A dívida do país teve desempenho inferior ao de seus pares europeus, fazendo com que o spread entre o rendimento do título francês de 10 anos e seu equivalente alemão se ampliasse em até oito pontos-base, para 146 pontos-base — o maior em duas semanas.

A diferença para os rendimentos italianos atingiu um novo recorde, enquanto o euro enfraqueceu e o índice de ações CAC 40 caiu 1,2%.

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A França foi tomada no fim de semana por uma onda de ataques a prédios públicos, lojas e restaurantes . No entanto, uma montanha de dívidas e um déficit orçamentário entre os maiores da zona do euro significam que o governo não pode simplesmente aumentar os gastos para apaziguar o público.

“A França hoje está enfrentando uma crise social, uma crise migratória, uma crise energética, uma crise econômica e uma crise fiscal”, disse Louis-Vincent Gave, da Gavekal Research. “Tudo isso em um momento em que o presidente francês está no cargo, mas não no poder. Nada do que ocorreu neste fim de semana parece apontar o caminho para um euro mais alto ou rendimentos mais baixos dos títulos franceses.”

Os investidores veem cada vez mais os títulos do governo francês como mais arriscados do que os da Alemanha, que é geralmente tratada como o tomador mais seguro da zona do euro.

O spread de rendimento entre França e Alemanha está se aproximando de 150 pontos-base, avançando ainda mais para o território associado à crise da dívida da zona do euro. Durante os períodos mais extremos da recente liquidação da dívida francesa, o spread chegou perto de 160 pontos-base.

Os protestos ocorrem enquanto políticos franceses debatem o orçamento proposto para 2027. O projeto de lei, apresentado pelo governo, prevê €43 bilhões (US$ 48,2 bilhões) em medidas para reduzir o déficit. Alcançar um compromisso parece difícil em um parlamento profundamente dividido, e pode se mostrar ainda mais difícil com uma eleição presidencial daqui a seis meses.

O que dizem os estrategistas

“É provável que a curva de credit-default swap [um seguro contra a inadimplência] da França se achate nos próximos meses, à medida que os traders exigirem um prêmio maior para subscrever o risco político antes das eleições presidenciais de abril. A Assembleia Nacional Francesa começou a discutir o orçamento do próximo ano na semana passada sem ainda aprová-lo. Isso adiciona mais uma camada de incerteza para os ativos de risco do país”, disse Ven Ram, estrategista de cross-assets..

O euro caiu até 0,5%, para US$ 1,1183, ficando atrás de todos os pares do Grupo dos Dez. Os traders têm se mostrado pessimistas quanto às perspectivas da moeda, apesar de uma breve recuperação na semana passada. O custo da proteção contra novas perdas do euro disparou.

“Embora os protestos violentos não sejam representativos da grande maioria da população, os acontecimentos do fim de semana, no entanto, ressaltam o delicado ato de equilíbrio que o governo enfrenta entre apaziguar o povo e os mercados”, disse Erik Liem, estrategista do Commerzbank AG.

A revisão da classificação soberana da França pela Moody’s na sexta-feira fornecerá outro sinalizador para a saúde fiscal do país, com um rebaixamento visto como o movimento mais provável, dado seu outlook negativo. A Moody’s atualmente classifica a França um degrau acima da Fitch Ratings e da S&P Global Ratings.

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