Embora os dois defendam a participação do governo na renegociação das dívidas, as estratégias têm diferenças. Lula aposta na ampliação do Desenrola, com descontos sobre débitos antigos e medidas específicas para microempreendedores. Flávio propõe que o governo compre dívidas dos bancos e conceda períodos de carência antes da retomada dos pagamentos.
As propostas também fazem parte de uma disputa sobre as causas do endividamento. Flávio responsabiliza a política fiscal do governo Lula pelos juros elevados e promete reduzir gastos públicos. O petista defende o crescimento econômico e a valorização da renda como caminhos para melhorar a situação financeira das famílias.
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O que Lula propõe?
A principal aposta de Lula é ampliar o Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas que ganhou novas versões ao longo de seu atual mandato.
A modalidade lançada em maio permite que pessoas com renda de até cinco salários mínimos, equivalentes a R$ 8.105, renegociem dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Os descontos variam de 30% a 90%, com juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses.
Na reta final da campanha, Lula passou a defender uma nova etapa voltada a dívidas mais antigas. Em sabatina à TV Globo , na sexta-feira (16), afirmou que uma medida provisória em tramitação na Câmara prevê um leilão para a compra, pela União, de débitos superiores a dois anos e de até R$ 4 mil.
Segundo o presidente, a expectativa é conseguir descontos entre 90% e 95% sobre esses valores. A medida ainda depende de avanços legislativos e de regulamentação para ser implementada.
No debate da Band , Lula voltou a defender a participação da Caixa Econômica Federal no processo.
“Nós resolvemos, através da Caixa Econômica Federal, a gente vai fazer um leilão de todas as dívidas dessa gente”, afirmou.
Outra frente é o programa Prospera MEI, anunciado na última semana, que prevê o perdão de aproximadamente R$ 12,7 bilhões em débitos de microempreendedores individuais. O pacote também inclui apoio financeiro de até R$ 5 mil por empreendedor, dentro das condições previstas pelo governo.
Para Lula, a renegociação deve ser acompanhada de medidas para recuperar a renda.
“A melhor forma de você resolver o problema da dívida desse país é a economia voltar a crescer”, afirmou no debate.
O que Flávio Bolsonaro propõe?
Flávio Bolsonaro apresentou no debate da Band uma proposta de intervenção mais ampla sobre as dívidas de famílias e empresas.
O senador prometeu que o governo comprará débitos de instituições financeiras com desconto, reduzindo o valor devido pelos consumidores. Os beneficiários teriam um período sem pagamentos antes de começar a quitar as novas parcelas.
“Para você que é pessoa física, vai ficar seis meses congelado, parada a sua dívida. Você não vai pagar boleto nenhum. E para você que é pessoa jurídica, esse prazo vai ser de um ano”, afirmou.
Flávio disse ainda que parcelas atualmente entre R$ 100 e R$ 200 poderiam cair para R$ 20 ou R$ 30, com financiamentos mais baratos e prazos maiores.
O candidato associa a viabilidade da proposta a uma redução dos juros. Segundo ele, a melhora das expectativas econômicas com uma eventual vitória de sua candidatura permitiria abrir espaço de mais de R$ 200 bilhões no orçamento. O senador não apresentou, porém, cálculos detalhados que sustentem a estimativa.
O programa de governo de Flávio também prevê transformar a Caixa no chamado “Banco da Prosperidade”, oferecendo crédito, orientação financeira e apoio a pequenos negócios.
O documento propõe ainda um mecanismo denominado “Ganha-Ganha”, que prevê condições melhores de financiamento para pessoas que mantenham as contas em dia, concluam cursos ou formalizem suas atividades econômicas.
A candidatura também defende um ajuste fiscal para reduzir o custo do crédito. Em declarações recentes, Flávio prometeu controlar as despesas públicas sem cortar programas sociais. Entretanto, a equipe econômica ainda não detalhou integralmente as medidas que permitiriam alcançar as economias pretendidas.
O que diferencia as duas propostas?
Na prática, ambos apostam na compra ou renegociação de dívidas com descontos, mas divergem sobre o alcance e o funcionamento dos programas.
O plano defendido por Lula concentra parte das medidas em consumidores de menor renda, dívidas antigas e microempreendedores. O presidente também utiliza programas já criados por seu governo como base para novas rodadas de negociação.
Flávio apresenta uma proposta que inclui famílias e empresas, com suspensão temporária de pagamentos e redução das parcelas. No entanto, ainda não foram detalhados os critérios de acesso, as modalidades de crédito abrangidas e a participação financeira do governo.
As duas candidaturas também precisam esclarecer o impacto de suas medidas sobre as contas públicas. A compra de dívidas pode exigir recursos orçamentários ou garantias da União, enquanto os descontos dependerão das condições negociadas com os credores.
O tamanho do benefício para os consumidores, portanto, dependerá não apenas dos descontos anunciados, mas também das taxas de juros, dos prazos e das regras efetivamente adotadas em cada programa.
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