# Quanto a província de Alberta gera de riqueza para o Canadá e o que aconteceria se ela conquistasse a independência?

- Seção: Mundo
- Fonte: G1 (https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/19/quanto-a-provincia-de-alberta-gera-de-riqueza-para-o-canada-e-o-que-aconteceria-se-ela-conquistasse-a-independencia.ghtml)
- Publicado em: 2026-10-19T15:51:29.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1254935-quanto-a-provincia-de-alberta-gera-de-riqueza-para-o-canada-e-o-que-aconteceria

> Pesquisas indicam que cerca de 25% dos cidadãos de Alberta são a favor da independência da província canadense

Bloomberg via Getty Images via BBC

Para Keith Wilson, a província canadense de Alberta, no oeste do país, é um caso à parte.

Alberta conta com enormes reservas de petróleo e gás, um setor agrícola de peso e uma mão de obra jovem e qualificada, o que faz de sua economia uma potência que não pode ser ignorada, diz Wilson — que apoia a independência da província.

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A província realiza um plebiscito nesta segunda-feira (19), oferecendo aos moradores duas opções: votar pela permanência no Canadá ou votar para dar início ao processo de preparação de um referendo sobre a independência em uma data futura.

Embora a consulta não seja uma escolha direta entre "ficar ou sair", ela ainda tem potencial para se tornar um dos acontecimentos mais significativos da história recente do Canadá e um importante teste para a unidade nacional.

Uma questão fundamental é central no debate: Alberta seria mais rica se fosse um país independente?

Para Wilson, a resposta é sim.

"A economia de Alberta é única. É fundamentalmente diferente do resto do Canadá — temos as pessoas, as instituições e a infraestrutura necessárias para prosperar", afirma ele.

Os separatistas de Alberta argumentam há muito tempo que a província tem sido prejudicada por fazer parte do Canadá e que uma maior parte da riqueza proveniente do petróleo e do gás deveria permanecer dentro de suas fronteiras, em vez de ser compartilhada com o governo federal em Ottawa, o que geraria uma economia de dezenas de bilhões de dólares.

Mas muitos discordam desses cálculos.

A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, que se opõe à independência, prevê um desfecho mais sóbrio. Ela afirma que a província poderia ter de arcar com cerca de 400 bilhões de dólares canadenses (R$ 1,4 trilhões) apenas em custos de transição, além de perder bilhões em investimentos e comércio devido à turbulência política.

Um relatório encomendado pelo governo de Danielle Smith e divulgado no início deste mês estimou que os custos da separação ficariam entre 50 bilhões e 170 bilhões de dólares canadenses (R$ 180 bilhões e R$ 610 bilhões) ao longo de cinco anos, além de apontar perspectivas altamente imprevisíveis para o longo prazo.

O relatório adverte que uma Alberta independente teria pela frente uma extensa lista de medidas a implementar, a um custo elevado.

O governo teria que criar agências para administrar impostos e segurança nacional, desenvolver sua própria constituição, sistemas jurídico e judicial, e planos de pensão, além de negociar a divisão de ativos federais, como parques nacionais e bases militares.

Lennie Kaplan, ex-funcionário da área financeira de Alberta, afirma que se espera que a província assuma uma parcela da dívida nacional do Canadá, entre muitos outros desafios e responsabilidades fiscais.

Um relatório sobre a independência de Alberta, elaborado pela CanadaWest Foundation, um centro de estudos sem fins lucrativos com sede em Alberta, estima que a província poderá ficar com uma dívida adicional que varia entre 258 bilhões e 333 bilhões de dólares canadenses (R$ 925 bilhões e R$ 1,2 trilhões).

Com o impacto projetado sobre o PIB de Alberta e os custos adicionais envolvidos, o relatório estima que a separação poderia afetar diretamente o bolso dos moradores da província, reduzindo sua renda disponível em média em 5,8%.

"Por que precisamos criar toda essa incerteza que pode impactar e prejudicar a situação fiscal da província no futuro? Por que não trabalhamos internamente no Canadá para resolver esses problemas?", questiona Kaplan.

Pesquisas de opinião indicam que entre 20% e 25% dos moradores de Alberta pretendem votar a favor do avanço para um referendo sobre a separação, com níveis de apoio mais elevados entre eleitores mais jovens, residentes de áreas rurais e conservadores.

Por trás do movimento separatista está a crença de que Alberta é incompreendida e negligenciada pelos tomadores de decisão do governo federal em Ottawa. Durante décadas, esse sentimento alimentou a sensação de que as províncias do oeste do país são ignoradas pelo governo central

Durante muito tempo restrito às margens da política provincial, o movimento separatista ganhou força por diversos motivos. Entre eles, a revolta gerada pela resistência política e ambiental que inviabilizou projetos de oleodutos para escoar o petróleo de Alberta — que não tem acesso ao mar — até portos na costa do país.

