“Eu rodei esse Brasil inteiro, eu ouvi você, trabalhador, eu ouvi de você que queria ter esse direito a mais um dia de folga, por isso eu votei a favor” , disse Flávio.
O candidato do PL afirmou que está disposto a rever posições quando considera que uma mudança pode beneficiar a população: “Eu sou uma pessoa que sei ouvir, eu sei escutar, eu sou uma pessoa que, se for convencida, posso melhorar a minha opinião, se isso for melhor também para os cidadãos brasileiros” .
A explicação foi apresentada depois de Lula questionar o adversário, durante o 1º bloco, sobre a possibilidade de rever o fim da escala 6 X 1 caso fosse eleito presidente.
“O mundo pode acreditar na sua palavra que você não vai fazer nenhuma proposta para acabar com o fim da escala 6 X 1?”, perguntou o petista.
Flávio negou que pretenda retirar o direito dos trabalhadores e disse que Lula divulga informações falsas sobre suas propostas. “Ele só faz fake news o tempo inteiro. Você trabalhando está garantido comigo, só que eu vou fazer muito melhor para você” , respondeu.
No 2º bloco, o senador voltou ao assunto espontaneamente, ao responder a uma discussão sobre saídas temporárias de presos. Disse que seu apoio à mudança na jornada de trabalho resultou das conversas que manteve com eleitores. “Eu compreendo. Eu sou uma pessoa que sei ouvir” , declarou.
Flávio também afirmou que pretende associar a redução da jornada a melhorias na segurança pública e no poder de compra dos trabalhadores.
“Eu não quero que o seu dia de folga seja um dia de pesadelo” , disse, ao mencionar o medo de assaltos no transporte público e nas ruas.
O senador afirmou também que pretende criar condições para que os brasileiros possam aproveitar o descanso semanal, comprar alimentos e pagar dívidas.
“ Muito além da folga, eu quero te dar segurança, eu quero te dar acolhimento, eu quero te ajudar a sair desse sufoco” , declarou.
6 x 1
O Senado aprovou na 4ª feira (14.out) a PEC. Na 6ª feira (16.out), a medida foi promulgada em sessão solene no Senado, com a presença de Lula. A proposta acaba com a escala 6 X 1 e estabelece a adoção do modelo 5 X 2. Foi aprovada em 2 turnos, com 75 votos favoráveis e 1 contrário em cada votação. Saiba aqui como votou cada senador.
O texto, relatado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), mantém a versão aprovada pela Câmara em maio . A implementação será gradual: 60 dias depois da publicação da emenda, a jornada máxima semanal cairá de 44 para 42 horas, com 2 dias de descanso semanal remunerado. O limite de 40 horas passará a valer 14 meses depois da publicação.
A proposta ficou cerca de 3 meses parada na Câmara após o distanciamento entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e Lula. A relação entre os 2 foi tensionada depois de a Casa Alta rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal.
Lula e Alcolumbre se reaproximaram em agosto, com jantar mediado pelos ministros do Supremo Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. No início de outubro, o petista negociou com Alcolumbre para a votação ocorrer antes do 2º turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
O fim da 6 X 1 é uma das principais bandeiras pela reeleição do presidente.
Eis as principais mudanças estabelecidas no texto:
jornada máxima de 40 horas semanais – reduz o limite constitucional atual de 44 horas, mantendo o teto de 8 horas diárias;
2 dias de descanso remunerado – estabelece 2 dias de repouso semanal, com 1 dia preferencialmente aos domingos;
sem redução salarial – proíbe cortes nos salários e preserva os pisos salariais;
transição em 2 etapas – reduz a jornada para 42 horas semanais 60 dias depois da publicação da emenda e para 40 horas depois de 14 meses da publicação;
negociação coletiva – permite a compensação de horários e regimes específicos de descanso por acordos ou convenções coletivas, respeitados os limites indicados no texto;
micro e pequenas empresas – autoriza a criação, por lei complementar, de medidas transitórias para reduzir os impactos da mudança, condicionadas à manutenção dos níveis de emprego.
Flávio não participou da cerimônia de promulgação. No mesmo dia, durante entrevista à TV Globo , afirmou que não pretendia rever o fim da escala 6 X 1 caso fosse eleito presidente. Antes disso, o senador havia criticado a proposta e defendido maior flexibilidade nas relações de trabalho.
O QUE DIZEM AS PESQUISAS
As pesquisas nacionais mais recentes para o 2º turno mostram Flávio numericamente à frente de Lula em 11 dos 13 levantamentos compilados pelo Poder360 . O petista está nessa situação em 1 estudo. Na pesquisa mais recente do PoderData/Aya , os candidatos estão empatados, com 50% dos votos válidos cada um.
A comparação considera os votos válidos e inclui pesquisas com entrevistas realizadas de 3 a 17 de outubro. Os candidatos disputarão o 2º turno em 25 de outubro.

