Felca voltou ao YouTube contando por que aparecer diante de uma câmera não significa, para ele, conseguir conviver tranquilamente com outras pessoas. No vídeo publicado nesta terça-feira, 20 de outubro, o influenciador relata o bullying sofrido na escola e apresenta um desafio pessoal: passar 90 dias aceitando situações sociais que normalmente evitaria por medo.

Intitulada “Fobia Social”, a gravação marca seu retorno ao canal depois de mais de um ano, desde a publicação de “Adultização”, em agosto de 2025. Desta vez, o assunto é a própria trajetória, das agressões na adolescência às dificuldades que continuaram mesmo com o reconhecimento público. Segundo reportagem do g1, ele também anunciou a intenção de conversar com estudantes sobre as consequências do bullying.

O bullying começou na escola e afetou decisões sobre o futuro

Felipe Bressanim Pereira, de 28 anos, conta que começou a sofrer bullying aos 12. As ofensas, segundo seu relato, passaram a incluir violência física e transformaram a convivência escolar em uma experiência marcada pelo medo.

Entre as lembranças apresentadas está uma agressão praticada por cinco estudantes no banheiro do colégio. Ao recordar aquele período, o influenciador descreve dificuldades que ultrapassavam o momento das humilhações e interferiam na maneira como imaginava os anos seguintes.

De acordo com a cobertura do UOL, Felca relacionou essas experiências à decisão de não ingressar na faculdade. A perspectiva de voltar a frequentar uma sala de aula era difícil de enfrentar, e ele disse aos pais que preferia tentar trabalhar produzindo vídeos.

O depoimento também intercala lembranças com registros de bastidores. As imagens mostram que participar de gravações e falar em público ainda exigem esforço, mesmo quando quem assiste vê apenas o resultado final de uma apresentação.

O sucesso na internet não encerrou as dificuldades de convivência

A distância entre a imagem pública e a rotina aparece em diferentes momentos da gravação. Felca relata que continuou enfrentando ansiedade em situações sociais depois de conquistar seguidores e participar de programas de televisão.

Segundo o Pipoca Moderna, ele conta que passou dois dias sem dormir antes de uma participação no “Roda Viva”. O desconforto também aparece em atividades cotidianas, como ir ao shopping ou passar pela portaria de um prédio, sem depender de um palco ou de uma entrevista.

Esses relatos ajudam a compreender o alcance das dificuldades descritas pelo influenciador: o problema não estava restrito a grandes compromissos profissionais. Interações comuns também podiam provocar apreensão e interferir em sua disposição para sair.

Felca ainda pretende retomar o programa de entrevistas “Sofá do Felca” e compartilhar experiências dessa nova fase nas redes sociais. São planos apresentados no retorno, cujo desenvolvimento deverá ocorrer depois da publicação do depoimento.

Felca conta que passou a beber para conseguir participar de eventos

Outro trecho da gravação trata do consumo de álcool. Segundo Felca, a bebida passou a funcionar como um recurso para enfrentar encontros, entrevistas e compromissos nos quais precisava interagir com outras pessoas.

Na cobertura da CNN Brasil, o influenciador relata que bebia antes de sair e levava bebida consigo. Ele descreve ter percebido uma dependência desse comportamento para conseguir cumprir atividades fora de casa.

“Eu bebia só pra enfrentar pessoas”, afirmou. O relato associa o aumento dos compromissos públicos a uma rotina na qual o álcool passou a acompanhar apresentações e participações profissionais.

Felca também conta que sofreu um acidente depois de beber para realizar uma gravação externa. Segundo seu depoimento, ele desmaiou ao chegar em casa e fraturou duas costelas na queda.

Ao apresentar essa parte da história, o influenciador explica uma das mudanças que pretende buscar: voltar a participar de situações sociais sem recorrer à bebida para conseguir suportá-las.

O desafio de 90 dias prevê aceitar convites que antes seriam recusados

Na parte final do vídeo, Felca propõe um período de três meses para frequentar ambientes e aceitar oportunidades das quais normalmente se afastaria. A intenção declarada é enfrentar gradualmente o medo das interações.

Segundo o Poder360, a proposta inclui participar dessas experiências sem recorrer ao álcool. O prazo de 90 dias faz parte do projeto pessoal anunciado pelo influenciador, que pretende mudar sua relação com atividades sociais.

Ele também afirmou que deseja realizar palestras gratuitas em escolas públicas e privadas. A ideia é usar a própria experiência para discutir os efeitos das agressões e das humilhações entre estudantes.

O anúncio aproxima dois momentos da trajetória narrada no vídeo: a violência vivida na escola e a decisão de voltar a esses espaços para conversar sobre suas consequências. As palestras foram apresentadas como uma intenção, sem um calendário de realização informado na cobertura consultada.

Fobia social pode interferir em tarefas comuns do cotidiano

A fobia social, também chamada de transtorno de ansiedade social, envolve medo intenso de situações nas quais a pessoa acredita que poderá ser observada, avaliada ou julgada. Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, isso pode acontecer ao conhecer alguém, responder a uma pergunta em aula ou conversar com um atendente.

As manifestações podem incluir coração acelerado, suor, tremores, náusea e dificuldade para falar ou manter contato visual. Algumas pessoas passam a evitar encontros e lugares; outras conseguem comparecer, mas enfrentam sofrimento durante a experiência.

O instituto explica que o transtorno pode prejudicar estudos, trabalho e relacionamentos. A avaliação considera a duração dos sintomas e o impacto na vida diária, e deve ser feita por um profissional de saúde.

Há tratamentos que incluem psicoterapia, medicamentos ou uma combinação dos dois, conforme a necessidade individual. A terapia cognitivo-comportamental está entre as abordagens utilizadas e pode trabalhar a exposição progressiva às situações temidas.

Um projeto pessoal não estabelece prazo para a recuperação de outras pessoas

O desafio anunciado por Felca deve ser compreendido como uma iniciativa individual. Seus 90 dias não representam um prazo clínico para que outras pessoas deixem de sentir ansiedade ou consigam frequentar todos os ambientes que hoje evitam.

A MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, descreve a exposição gradual como uma das estratégias empregadas no tratamento. Nesse processo, o enfrentamento das situações temidas acontece de forma progressiva, dentro de uma abordagem de cuidado.

O serviço também aponta que pessoas com ansiedade social podem recorrer ao álcool para tentar relaxar em encontros e outros ambientes. Esse comportamento pode trazer problemas adicionais e merece atenção na avaliação profissional.

Para quem percebe que o medo de interagir está afetando o trabalho ou os relacionamentos, a orientação é buscar atendimento. O tratamento tem como objetivo recuperar a capacidade de participar da vida cotidiana, considerando a intensidade das dificuldades de cada pessoa.