O médico de 52 anos que morreu em uma troca de tiros com a polícia após ameaçar a esposa em Catanduva (SP) no domingo (18) foi diretor-presidente do Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi na cidade e já havia sido preso.
O cirurgião vascular Luciano Lopes Pastor era formado pela Faculdade de Medicina de Catanduva (Fameca), onde estudou entre 1995 e 2001. Ele também era referência no tratamento de angioplastia.
O profissional atendia pacientes em sua clínica particular, localizada no bairro São Francisco. Pelas redes sociais do local, consta que eram oferecidos exames, consultas e escleroterapia (secagem de vasinhos). Segundo apurado pelo g1, o vascular também atendia no Ambulatório do Hospital Emílio Carlos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Médico de 52 anos morre em troca de tiros com a polícia, em Catanduva (SP)
Luciano tinha três filhos. Os mais novos, de 10 e 14 anos, são do relacionamento com a atual esposa. O primogênito é fruto de outra relação.
Conforme apurado pela TV TEM, o casal mantinha uma relação estável há 17 anos. A polícia informou que ele não tinha histórico de violência contra mulheres.
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Troca de tiros
A esposa de Luciano acionou a Polícia Militar para denunciar que era vítima de violência doméstica. Ela disse aos PMs ter sido ameaçada de morte pelo médico, que estava armado e agressivo após um churrasco, durante o qual teria ingerido bebida alcoólica.
Quando os agentes chegaram ao local, a esposa já estava fora da casa. Os dois filhos do casal continuaram dentro do imóvel com o pai e se abrigaram no banheiro de um dos quartos.
Ao verificarem que o médico estava armado no portão da residência, os agentes iniciaram o protocolo de negociação. Após a tentativa de diálogo, ele apontou a arma na direção dos policiais e atirou.
Os agentes reagiram e Luciano foi baleado. Ele morreu no local. Um vídeo registrou o som dos disparos no tiroteio. Assista acima.
Os filhos foram retirados da casa sem ferimentos. A mulher do suspeito também não ficou ferida, mas foi levada a um hospital para atendimento, pois estava emocionalmente abalada.
Vídeo registra disparos durante ocorrência policial que terminou com morte de médico em Catanduva (SP)
Arsenal e medalha com suástica
Na residência de Luciano, os policiais encontraram um arsenal e uma medalha com o símbolo da suástica nazista. Veja abaixo as armas apreendidas.
Oito armas de fogo, sendo duas espingardas (sem marca aparente), quatro pistolas (uma de calibre 380, duas de marca alemã e outra sem fabricante descrito) e dois revólveres (de calibres 357 e 38);
Seis armas brancas, sendo três espadas, dois espetos e um facão;
352 munições intactas;
98 munições deflagradas de diversos calibres armazenadas em um estojo.
Também foram encontrados um radiocomunicador, um sistema de monitoramento da casa, além da medalha com o símbolo da suástica.
Réplica decorativa de uma granada de mão alemã é apreendida com médico em Catanduva (SP)
Os policiais também encontraram um objeto semelhante a uma granada. O Esquadrão Antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) foi acionado e, após uma análise com o equipamento de raio-x, descobriram que era uma réplica decorativa de uma granada de mão alemã, sem material explosivo.
Como não havia documentação disponível para verificar a regularidade de todas as armas e munições, o material foi apreendido para análise. A arma que estava com Luciano e as armas utilizadas pelos quatro policiais que atiraram foram recolhidas para perícia.
Prisão em agosto de 2025
Médico de 52 anos morre em troca de tiros com a polícia, em Catanduva (SP)
David Santos/TV Tem
Lopes Pastor havia sido preso em 7 de agosto de 2025, durante uma operação do Gaeco, vinculada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Denominada "Duas Caras", a ação investigava um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a gestão de uma Organização Social da Saúde no município, na qual o médico era presidente. Os presos eram ligados à diretoria do Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi.
Conforme as investigações, o grupo criminoso firmava contratos de gestão com as cidades de Catanduva, Arujá (SP), Carapicuíba (SP), Piracicaba (SP), Viradouro (SP) e Bauru (SP), além de Rio de Janeiro (RJ), Maricá (RJ), Alfredo Chaves (ES), Palhoça (SC), Itapoá (SC), Mafra (SC) e São José (SC).
A partir da gestão das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), os suspeitos contratavam empresas terceirizadas que integravam o próprio grupo. Essas empresas emitiam notas fiscais frias e superfaturadas.
Na época, o médico foi liberado e também foi afastado do cargo de diretor-presidente.
Esquema utilizava a Organização Social de Saúde (OS) - Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi, sediada em Catanduva (SP)
Monize Poiani/TV TEM
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