudança pequena o suficiente para caber na rotina, mas capaz de fazer diferença na hora de recolher as roupas do varal.

*Imagem ilustrativa criada pelo Tribuna de Jundiaí com auxílio de inteligência artificial e direção criativa da equipe. Reprodução total ou parcial proibida sem autorização.