♬ Um dos cantores e compositores mais populares dos anos 1970, Benito Di Paula morreu na noite deste domingo, 18 de outubro, aos 84 anos. O artista faleceu no Hospital 9 de julho, em São Paulo (SP), em decorrência de complicações de um câncer.

Cantor, compositor e músico fluminense, Benito Di Paula nasceu Uday Velloso (28 de novembro de 1941 – 18 de outubro de 2026) na cidade de Nova Friburgo (RJ) e foi criado no Rio de Janeiro (RJ). Mas o Brasil já o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente.

Benito Di Paula jamais se considerou um sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também obtiveram grande sucesso na década de 1970 no segmento do samba. Benito sempre se rotulou publicamente como sambeiro e como pianeiro.

Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula fazia a própria batucada com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria propagado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra com arranjos cheios de teclados. E o fato é que o sambeiro pianeiro delineou assinatura singular na música do Brasil.

Diplomado na escola noturna das boates, território onde constatou que o manuseio das teclas do piano surtia efeito de batucada, Benito Di Paula marcou época nos palcos dos auditórios dos programas de TV com o informal visual de gala composto por anéis, casacas, colares, gravatas borboletas, pulseiras e, claro, os cabelos longos e outrora cacheados. Quem viveu no Brasil ao longo dos anos 1970 lembra da figura de Benito.

O cantor debutou no mercado fonográfico em 1967 e lançou em 1971 o primeiro álbum, Benito Di Paula (1971), ao qual se sucedeu o segundo, Ela (1972), apresentado um ano depois com o primeiro sucesso do artista, Violão não se empresta a ninguém (1972).

Contudo, o reinado de Benito Di Paula começou de fato em 1973 com dolente samba-canção, Retalhos de cetim, apresentado em single blockbuster naquele ano de 1973. Retalhos de cetim foi o ponto de partida para o sucesso de obra que – calcada no mix do piano tocado pelo artista com instrumentos de percussão – rendeu sucessivos hits até 1984, mas sobretudo de 1973 a 1977.

Nesse período, foi impossível ignorar Charlie Brown (1974), Beleza que é você mulher (1974), Bandeira do samba (1975), Como dizia o mestre (1975), Vai ficar na saudade (1975), Tudo está no seu lugar (1976), Do jeito que a vida quer (1976, samba dos versos confessionais “...É que meu samba me ajuda na vida / Minha dor vai passando esquecida”), Assobiar e chupar cana (1977) e Proteção às borboletas (1977).

Apresentadas ao longo de quatro anos, no já mencionado período de 1973 a 1977, auge da carreira de Benito, essas músicas atestaram o talento do compositor para fazer samba descolado da matriz do gênero, ainda que a assumida maior influência do sambeiro tenha sido a obra do bamba Ataulfo Alves (1909 – 1969).

Lançados em discos editados pelo cantor na gravadora Copacabana, na qual Benito permaneceu até 1980 e para a qual voltou brevemente em 1987 e em 1992, esses sucessos da década de 1970 são suficientes para garantir a imortalidade de Benito Di Paula na galeria dos criadores da música do Brasil.