A decisão ocorreu após a defesa do parlamentar apresentar documentos e laudos particulares que apontam problemas mentais no réu. Diante disso, a Justiça dispensou testemunhas e determinou o agendamento urgente do exame pericial.

A sessão cancelada nesta segunda-feira (19) era a terceira tentativa do judiciário local de realizar a audiência de instrução do caso. O parlamentar responde ao processo em liberdade pelas acusações de embriaguez ao volante, falsidade ideológica, fraude processual e direção perigosa.

Com o deferimento do incidente de insanidade mental, o andamento da ação penal permanece suspenso até a emissão do laudo pericial médico-legal definitivo.

Audiência do vereador Bigodini acontece nesta segunda-feira (19), em Ribeirão Preto, SP

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Pedido de insanidade mental

O requerimento para a instauração do incidente de insanidade mental foi protocolado pela advogada Maria Cláudia de Seixas, responsável pela defesa do vereador.

A petição foi instruída com um parecer psiquiátrico e psicológico particular elaborado a partir de entrevistas e exames das funções mentais do réu.

De acordo com o documento defensivo, os pareceristas concluíram que, à época dos fatos investigados, Roger Bigodini estava acometido por adoecimentos mentais graves como Síndrome de Dependência do Álcool, Transtorno de Ansiedade Generalizada e Intoxicação Aguda por uso de álcool.

A defesa alegou que tais quadros afetaram a higidez mental e comprometeram as capacidades de entendimento e determinação do acusado no momento dos atos.

Na petição, a advogada ressaltou que a solicitação não buscava antecipar conclusões sobre a imputabilidade penal do parlamentar, mas sim comprovar a existência de dúvida médica razoável que justificasse a perícia oficial e a paralisação do processo sob sigilo.

Ao analisar o pedido, o juízo da 1ª Vara Criminal acolheu os argumentos e as provas juntadas, deferiu a instauração do incidente pericial e decretou o cancelamento da audiência e a suspensão do feito.

Acidente com vereador suspeito de embriaguez

A colisão ocorreu na madrugada de 28 de setembro de 2025, quando um SUV Chevrolet Tracker alugado pelo parlamentar perdeu o controle e colidiu contra uma árvore na Avenida do Café, em Ribeirão Preto.

Inicialmente, o casal declarou aos policiais militares que atenderam a ocorrência que a ex-namorada, Isabela de Cássia — que não possui Carteira Nacional de Habilitação (CNH) —, era quem conduzia o veículo, enquanto o vereador estaria no banco do passageiro após ingerir bebida alcoólica.

Entretanto, a investigação conduzida pela Polícia Civil desmentiu a versão inicial com base em laudos do Instituto de Criminalística, imagens de câmeras de segurança e dados do rastreador do automóvel.

Os vídeos mostraram o vereador desembarcando pelo lado do motorista, enquanto a ex-namorada descia pelo lado do passageiro e entregava uma garrafa de uísque a um homem no local antes da chegada da viatura.

Imagem mostra Bigodini dirigindo carro, segundo Polícia Civil

O rastreador apontou ainda que o veículo trafegou em altíssima velocidade antes do acidente, atingindo até 183 km/h na Rodovia Anhanguera.

Com a conclusão do inquérito policial, Roger Bigodini foi indiciado e posteriormente denunciado por embriaguez ao volante, falsidade ideológica, fraude processual e direção perigosa. Isabela de Cássia também virou ré por falsidade ideológica, fraude processual e autoacusação falsa.

Na esfera política, a Câmara Municipal de Ribeirão Preto abriu um processo administrativo no Conselho de Ética para apurar quebra de decoro parlamentar.

Em novembro de 2025, o plenário do legislativo aprovou a suspensão do mandato do vereador pelo prazo de 180 dias. Após cumprir a penalidade administrativa aplicada pela Casa de Leis, Bigodini retoma suas atividades e voltou ao cargo na Câmara em maio de 2026.

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