Flávio chegou ao confronto após terminar o primeiro turno com vantagem de 1,87 ponto percentual sobre Lula. O encontro colocou frente a frente o petista, que participa de debates presidenciais desde 1989, e o senador, cuja experiência anterior nesse formato se limitava à disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016.
Embora os candidatos tenham apresentado medidas para enfrentar o endividamento e a criminalidade, boa parte dos confrontos diretos foi consumida por acusações pessoais. Houve interrupções, pedidos de direito de resposta negados e intervenções da mediadora.
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Flávio promete congelar dívidas; Lula defende crescimento
Na economia, Flávio apresentou uma proposta para o governo comprar dívidas de famílias e empresas junto aos bancos, com desconto, e conceder carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas.
“No meu governo, a gente vai comprar a sua dívida dos bancos. E o que vai acontecer com isso? Vai ser já por um valor muito menor”, afirmou.
O senador disse que parcelas de R$ 100 a R$ 200 poderiam cair para R$ 20 ou R$ 30. Também prometeu criar um Ministério da Prosperidade, ampliar o crédito para pequenos negócios e transformar a Caixa Econômica Federal em uma instituição voltada ao empreendedorismo nas periferias.
“A Caixa, que vai ser o banco da prosperidade, vai ser o Itaú das favelas, ou o Bradesco das periferias”, declarou.
Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo, a ampliação do crédito e os investimentos em indústria e tecnologia. O presidente também mencionou medidas de renegociação de dívidas e afirmou que a economia brasileira precisa crescer entre 4% e 5% ao ano para reduzir o peso do endividamento público.
“A melhor forma de você resolver o problema da dívida desse país é a economia voltar a crescer”, afirmou Lula.
O custo de vida foi outro ponto de divergência. Flávio responsabilizou o governo pelo endividamento das famílias, enquanto Lula comparou os índices de inflação dos alimentos de sua gestão com os registrados durante o governo Bolsonaro.
Segurança pública expõe divergências
Flávio prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas, construir 500 mil vagas no sistema penitenciário e ampliar o uso de inteligência artificial no monitoramento de criminosos.
“Eu vou recuperar cada metro, eu vou recuperar cada rua, eu vou recuperar cada bairro, eu vou recuperar cada cidade, eu vou recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro”, declarou.
O candidato também defendeu a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de crimes graves e a castração química de estupradores.
Lula apostou na aprovação da PEC da Segurança Pública e na criação de um ministério específico para a área, com maior integração entre União, estados e municípios.
“Para o trabalhador e para a comunidade, proteção; para o bandido, prisão”, afirmou o presidente.
Os dois também divergiram sobre as saídas temporárias de presos. Flávio defendeu restrições ao benefício, enquanto Lula argumentou que detentos com bom comportamento devem ter acesso aos mecanismos de ressocialização previstos em lei.
“Não é porque um cidadão saiu e cometeu um erro que você vai punir milhares de pessoas que conquistaram o direito de sair diante da Justiça brasileira”, argumentou Lula.
SUS e relação com os EUA
Na saúde, Flávio prometeu levar o “padrão Einstein” ao SUS e anunciou ter convidado Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde.
“O SUS vai ser padrão Einstein, porque você merece”, disse o senador, ao defender a integração de prontuários eletrônicos, telemedicina e inteligência artificial.
Lula questionou se o plano representaria uma tentativa de privatização do SUS e criticou a condução da pandemia durante o governo Jair Bolsonaro.
“Será que ele quer privatizar o SUS? É isso que eu entendi?”, questionou o petista.
Na política externa, o presidente cobrou explicações sobre a relação da família Bolsonaro com Donald Trump e questionou se Flávio permitiria maior controle americano sobre minerais críticos brasileiros.
“Vocês têm pretensão de entregar isso para os Estados Unidos?”, perguntou Lula.
O senador negou ter trabalhado a favor das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e defendeu a cooperação internacional para combater o narcotráfico.
“Ninguém trabalhou para tarifar empresa brasileira. Eu fui até lá nos Estados Unidos para defender as empresas e os produtos brasileiros”, respondeu Flávio.
O encontro terminou com Lula defendendo a continuidade das políticas sociais e a preservação das empresas estatais. Flávio voltou a prometer redução dos gastos públicos, combate ao crime organizado e medidas para elevar o poder de compra das famílias.
Ataques envolvem Master e Lulinha
Os ataques pessoais dominaram boa parte do debate. Lula cobrou explicações de Flávio Bolsonaro sobre supostos R$ 134 milhões relacionados ao filme sobre Jair Bolsonaro, questionou a compra de um imóvel de R$ 10 milhões e desafiou o adversário a abrir seus sigilos bancário e telefônico.
Flávio, por sua vez, levantou suspeitas sobre uma reunião de Lula com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e acusou o presidente de proteger o filho, Lulinha, nas investigações sobre fraudes no INSS. Os dois também trocaram acusações de mentira e corrupção.
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