Os governos da Itália e da França realizaram reuniões de emergência nesta segunda-feira (19) sobre os protestos violentos do fim de semana. Várias cidades francesas decretaram toque de recolher.
Mesmo em um país em que a história foi escrita com protestos e revoluções, as marcas do fim de semana impressionam. Em diferentes cidades da França, carros e prédios públicos foram incendiados. Mais de 3 mil lojas, vandalizadas. Um comerciante estava inconsolável:
“O que fizemos para vocês? Como vamos sobreviver agora?”.
A indignação é a mesma da dona de um salão que foi saqueado:
“Eu entendo a raiva dos manifestantes. Mas eles estão atacando pequenos negócios. Isso não faz sentido”.
Ela calcula o prejuízo em 20 mil euros. Em todo o país, a estimativa é na casa das centenas de milhões.
Os manifestantes reivindicam principalmente melhorias na educação pública e medidas que contenham a alta do custo de vida. Nesta segunda-feira (19), estudantes bloquearam a entrada do Museu do Louvre, que ficou fechado à visitação.
Com o presidente Emmanuel Macron em viagem pelo Oriente Médio, coube ao primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, comandar uma reunião de emergência. Ele culpou pela violência a ultraesquerda - que reúne grupos anticapitalistas e antissistema, que não acreditam em eleições. O primeiro-ministro determinou uma investigação para identificar os vândalos e anunciou socorro para os comerciantes. Autoridades decretaram toque de recolher em alguns bairros da capital e em cidades como Nice, Lyon e Lille.
Governos da Itália e da França realizam reuniões de emergência sobre protestos
Jornal Nacional/ Reprodução
A centelha do inconformismo se espalhou pela Europa, que vem registrando manifestações em diferentes países. Na Itália, o governo também convocou uma reunião de emergência nesta segunda-feira (19), depois dos protestos, saques e quebradeira do fim de semana.
Em um continente envelhecido e sem fôlego econômico, as manifestações traduzem também um conflito de gerações. De um lado, o peso da conta das aposentadorias e do bem-estar social. E, do outro, a falta de oportunidades de emprego e educação para os jovens.
Nas maiores economias europeias, oito em cada dez pessoas acreditam que os filhos terão um futuro pior do que os pais. Os jovens se queixam dos salários estagnados e da dificuldade para comprar imóveis. Ao mesmo tempo, cresce a pressão para financiar aposentadorias e sistemas de saúde cada vez mais caros. Analistas falam em círculo vicioso. E a pergunta é: quem vai pagar a conta do futuro do continente?
“Tem um impasse entre as gerações: fazer ou não fazer as reformas. A questão das aposentadorias é que exatamente o pessoal quer manter a aposentadoria agora, daqueles que têm um trabalho protegido, sem cuidado com o que vai acontecer com os jovens, que têm pela frente apenas trabalho precário”, diz Giuseppe Cocco, cientista político e professor da UFRJ.
GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional
Macron diz que nada justifica violência 'desenfreada' em protestos na França
Protestos na França levam mais de 500 mil às ruas e deixam 1 morto, 500 policiais feridos e 1.800 presos
Sandra Cohen: Caos nas ruas da França amplia desgaste de Macron e pode beneficiar extrema direita

