Uma das questões da 1ª fase do Vestibular 2027 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizada neste domingo (18), destacou a importância da democracia para lidar com a polarização política. A pergunta repercutiu nas redes sociais por supostamente abordar um tema polêmico.
A prova trouxe um trecho do texto "Quem decide o que é democrático?", de autoria do professor emérito de política da Universidade de Nova York Adam Przeworski e publicado no periódico acadêmico Journal of Democracy. A publicação é editada por uma divisão da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos.
"O que estamos defendendo quando defendemos a 'democracia'? A democracia é um terreno no qual pessoas mais ou menos iguais e mais ou menos livres lutam pela realização de ideais, valores e interesses conflitantes. O único milagre da democracia é que esses conflitos podem ser administrados sem repressão e em paz", afirma Przeworski.
"Quando, diante da crescente polarização, as pessoas discordam sobre quais valores a democracia deve se esforçar para alcançar, a democracia só pode ser defendida como o melhor método para administrar essas divergências", completou.
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Com base no texto, a universidade perguntou aos candidatos o que é correto afirmar sobre o papel da democracia em contextos de polarização política.
"A questão 40 de sociologia trata da defesa da democracia não como uma forma perfeita, mas como a melhor forma de tratar as diferenças de modo pacífico, por meio do debate", comentou Silvio Swaya, professor de Filosofia e Sociologia do Colégio Oficina do Estudante.
A resposta correta, segundo o gabarito extraoficial do Colégio Oficina do Estudante, é a D. "Apresenta-se como método eficaz para a gestão pacífica de conflitos entre diferentes ideias, valores e interesses existentes na sociedade", diz a alternativa.
Também segundo o cursinho, as outras alternativas desconsideram a democracia como solução de conflitos.
"Em momentos de polarização política o debate deixa de existir, se tornando disputa, não temos como objetivo expandir nossas opiniões, mas ganhar do inimigo. O autor defende que nesse momento o ideal a se fazer é defender a forma democrática, o seu método de debate e racionalidade, para irmos além da polarização", explicou Swaya.
De acordo com o diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), José Alves de Freitas Neto, não houve qualquer tendência ao trazer esses debates e ressaltou que a prova foi formulada no primeiro semestre de 2026.
"A escola dialoga com os temas do tempo presente. Portanto, o vestibular também tem de trazer. (...) Da mesma maneira que caiu bastante coisa clássica a respeito de física, mesmo nas áreas de linguagem, está tudo dentro do esperado de uma prova de vestibular da Unicamp", pontuou.
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Pergunta da 1ª fase do vestibular da Unicamp aborda negacionismo
Além da polarização, o vestibular da Unicamp trouxe outros temas considerados polêmicos ou com relação política.
Uma delas, por exemplo, abordou a existência do negacionismo “nas franjas das relações com as ciências estabelecidas”. Segundo o Oficina do Estudante, a resposta correta é a C e a ideia foi apontar que uma estratégia do negacionismo é utilizar argumentos que parecem científicos para criar dissensos e falsas controvérsias para provocar inseguranças e incertezas na sociedade.
"Essa é uma discussão que vem acontecendo há muitos anos e a universidade, se não ela, se não ninguém mais do que ela, tem o dever de combater o negacionismo", comentou José Alves.
Outra questão debateu a política indigenista durante o período da Ditadura Militar no Brasil, na qual era pautada o binômio “segurança nacional e desenvolvimento”, tratando os povos originários como um obstáculo à ocupação e exploração econômica da Amazônia e de outras fronteiras internas.
"Portanto, pela doutrina de segurança nacional o indígena deixa de ser visto como um sujeito de direitos e passa a ser encarado como ameaça à soberania do Estado e “empecilho” ao progresso nacional", explicou o cursinho, que apontou a resposta B como correta.
Há questões sobre inteligência artificial e a disputa entre China e Estados Unidos. Por fim, foi abordada uma notícia falsa sobre a vacina contra a Covid-19 que causaria AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida).
José Alves destacou que essa variedade de assuntos tem como objetivo aproximar o vestibular e o aluno. "Prova de que nossa preocupação é aproximar os assuntos do momento com os conteúdos ensinados no ensino médio", disse.
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