Idealizada pelo professor Rodrigo Fernandes, a iniciativa aproxima os mistérios do cosmos do cotidiano, estimulando o pensamento crítico. Doutor em medicina pela Universidade de Shanghai, na China, e ex-pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ele migrou da saúde para a educação para popularizar a ciência fora das universidades.
Ao levar a astronomia às praças, o projeto combate a desinformação digital e o analfabetismo científico com ferramentas acessíveis. O contato direto com os astros desperta a curiosidade e ensina a população a diferenciar evidências testáveis de boatos sem fundamento.
Projeto “Astronomia – Ciência na Rua”, idealizado pelo professor Rodrigo Fernandes (ao centro, de óculos). – Crédito: Astronomia – Ciência na Rua / Divulgação
Homem chorou ao ver Saturno pela primeira vez
Em participação no programa Olhar Espacial da última sexta-feira (16) , Fernandes fez uma reflexão profunda sobre a importância dessa conscientização social. “O meu objetivo estudando na área da saúde sempre foi salvar vidas, e eu acho que quando a gente faz esse projeto na rua com a astronomia o objetivo não é diferente. A gente também está salvando vidas quando mostra para as pessoas o que é ciência e o que é conversa fiada de internet.”
O impacto do projeto vai muito além das palestras teóricas, gerando momentos marcantes nas calçadas das cidades. A experiência de olhar através de um telescópio costuma emocionar adultos e jovens, despertando sonhos antigos de infância e permitindo o primeiro contato direto com os planetas do Sistema Solar.
“Astronomia – Ciência na Rua”, projeto idealizado pelo professor Rodrigo Fernandes, leva o Universo para as escolas e praças públicas. – Crédito: Astronomia – Ciência na Rua / Divulgação
Entre os diversos relatos marcantes nas ruas, Rodrigo recordou a reação emocionante de um trabalhador em Pouso Alegre ao observar o planeta Saturno pela primeira vez pela ocular do telescópio preparado na calçada da cidade: “Ele olhou, olhou, olhou pro meu rosto, olhou de novo… aí ele não disse nada. Ele foi saindo, andou três metros, sentou na calçada e começou a chorar muito. Ele falou: ‘eu nunca imaginei que eu ia ter a chance de olhar pro céu com telescópio’.”
Professor fabrica os próprios telescópios
O projeto também realiza oficinas gratuitas de astronomia em escolas públicas. Durante as visitas, os estudantes têm contato com meteoritos e microscópios, o que estimula a curiosidade científica e incentiva a criação de clubes de ciências e projetos próprios entre os alunos.
Nas visitas às escolas das redes municipais e estaduais, o professor desmonta preconceitos sobre a capacidade e o interesse dos alunos da periferia e zonas rurais por temas científicos complexos.
O professor e astrônomo amador Rodrigo Fernandes é o idealizador do projeto “Astronomia – Ciência na Rua” – Crédito: Arquivo pessoal
“Existe uma mentira em estado bruto de que crianças e adolescentes de escolas públicas não gostam de ciência”, disse Fernandes. “Elas gostam sim, elas precisam é de acesso e de projetos de educação que possibilitem esse encontro.”
Mantido sem fomento governamental direto, o “Astronomia – Ciência na Rua” depende da colaboração voluntária e de parcerias com professores e instituições. Especialista em construir e restaurar telescópios refletores, Fernandes fabrica os próprios equipamentos. A ação oferece ainda cursos livres no YouTube para capacitar educadores em todo o país.
O trabalho em praças e escolas mostra o valor de aproximar a pesquisa científica da rotina das cidades. Ao garantir acesso gratuito a telescópios e conteúdos educativos, a iniciativa fortalece o aprendizado prático e cria oportunidades de conhecimento para estudantes e toda a comunidade.
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