Durante sabatina no SBT News , Lula rebateu as críticas de que iniciativas como o reajuste do Bolsa Família e o perdão de dívidas de MEIs (microempreendedores individuais) criariam um rombo impagável para o próximo ano.

“Tudo o que está sendo aprovado está nas possibilidades fiscais do orçamento. Não tem nada, nós estamos entregando o orçamento com superavit primário. Eu não sei de onde você tira essa ideia de que é uma bomba que vai estourar. Não é bomba que vai estourar” , disse o presidente.

Para sustentar o argumento, Lula recorreu ao desempenho de seus mandatos anteriores. Segundo ele, o governo herdou um deficit de 2,8% e está projetando encerrar o ciclo atual com superavit primário de 0,1%, o que, na avaliação do petista, atesta a seriedade fiscal da gestão.

“Uma demonstração de que eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima. Responsabilidade eu tenho porque eu sei, como pai de família, trabalhador de fábrica que recebe salário, que a gente não pode gastar o que a gente não tem” , declarou.

O presidente afirmou ainda ter sido o único líder do G20 a registrar superavit primário em todos os anos de seus primeiros 8 anos de mandato (2003-2010), e que manteve o ex-presidente do BC Henrique Meirelles por todo esse período sem nenhuma troca, ao contrário do que teria feito Fernando Henrique Cardoso , que, segundo Lula, substituiu 4 presidentes da autarquia.

Banco Central independente

Na sequência, Lula voltou às críticas à autonomia do BC, aprovada durante o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Para o presidente, a independência da instituição retira do chefe do Executivo a capacidade de discutir política monetária.

“Quando você indica o Banco Central independente, você não pode fazer nada porque é o Banco Central que faz. Você não pode ser presidente da República e não poder discutir a política monetária porque o Banco Central é independente. Quem discute? O sistema financeiro” , afirmou.

Lula completou a crítica afirmando que o mercado financeiro exerce pressão constante sobre o governo, levantando alertas de rombo fiscal no início de cada ano para, segundo ele, encobrir os pagamentos que a União realiza ao setor.

“Começa janeiro falando em deficit fiscal e termina falando em deficit fiscal, só não fala do que o governo paga pra eles todo ano” , disse.