Anunciado em junho, o título é o primeiro grande lançamento da série desde 2002. Na campanha, o taxista Axel percorre cinco mapas em busca dos vilões mascarados que roubaram seu carro. Alemanha, Japão e Brasil são os destinos internacionais já revelados.

O jogo também terá modos para vários jogadores, personalização de veículos e um modo de fliperama que recupera a fórmula clássica, com o retorno de The Offspring e Bad Religion à trilha sonora. As plataformas confirmadas são Xbox Series X|S, PlayStation 5, Nintendo Switch 2 e PC.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil , Kanno falou sobre o retorno da franquia, a escolha do Brasil, a trilha sonora e as críticas ao uso de inteligência artificial generativa no desenvolvimento.

Você descreveu o retorno de Crazy Taxi como resultado de uma série de coincidências quase milagrosas. O que precisou se alinhar para o projeto sair do papel?

Depois do lançamento de Crazy Taxi , a gente trabalhou na série por um tempo, e depois ela ficou muitos anos parada. Nesse período, trabalhei em vários outros títulos e já tinha vontade de retomá-la. Essa vontade coincidiu com uma nova diretriz da empresa: reviver as séries antigas e apresentá-las ao público de hoje. O momento certo encontrou essa vontade, e foi assim que o projeto começou.

Além disso, a gente vive em um mundo com muitas notícias ruins, muita coisa ruim acontecendo. O que Crazy Taxi sempre teve de bom é que você joga, se diverte e fica mais leve. Então, a ideia era trazer algo que fizesse as pessoas sorrirem, que elas pudessem jogar para relaxar. É um consenso: todo mundo da equipe compartilha esse pensamento.

A equipe de Crazy Taxi: World Tour tem alguns desenvolvedores que nunca trabalharam nos jogos anteriores. Como transmitir a essência de Crazy Taxi para quem chegou agora?

Temos veteranos na equipe também, mas, ao mesmo tempo, tem bastante gente nova. O importante foi manter o diálogo, com muitas conversas sobre o que Crazy Taxi deve ser. E o que mais valorizamos foi não entregar o jogo do passado exatamente como ele era, mas pensar em como fazer um novo. Para isso, todo mundo discutiu junto o que manter dos títulos antigos, o que mudar e que nova experiência oferecer.

Alemanha, Japão e Brasil estão entre os mapas. Como os países foram escolhidos e o que chamou a atenção no Brasil?

O conceito de Crazy Taxi: World Tour é rodar o mundo. Quando definimos que seriam cinco cidades, a ideia foi ter lugares de continentes diferentes. Queríamos representar um país da América do Sul e escolhemos o Brasil porque ele combina com a paixão de Crazy Taxi . É um lugar de pessoas alegres, cheias de energia e que gostam do jogo. Os outros países foram escolhidos seguindo a mesma lógica: lugares interessantes, onde seria legal ambientar as corridas.

E como foi para vocês trasmitirem a essência de cada país sem cair em estereótipos pejorativos?

O primeiro passo, para qualquer país, é pesquisar muito bem. Hoje, há muito material na internet, como fotos e vídeos, que serve de base. Também conversamos com as outras divisões da SEGA , na Europa e na América, e com pessoas de outras nacionalidades dentro da empresa, inclusive brasileiros, para entender o que é importante ressaltar e o que não faz sentido. Em alguns casos, a equipe foi até os lugares para fazer pesquisa de campo. É um trabalho extenso, em várias frentes, para não cair nesse tipo de armadilha.

Mudando de assunto, a trilha sonora é uma parte importante da série. Como vocês decidem quais músicas entram e quais ficam de fora?

O que a gente faz é um jogo de ação com carros. Quando escolho as músicas, penso no ritmo e na sensação que quero transmitir a quem joga. O critério é o que combina com a ação, com as batidas de cada momento da partida.

The Offspring e Bad Religion estão de volta. Qual é a sua relação com essas bandas?

Eu gosto das bandas, claro, mas o mais importante para a equipe é saber se a música combina com o clima do jogo. No original, por exemplo, os carros foram inspirados nos clássicos americanos dos anos 1960 e, na época, os X Games faziam muito sucesso. Então, fazia sentido usar o tipo de som que tocava ali. No jogo novo, há outras escolhas, mas The Offspring e Bad Religion não poderiam faltar. São imprescindíveis.

Falando em novas features do game, os jogos clássicos não tinham personalização de veículos, mas Crazy Taxi: World Tour agora tem. Por que incluir esse recurso agora?

Os anteriores eram jogos de fliperama, e este está sendo feito pensando nos consoles. Então, era importante que o jogador tivesse uma sensação de evolução, não só na forma de jogar, mas também no carro. Por isso, decidimos explorar a personalização, algo que a gente nunca tinha feito. E é uma coisa que quem gosta de carro curte fazer.

Ainda nesse quesito, há muitos espaços vazios na seleção de veículos. Dá para esperar colaborações com outras marcas e franquias, como acontece em Fortnite?

Deixa eu devolver a pergunta: você ficaria feliz se tivesse algo assim? Não estou dizendo que está nos planos, mas, se você pergunta, é porque espera alguma coisa do tipo. O que imagina?

Um Batmóvel, por exemplo. Colaborações nesse sentido.

Interessante, mas por enquanto, prefiro não comentar se haverá colaborações.

Agora, eu queria comentar sobre a polêmica envolvendo o uso de IA generativa em artes conceituais e referências do game — que irritou parte dos fãs. Como você recebeu as críticas e quais foram os limites desse uso?

Queria esclarecer um mal-entendido. A IA foi usada para gerar amostras de ideias que serviram de referência antes da produção. Ela não foi usada no material que está, de fato, no jogo, que é todo feito manualmente pela equipe. No primeiro anúncio, a nossa comunicação foi falha, e ficou a impressão de que estávamos desenvolvendo o jogo com IA, o que não é o caso. Por isso, voltamos a explicar como ela foi usada. Acho que, quanto mais a gente divulgar material e conversar com as pessoas, mais esse mal-entendido vai se desfazer.

Para fechar, 27 anos depois do primeiro Crazy Taxi, o que a série representa para você?

É um título especial para mim. O que eu sinto é que, mais de 20 anos depois, ainda há muita gente que gosta de Crazy Taxi e que esperava um jogo novo. Ver essas pessoas felizes com o anúncio me enche de gratidão. Conseguir levar um sorriso para elas é muito gratificante.

Eu, pessoalmente, e a SEGA , como empresa, valorizamos levar emoção às pessoas. É por gostar disso que estou aqui. Poder anunciar Crazy Taxi: World Tour , tanto para quem está chegando agora quanto para os jogadores antigos, é muito legal. Espero que as pessoas curtam o jogo.

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