# Missão japonesa quer trazer amostras de uma lua de Marte à Terra

- Seção: Tecnologia
- Fonte: Olhar Digital (https://olhardigital.com.br/2026/10/19/ciencia-e-espaco/missao-japonesa-quer-trazer-amostras-de-uma-lua-de-marte-a-terra/)
- Publicado em: 2026-10-19T12:41:51.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1252832-missao-japonesa-quer-trazer-amostras-de-uma-lua-de-marte-a-terra

> A agência espacial japonesa JAXA prepara a missão MMX para coletar material de Fobos, uma das luas de Marte , e trazê-lo à Terra. A análise das amostras poderá ajudar a esclarecer como os dois satélites do planeta vermelho se formaram há bilhões de anos.

O lançamento está previsto para 19 de outubro de 2026, com um foguete H3. A espaçonave deve chegar a Marte em agosto de 2027 e retornar à Terra em 2031, com uma cápsula destinada a pousar na Austrália.

Os cientistas querem descobrir se Fobos e Deimos são asteroides capturados ou fragmentos de uma antiga colisão. &#8211; Imagem: Elena11/Shutterstock

Como a missão vai explorar Fobos

A MMX reúne três módulos principais — propulsão, exploração e retorno — e transporta o rover IDEFIX, desenvolvido em parceria pelas agências espaciais da França e da Alemanha.

Nos primeiros meses em Marte, a nave vai observar Fobos de diferentes altitudes para mapear o terreno e escolher locais de pouso. O rover deve ser liberado entre o fim de 2028 e o início de 2029, durante um dos ensaios de descida. Devido à baixa gravidade da lua, ele poderá cair até a superfície e se estabilizar após alguns saltos.

A coleta de material poderá começar em dezembro de 2028. A missão prevê duas tentativas de pouso, com a meta de recolher pelo menos 10 gramas de amostras. Para investigar a superfície, a MMX levará instrumentos com funções complementares:

TENGOO e OROCHI: câmeras que vão registrar o relevo e as características da superfície.

MIRS: espectrômetro que identificará minerais e procurará compostos orgânicos.

MEGANE: instrumento desenvolvido com participação da NASA para medir a composição química de Fobos.

RAX e miniRAD: equipamentos do rover que analisarão minerais e propriedades térmicas do terreno.

Depois de cerca de três anos dedicados a Fobos, a nave fará sobrevoos de Deimos em 2030 para comparar dados das duas luas. No fim daquele ano, o módulo de retorno iniciará a viagem à Terra. A cápsula com as amostras deverá pousar de paraquedas na região de Woomera, na Austrália, em 2031.

O que as amostras podem revelar

A origem de Fobos e Deimos ainda é um mistério. Uma hipótese sustenta que as duas luas são asteroides capturados pela gravidade de Marte. Outra propõe que elas se formaram a partir de fragmentos lançados à órbita após uma grande colisão com o planeta, em um processo que lembra uma das teorias sobre a formação da Lua terrestre.

As evidências disponíveis apontam para direções diferentes. As superfícies das luas apresentam semelhanças com asteroides primitivos, enquanto suas órbitas quase circulares levantam questões sobre a hipótese de captura.

“É uma questão intrigante porque duas linhas de evidência apontam em direções diferentes”, afirmou Tom Statler, cientista da divisão de ciência planetária da NASA envolvido na missão.

A composição química poderá ajudar a distinguir os cenários. A presença de determinados elementos voláteis pode favorecer a hipótese de captura de asteroides. Já sinais de alterações provocadas por temperaturas extremas seriam compatíveis com a formação após uma colisão.

“Até o momento, não sabemos nada sobre a composição de Fobos”, afirmou David Lawrence, responsável pelo instrumento MEGANE. Embora os cientistas tenham informações sobre a mineralogia da lua, ainda faltam dados sobre seus elementos químicos.

Desenvolvido por agências europeias, o robô IDEFIX tem tamanho comparável ao de um forno micro-ondas. &#8211; Imagem: CNES/DLR/JAXA (ASTERIX® OBELIX® IDEFIX® © Année LES EDITIONS ALBERT RENE / GOSCINNY-UDERZO)

Liderada pela JAXA, a MMX conta com contribuições da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA), que participam com instrumentos, equipamentos e apoio às comunicações.

A NASA investiu aproximadamente US$ 87 milhões até o fim da missão e deverá receber pelo menos 15% das amostras. O material será preservado no Centro Espacial Johnson, nos Estados Unidos, para análises laboratoriais.

O estudo detalhado dos minerais, dos elementos químicos e dos isótopos poderá ajudar a determinar a origem do material coletado. Com isso, a MMX poderá esclarecer como as luas marcianas se formaram e revelar aspectos da história de Marte e do Sistema Solar.

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