A pesquisa apontou que pessoas com sangue B positivo ou negativo apresentam, em média, risco 28% maior de desenvolver a doença do que indivíduos com outros tipos sanguíneos. Os autores, porém, ressaltam que essa relação não explica a causa do diabetes nem permite prever quem terá a condição.

Tanto o tipo B positivo quanto o negativo apresentaram a mesma taxa de risco ligeiramente elevada para o diabetes tipo 2. Imagem: ISEN STOCKER/Shutterstock

Apenas uma associação apresentou evidências convincentes

Liderada pela epidemiologista Fang-Hua Liu, do Hospital Shengjing da Universidade Médica da China, a equipe analisou 51 revisões científicas que, juntas, investigaram 270 possíveis relações entre tipos sanguíneos e problemas de saúde.

Essas revisões reúnem resultados de pesquisas anteriores para identificar padrões que talvez não apareçam em um único estudo. Os pesquisadores, então, verificaram se as conclusões eram consistentes, se havia participantes suficientes nas pesquisas e se os resultados poderiam ter sido influenciados por falhas ou distorções. Também avaliaram a possibilidade de que as associações desaparecessem em estudos futuros.

A maioria das relações analisadas não apresentou evidências suficientemente fortes para ser considerada confiável. A única que passou por todos os critérios mais rigorosos foi a associação entre o sangue tipo B e o diabetes tipo 2 , em comparação com os demais tipos sanguíneos .

“Até o momento, a associação entre esses grupos sanguíneos e os resultados de saúde humana permanece controversa”, escreveram os pesquisadores.

O resultado é relevante justamente porque restringe a conclusão a uma relação sustentada por evidências mais consistentes. Isso não significa, contudo, que o tipo sanguíneo B cause diabetes.

Como os grupos sanguíneos são definidos?

O sangue é classificado em oito grupos principais pela combinação do sistema ABO com o fator Rh. No primeiro, a presença ou ausência de determinados antígenos — moléculas que podem desencadear uma resposta imunológica — diferencia os tipos A, B, AB e O. O fator Rh indica se o sangue é positivo ou negativo.

Pesquisas anteriores investigaram se essas diferenças poderiam estar relacionadas à predisposição a doenças. Apesar disso, os mecanismos que explicariam a associação entre o tipo B e o diabetes ainda não foram estabelecidos.

Uma pesquisa de 2025 levantou a hipótese de que o microbioma intestinal, formado pelos microrganismos que vivem no intestino, possa participar dessa relação. A possibilidade ainda exige investigação e não foi demonstrada pela revisão de 2024.

Alimentação, sedentarismo e excesso de peso também estão relacionados ao risco de diabetes tipo 2. Imagem: Caroline Ruda/Shutterstock

O que pesa no risco de diabetes?

O aumento de 28% no risco associado ao sangue tipo B é inferior ao observado em relação a alguns hábitos e condições de saúde. O consumo diário de 50 gramas de carne processada está associado a um risco 37% maior de desenvolver diabetes tipo 2. Já o sedentarismo pode elevar esse risco em 112%. O excesso de peso também está entre os principais fatores que favorecem o desenvolvimento da doença.

Esses percentuais não devem ser interpretados como previsões individuais nem como medidas diretamente equivalentes em qualquer situação. O risco de desenvolver diabetes depende de diferentes fatores, e a associação com o grupo sanguíneo não substitui a avaliação das demais condições.

Publicado na revista BMC Medicine , o estudo amplia o conhecimento sobre possíveis relações entre características do sangue e doenças. Ainda são necessárias novas pesquisas para esclarecer por que o tipo B aparece associado ao diabetes tipo 2 e qual é a relevância dessa relação na prática.

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