No STF, Flávio já é investigado em um outro inquérito aberto em julho e sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura o financiamento da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A assessoria do senador afirmou que não foi aberto um novo inquérito no STF contra ele para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz, e que o caso remetido pela PF à Corte ainda está pendente de análise. Leia a íntegra da nota abaixo.
“RELAÇÃO DE PROXIMIDADE”
A investigação começou na 1ª instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde eram apurados crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas e a utilização de casas de apostas no suposto esquema.
A Polícia Federal quebrou o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrou e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro havia sido cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade do advogado. Por causa do foro especial do senador, o caso foi remetido para o Supremo.
“A análise da trajetória pessoal e dos dados relacionados a Willer revelou a existência de uma ampla rede de contatos com agentes públicos e figuras de projeção política, incluindo políticos, servidores públicos, integrantes do Ministério Público e pessoas vinculadas ao Poder Judiciário (…) . Entre os vínculos que merecem especial atenção está aquele relacionado ao senador Flávio Bolsonaro, cuja proximidade com o investigado aparece indicada nos elementos analisados” , afirma a PF, segundo o jornal.
O relatório da PF ainda diz: “Durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro. Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud de Willer” .
A PF menciona que uma das contas bancárias de Tomaz movimentou cerca de R$ 130 milhões de março a maio de 2025 e aponta que seria necessário aprofundar a origem e destinação dos recursos.
Em setembro, veio à tona uma uma foto de Flávio em safári na África do Sul , tirada em março de 2025, ao lado de Tomaz e do senador ao lado de Weverton Rocha (PDT-MA), ambos investigados por fraudes no INSS. Em janeiro de 2025, Flávio já havia viajado à Flórida em um jatinho acompanhado de sua família e de Tomaz, que é dono de 1/3 da aeronave.
O Poder360 questionou a assessoria de Flávio Bolsonaro sobre o tema, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.
Ao jornal O Estado de S. Paulo, a campanha do senador enviou uma nota que afirma que ele não é investigado no STF nesse caso.
“A matéria publicada está errada. Flávio Bolsonaro não é investigado no Supremo Tribunal Federal. Os autos que chegaram à Corte sequer foram convertidos em inquérito, não houve manifestação da Procuradoria-Geral da República ou qualquer decisão judicial a respeito. Noticiar como “novo inquérito” o que não passa de um expediente recém-autuado, pendente de análise, distorce a realidade e induz o leitor a erro”, afirma.
O Poder360 também questionou a assessoria de Willer Tomaz sobre o tema, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.
Ao jornal O Estado de S. Paulo, Tomaz negou ter cometido crimes e criticou a divulgação de informações do inquérito e enviou a seguinte nota:
“Causa estranheza o vazamento, num domingo e a poucas horas do debate entre os candidatos à Presidência, de um suposto inquérito até então desconhecido. Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas.
“A Rede Loto jamais operou como plataforma de apostas, e a Cathedral é tão somente uma holding patrimonial. Não houve circulação de recursos entre as empresas mencionadas; portanto, inexiste qualquer movimentação financeira irregular.
“É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático do advogado Willer Tomaz sirva de instrumento para uma ‘pescaria probatória’ destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais.”

