# Hacker usou IA para invadir mais de 100 sites com baixo custo, diz Reuters

- Seção: Tecnologia
- Fonte: Olhar Digital (https://olhardigital.com.br/2026/10/19/inteligencia-artificial/hacker-usou-ia-para-invadir-mais-de-100-sites-com-baixo-custo-diz-reuters/)
- Publicado em: 2026-10-19T14:29:19.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1254087-hacker-usou-ia-para-invadir-mais-de-100-sites-com-baixo-custo-diz-reuters

> Um hacker usou agentes de inteligência artificial (IA) para invadir sites de mais de 100 empresas, incluindo a fabricante de tratores Deere, a SharkNinja e a Cummins. A operação chamou a atenção pela capacidade de executar ataques…

O pesquisador de cibersegurança Snorre Fagerland, da empresa NorForge, acompanhou parte da atividade por meio da plataforma Cairn. Segundo sua estimativa, a campanha custou cerca de US$ 5 mil (R$ 25.250) em créditos de IA.

Os agentes de IA levavam cerca de 23 horas de tentativas contínuas por tentativa e erro até quebrar as defesas. &#8211; Imagem: Mer_Studio/Shutterstock

Mais de 1.200 sites na mira

Segundo a Reuters , o pesquisador de cibersegurança Snorre Fagerland descobriu a operação ao monitorar instalações da Cairn expostas na internet e usadas para atividades maliciosas. A plataforma de código aberto permite coordenar agentes de IA para executar tarefas. A partir de 2 de outubro, o especialista conseguiu acompanhar o trabalho dos sistemas e identificar como eram empregados nos ataques.

Um dos casos que chamou a atenção de Fagerland foi o de um hacker de língua chinesa que, desde 25 de setembro, direcionava os agentes a sites nos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão. As instruções eram curtas, com menos de 100 caracteres em chinês, mas bastavam para orientar os sistemas na busca por vulnerabilidades e nas tentativas de invasão.

Até o fim da semana anterior à publicação da reportagem, os agentes haviam tentado invadir mais de 1.200 sites. As invasões bem-sucedidas levavam, em geral, cerca de 23 horas, a um custo estimado de US$ 50 (R$ 249) cada. A operação aparentemente utilizou uma combinação do DeepSeek com o Claude Code, ferramenta da Anthropic.

Para Fagerland, a capacidade de executar ataques tão complexos com pouca intervenção humana representa uma mudança significativa no cenário da segurança digital. “É um mundo novo agora”, afirmou à Reuters .

Como os agentes encontraram vulnerabilidades

Um dos episódios acompanhados por Fagerland ajuda a entender como os agentes de IA conduziam as invasões. Depois de não encontrarem falhas na aplicação pública de uma grande empresa, os sistemas mudaram de estratégia e analisaram registros digitais para rastrear a infraestrutura ligada ao alvo. A busca levou a um painel de controle acessível pela internet, onde identificaram uma falha no processamento de dados.

Após horas de tentativas, os agentes relataram ter explorado essa vulnerabilidade para fazer o servidor executar comandos maliciosos. A capacidade de encontrar um caminho alternativo e testar a falha chamou a atenção do pesquisador. “Não é simples encontrar soluções como essas. Não é coisa de amador que apenas executa scripts”, afirmou Fagerland.

O caso não foi isolado. Ao monitorar outras atividades na mesma plataforma, o pesquisador encontrou diferentes tentativas de uso criminoso da IA: um hacker roubou uma grande quantidade de dados de cartões de crédito, enquanto outro tentou usar agentes para roubar uma corretora de criptomoedas.

Especialistas alertam para uma nova era no cibercrime, marcada pelo baixo custo e automação de ataques virtuais. &#8211; Imagem criada por inteligência artificial

Empresas investigam os incidentes

Em um dos ataques que acompanhou, Fagerland observou como os agentes de IA contornaram um obstáculo durante a invasão. Como não encontraram falhas na aplicação pública da empresa, os sistemas passaram a examinar registros digitais em busca de outros caminhos para acessar a infraestrutura do alvo. A estratégia levou a um painel de controle exposto na internet, onde descobriram uma falha no processamento de dados.

A partir dessa descoberta, os agentes passaram horas testando maneiras de explorar a vulnerabilidade. Ao final, relataram ter conseguido induzir o servidor a executar comandos maliciosos. Para Fagerland, a abordagem demonstrou um nível de capacidade técnica que vai além da execução de scripts prontos. “Não é simples encontrar soluções como essas. Não é coisa de amador que apenas executa scripts”, afirmou o pesquisador.

A análise de outras instalações da Cairn revelou que esse não era o único tipo de crime cometido com a ajuda dos agentes. Em uma das operações, um hacker roubou uma grande quantidade de dados de cartões de crédito. Em outra, o criminoso tentou usar a IA para roubar uma corretora de criptomoedas. Os casos mostram que a tecnologia estava sendo empregada em diferentes etapas de atividades criminosas, não apenas na busca por vulnerabilidades em sites.

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