Ismael Oliveira de Farias, investigado por tentativa de feminicídio contra a companheira Francilene Pereira, foi preso nesta segunda-feira (19) pelo Núcleo de Apoio a Investigação do Baixo e Médio Amazonas, em Santarém, no oeste do Pará. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça após o Ministério Público apresentar denúncia contra ele no dia 13 de outubro.

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O crime aconteceu na noite de 1º de outubro, por volta das 23h30, na casa onde o casal morava, na comunidade Castanheira, zona rural de Mojuí dos Campos. Segundo a denúncia descrita na decisão judicial, Ismael teria atirado contra a cabeça da companheira com uma espingarda calibre 36, após uma discussão motivada por ciúmes.

Francilene foi socorrida e levada pelo suspeito ao Hospital Municipal de Santarém (HMS), onde passou por uma cirurgia. De acordo com um laudo médico citado na decisão, o disparo atingiu a região frontal esquerda do crânio, provocou fratura com afundamento do osso e exposição de massa encefálica, além de representar perigo de vida.

A mulher recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no dia 4 de outubro e permaneceu internada na clínica do hospital. Ela recebeu alta hospitalar no sábado (17).

Hospital Municipal de Santarém Dr. Alberto Tolentino Sotelo (HMS)

Justiça aponta gravidade do caso

A prisão preventiva foi decretada pelo juiz Sidney Pomar Falcão, da Vara do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Santarém. Na decisão, assinada em 14 de outubro, o magistrado considerou a gravidade do ferimento, os indícios reunidos na investigação e os riscos à segurança da vítima e à produção de provas.

Conforme o documento, o casal mantinha um relacionamento havia aproximadamente 14 anos e tinha dois filhos. A decisão também menciona um histórico de ciúme excessivo, possessividade e controle sobre a liberdade, os deslocamentos, os contatos e as finanças da mulher. Segundo os autos, o casal havia passado por uma separação recente e reatado o relacionamento cerca de 20 dias antes do crime.

O juiz considerou que a vítima poderia ficar exposta a novos riscos após receber alta, uma vez que o investigado informou residir no mesmo imóvel para onde ela poderia retornar.

Suspeito apresentou versão de disparo acidental

Ismael já havia se apresentado espontaneamente à Polícia Civil em 5 de outubro, acompanhado de advogado. Na ocasião, ele afirmou que o disparo foi acidental, durante uma discussão em que a companheira teria tentado alcançar a espingarda.

O advogado Renato Martins declarou que, após o disparo, o cliente prestou socorro à mulher e a levou ao Hospital Municipal de Santarém.

A decisão judicial, porém, aponta divergências entre as versões atribuídas ao investigado. Segundo o documento, ao chegar ao hospital, ele teria dito à equipe que encontrou a companheira já ferida. Em outra conversa, relatada nos autos, teria afirmado que efetuou o disparo. À polícia, posteriormente, apresentou a versão de que o tiro aconteceu durante uma disputa pela arma.

O juiz também registrou que o investigado admitiu ter deixado o hospital por medo de ser preso. Para o magistrado, a alegação de acidente não afastava os indícios reunidos até aquele momento. A análise definitiva sobre a intenção do disparo deverá ocorrer durante o processo judicial.

Arma foi apreendida na casa do investigado

Espingarda usada em tentativa de feminicídio contra mulher é apreendida em Mojuí dos Campos

Na noite de 2 de outubro, policiais militares foram até a residência do suspeito, na comunidade Castanheira, após receberem informações de familiares da vítima de que a arma estaria escondida no local.

Os policiais encontraram uma espingarda calibre 36, da marca CBC, acompanhada de um cartucho deflagrado. Segundo a decisão judicial, os laudos balísticos indicaram que a arma tinha capacidade para efetuar disparos.

O documento também relata que o local do crime teria sido alterado e lavado. Além disso, uma pessoa ligada ao investigado teria começado a retirar móveis e eletrodomésticos da residência, utilizando uma caminhonete do casal. A retirada dos objetos foi interrompida com a chegada de policiais militares.

Segundo o juiz, a alteração do local e a retirada de bens levantaram preocupações sobre a preservação das provas. A decisão informa ainda que a perícia no local do crime não foi realizada.

O Ministério Público pediu a prisão preventiva de Ismael ao apresentar a denúncia, em 13 de outubro. O juiz acolheu o pedido e determinou a prisão para garantir a ordem pública, preservar a investigação e assegurar a aplicação da lei penal.

A decisão também considerou que a vítima ainda não havia sido ouvida durante a investigação, pois estava hospitalizada e, conforme relatório psicológico citado nos autos, não conseguia verbalizar o que aconteceu naquele momento.

Ismael responde à acusação de tentativa de feminicídio no contexto de violência doméstica e familiar. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação definitiva. O caso seguirá para análise da Justiça.

Sobre a prisão o advogado informou ao g1 que o cliente se apresentou espontaneamente ao saber do mandado de prisão.

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"O Ismael se apresentou espontaneamente ao tomar conhecimento para cumprimento do mandado de prisão. Em momento algum se escusou da justiça. E irá provar sua inocência no momento oportuno", disse.

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