Uma década de governo liberal em Ottawa também causou frustração na tradicionalmente conservadora Alberta. Além disso, persiste a desconfiança em relação ao governo federal devido ao que alguns habitantes de Alberta consideraram lockdowns excessivos durante a pandemia de covid-19.

Ao longo do último ano, organizadores do movimento separatista realizaram assembleias públicas em toda a província para avaliar o interesse da população. Em seguida, lançaram uma petição popular pela separação no início deste ano, que obteve mais de 300 mil assinaturas.

Smith, a primeira-ministra, decidiu no início deste ano que autorizaria uma votação.

Alberta abriga o setor de petróleo e gás do Canadá, com reservas de petróleo estimadas como as quartas maiores do mundo. O petróleo bruto é, de longe, o produto de exportação mais lucrativo do Canadá, representando 142 bilhões de dólares canadenses (R$ 500 bilhões) somente em 2025.

A maior parte é vendida para refinarias nos EUA.

A província possui o maior PIB per capita do país e contribui com bilhões anualmente para a arrecadação de impostos federais devido à sua economia forte.

A província não recebe pagamentos de "equalização" desde 1965. Esses repasses são transferências feitas pelo governo federal às chamadas províncias "menos favorecidas", ou seja, aquelas com menor capacidade de arrecadação e riqueza.

Cálculos realizados por Tegan Hill e Nathaniel Li, economistas do centro de estudos Fraser Institute, mostram que a contribuição líquida total de Alberta para Ottawa desde 2007 foi de 322 bilhões de dólares canadenses.

"Isso é quase quatro vezes mais do que na Colúmbia Britânica, mais de quatro vezes mais do que em Ontário", disse Hill à BBC. "As outras sete províncias foram beneficiárias líquidas, o que significa que Ottawa gastou ou transferiu mais dinheiro para essas províncias do que arrecadou."

Hill explica que o montante que Alberta contribui para o resto do Canadá é uma das principais frustrações citadas por aqueles que são a favor da separação.

O sentimento, segundo ela, é: "Estamos pagando para sustentar essas outras províncias, e se seguíssemos nosso próprio caminho, poderíamos ficar com toda essa riqueza para nós mesmos."

Essa crença está no cerne das projeções econômicas do Alberta Prosperity Project, um dos principais grupos que se organizam em favor da independência.

Em seu plano fiscal, divulgado no ano passado, eles estimam que Alberta economizará até 47 bilhões de dólares canadenses (R$ 170 bilhões) anualmente se deixar de pagar impostos federais.

O plano reconhece que os custos de Alberta seriam maiores se a província fosse independente, pois teria que arcar com despesas como defesa nacional e diplomacia internacional, estimando esses custos em até 31,6 bilhões de dólares canadenses (R$ 130 bilhões) anualmente.

Isso seria um adicional ao pagamento de serviços que Alberta, como província, já cobre, como saúde e educação, que custam cerca de 75 bilhões de dólares canadenses (R$ 270 bilhões) ao ano.

Após o pagamento de todas as despesas essenciais, o Projeto de Prosperidade de Alberta estima um superávit de 24 bilhões a 46 bilhões de dólares canadenses (R$ 86 bilhões a R$ 164 bilhões) por ano.

Com todo esse dinheiro extra, os defensores da separação argumentam que Alberta poderia reduzir os impostos individuais em mais de 10 mil dólares canadenses (R$ 35 mil) por ano, investir em infraestrutura ou aplicar o excedente no fundo soberano da província.

Mas vários economistas argumentam que essas projeções carecem de clareza e provavelmente superestimam o retorno financeiro.

O primeiro-ministro Mark Carney costuma apontar o Brexit — a votação para separar o Reino Unido da União Europeia — como um exemplo de advertência para Alberta.

Segundo um relatório publicado no início deste ano, a economia do Reino Unido sofreu uma queda de 6% devido aos efeitos do Brexit. Se a economia de Alberta sofrer um destino semelhante após a independência, poderá encolher em 62 bilhões de dólares canadenses (R$ 222 bilhões) anualmente, de acordo com uma projeção do economista Trevor Tombe, de Calgary.

Ele estimou que isso também resultaria em uma redução de 175 mil empregos.

Wilson rejeita essa comparação, argumentando que "a dinâmica fundamental é completamente diferente".

Ele diz que algumas das projeções do lado que defende a permanência são todas "apocalípticas", brincando que o único ponto negativo possível que eles não incluíram é "um grande asteroide atingindo o Canadá".

"Somos uma economia baseada em recursos naturais. Temos poder de negociação. Temos produtos que o mundo deseja. É por isso que o investimento vem para cá, apesar das restrições impostas por Ottawa", afirma.

Reportagem completa: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/10/19/quanto-a-provincia-de-alberta-gera-de-riqueza-para-o-canada-e-o-que-aconteceria-se-ela-conquistasse-a-independencia.ghtml

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