# Espetáculo friburguense fez homenagem à Benito Di Paula: 'Ele era um menino do nosso bairro', contou o diretor.

- Seção: Brasil
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2026/10/19/espetaculo-friburguense-fez-homenagem-a-benito-di-paula-ele-era-um-menino-do-nosso-bairro-contou-o-diretor.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-19T12:55:36.000Z
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> Um dos grandes da música brasileira, Benito di Paula morreu em São Paulo

A vida e obra do cantor e compositor Benito Di Paula foram destacados em 2025 em Nova Friburgo , na Região Serrana, com o espetáculo “O Homem da Montanha”. A peça prestava homenagem ao artista friburguense, autor de clássicos como Retalhos de Cetim, Meu Amigo Charlie Brown e Mulher Brasileira.

A direção foi de Bernardo Dugin. Em suas redes sociais, Dugin desejou a Benito Di Paula "um caminho de muita luz" e prestou solidariedade ao filho do artista, Rodrigo Vellozo.

Benito Di Paula morreu no domingo (18) em decorrência de câncer de próstata, do qual vinha fazendo tratamento há um ano.

Segundo o diretor Bernardo Dugin, a preparação dos atores para o espetáculo foi um mergulho na história e na memória afetiva de Nova Friburgo. Para compôr a peça, o diretor ouviu histórias e conversou com pessoas que conviveram com Benito Di Paula.

"Uma das coisas mais bonitas é que, durante os ensaios, sempre aparecia alguém com uma lembrança nova. Alguém que dizia: 'Ah, o Benito cantava ali, em cima de um caixotinho, num banquinho'. Fomos percebendo que Benito não era apenas aquele artista enorme que o Brasil inteiro conhece. Ele era também um menino do nosso bairro, alguém que fazia parte da vida das pessoas", contou o diretor.

Espetáculo contou a trajetória de vida de Benito Di Paula

Dugin explicou que, a partir das entrevistas com as pessoas que fizeram parte da história de Benito Di Paula, eles quiseram conhecer o Usay Veloso, o menino que nasceu numa família numerosa, numa realidade humilde, cercado pelo amor dos pais, pelos afetos e pelas histórias de sua comunidade.

"No fundo, a história do Uday também é a história de tantos de nós. A história de alguém que nasce num lugar pequeno, que carrega suas origens e que, em algum momento, ousa sonhar para além das montanhas. Antes de se tornar um ícone da música brasileira, Benito foi um menino de Friburgo", finalizou o diretor.

Peça teatral homenageou Benito Di Paula em 2025

Benito di Paula falou sobre Nova Friburgo

Em fevereiro de 2025, Benito Di Paula deu entrevista ao g1 e falou sobre a relação afetiva que tinha com a sua cidade natal.

O artista comentou ser "o homem da montanha", remetendo à canção "Homem da Montanha", de 1976, que traz uma declaração de amor por Nova Friburgo, narrando a vontade de voltar para a Serra diante da vida na cidade grande.

"É a minha terra, sou o 'Homem da Montanha'. Tenho muita saudade de lá, tenho recordações bonitas. Gosto muito da minha terra. Nova Friburgo é a minha casa, está no coração", contou.

Benito Di Paula

Benito Di Paula nasceu em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, com o nome de Uday Vellozo, e foi criado no Rio de Janeiro. Mas o Brasil já o conheceu como Benito Di Paula a partir dos anos 1970, década em que o artista fez sucesso nacional com um samba diferente, esquema novo.

Ao longo da carreira, tornou-se um dos nomes de destaque da música popular brasileira, especialmente nas décadas de 1970 e 1980.

Teve mais de 50 milhões de discos vendidos no mundo, sendo quatro milhões só na Europa.

Entre seus sucessos estão Retalhos de Cetim, Charlie Brown e Mulher Brasileira. Seu estilo, marcado pela presença do piano e por arranjos românticos, contribuiu para consolidar uma identidade própria dentro do samba.

Benito Di Paula jamais se considerou um sambista da dinastia de Martinho da Vila e Paulinho da Viola, cantores e compositores que também obtiveram grande sucesso na década de 1970 no segmento do samba. Benito sempre se rotulou publicamente como sambeiro e como pianeiro.

Foi no toque percussivo do piano que Benito Di Paula fazia a própria batucada com um suingue brasileiro que, de certa forma, antecipou o pagode paulista que seria propagado nos anos 1990 por grupos como Raça Negra com arranjos cheios de teclados.

E o fato é que o sambeiro pianeiro imprimiu assinatura singular na música do Brasil.

Benito Di Paula na capa de álbum de 1976

Reportagem completa: https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2026/10/19/espetaculo-friburguense-fez-homenagem-a-benito-di-paula-ele-era-um-menino-do-nosso-bairro-contou-o-diretor.ghtml

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