# Saques, violência e toque de recolher: é hora de adiar a viagem a Paris?

- Seção: Economia
- Fonte: InfoMoney (https://www.infomoney.com.br/mundo/saques-violencia-e-toque-de-recolher-e-hora-de-adiar-a-viagem-a-paris/)
- Publicado em: 2026-10-20T13:06:35.000Z
- URL: https://www.itatiba1.com.br/noticia/1268587-saques-violencia-e-toque-de-recolher-e-hora-de-adiar-a-viagem-a-paris

> PARIS — Os saques, as cenas de intenso confronto com a polícia e o toque de recolher parcial decretado em Paris nesta semana levantam dúvidas em quem tem viagem marcada para a capital francesa: é hora de adiar a visita?

A escalada de tensão nas principais cidades francesas, em especial desde o último final de semana, inundaram as redes sociais de cenas de confrontos violentos , seguidos de onda de saques e depredações. Como resposta, as prefeituras implementaram toques de recolher e restrições de circulação em algumas localidades, o que inclui pontos estratégicos para os turistas .

Ainda assim, os bloqueios anunciados pelas autoridades foram localizados. Paris, por exemplo, não ficou sob um toque de recolher geral, e parte da cidade mantém a rotina habitual.

O principal desafio para os visitantes é acompanhar uma situação que pode mudar de uma região para outra e provocar interrupções pontuais no transporte e no acesso a atrações turísticas. Novas manifestações estão sendo convocadas para sábado (24), e o governo anunciou reforço das forças de segurança.

FInal de semana de caos

A mobilização do último sábado (17) reuniu entre 550 mil pessoas, segundo as autoridades, e 800 mil, de acordo com os organizadores, em cerca de 110 manifestações pelo país.

O movimento começou com protestos de estudantes contra as condições de ensino e a falta de recursos nas escolas, mas incorporou reivindicações relacionadas ao custo de vida, à alta dos combustíveis e à precariedade dos serviços públicos.

O balanço consolidado do Ministério do Interior francês registrou 2.397 interpelações e 997 policiais e gendarmes feridos no sábado, sete deles em estado grave.

Em Paris, a Polícia contabilizou 855 interpelações, 297 integrantes das forças de segurança feridos e 111 pessoas feridas entre moradores e manifestantes.

A violência continuou no domingo (18). Na capital, houve outras 351 interpelações, 17 integrantes das forças de segurança feridos e 36 estabelecimentos comerciais danificados, dos quais 33 foram saqueados, segundo o decreto da Polícia de Paris.

Os ataques atingiram lojas, supermercados e estabelecimentos de eletrônicos e de artigos de luxo, além de mobiliário urbano e veículos.

Em outras cidades francesas, os episódios incluíram o incêndio da prefeitura de Limoges e de um escritório de turismo em Lyon . O governo atribuiu parte da violência a grupos radicais e a pessoas que aproveitaram as manifestações para cometer crimes.

O movimento, porém, reúne participantes com reivindicações distintas, desde estudantes até grupos ligados à retomada dos chamados coletes amarelos , que protestam contra o custo de vida.

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Onde os protestos costumam se concentrar?

Em Paris, pontos como Place de la République, Bastille, Nation e Place de Clichy aparecem entre os locais de concentração e passagem de manifestações. Na mobilização de sábado, grupos também circularam por áreas como Magenta, Strasbourg-Saint-Denis, Opéra, Concorde e Madeleine. A dispersão dos participantes e a formação de pequenos grupos em diferentes ruas dificultaram a atuação policial.

Isso não significa que todos esses locais sejam sempre palco de violência ou que exista um percurso fixo para os protestos. A manifestação autorizada pode seguir um trajeto definido, enquanto grupos menores se deslocam por outras vias. Por isso, a proximidade de uma atração turística com uma região de protesto pode variar conforme o dia.

Os principais pontos turísticos de Paris não ficam necessariamente na rota das manifestações. A Torre Eiffel, por exemplo, não se tornou alvo direto dos episódios recentes. Em linha geral, até o momento a margem esquerda do Rio Sena não figura entre os pontos de concentração de atos, nem de episódios de vandalismo ou violência.

Já áreas comerciais e turísticas da margem direita do Rio Sena, incluindo setores próximos à Champs-Élysées e à Place de la Concorde, costumam entrar nas restrições policiais ou durante os momentos de maior tensão, são alvos de depredação.

No sábado, turistas foram surpreendidos pelo avanço dos grupos mais violentos para a região das Galerias Lafayette, que fecharam as portas com clientes do lado de dentro. Próximo do Museu do Louvre, em especial na avenida Rivoli, também houve confrontos diretos entre manifestantes e policiais e grupos de turistas acabaram encurralados no meio do tumulto.

Turistas foram alvo de roubos?

Não. Até o momento, não há dados oficiais tão pouco relatos da imprensa francesa que indiquem que grupos de turistas tenham sido alvo de saques, roubos ou intimidações. Os ataques se concentraram principalmente em estabelecimentos comerciais, veículos, prédios públicos e confrontos com as forças de segurança.

Isso não significa que visitantes estejam imunes aos efeitos da violência. Durante os episódios de sábado e domingo, turistas encontraram estações de metrô fechadas, ruas com vitrines destruídas e áreas com gás lacrimogêneo. O gás, inclusive, se tornou um dos principais pontos de atenção. Usado em grande quantidade, acabou penetrando na tubulação do metrô e em algumas estações causou náuseas e ardências nos olhos dos passageiros.

Turistas brasileiros ouvidos pelo InfoMoney apontam relatos de medo e preocupação em Paris, em especial por terem sido surpreendidos pelos atos, mas todos mantiveram os planos na cidade pelos próximos dias.

&#8220;Começamos a receber mensagens no telefone de familiares no Brasil, se estávamos bem e seguros, porque eles estavam assustados, mas onde estávamos não houve nenhum problema&#8221;, conta Roberto dos Santos, morador de São Paulo e que tem planos de ficar em Paris até o dia 25.

O Museu do Louvre está fechado?

Sim, temporariamente. Na segunda-feira, o Museu do Louvre fechou excepcionalmente após estudantes da École du Louvre bloquearem as entradas. O bloqueio interrompeu a visita de turistas que já tinham ingressos e gerou frustração entre pessoas que aguardavam informações sobre a reabertura e o reembolso.

Nesta terça-feira o museu segue fechado e não há informações oficiais sobre a reabertura. A expectativa é que ele volta a funcionar ainda nesta semana.

Haverá novos protestos?

Sim. Em linhas gerais, todos os dias há caminhadas e mobilizações pequenas em diferentes cidades francesas. Contudo, um novo grande ato foi chamado para o próximo sábado, dia 24.

A mobilização inclui novos chamados de grupos estudantis e de pessoas ligadas aos coletes amarelos, embora as principais centrais sindicais, como a CGT, não tenham aderido aos chamados para sábado, até o momento.

Após as críticas à atuação policial no fim de semana, o governo anunciou que vai ampliar o efetivo de policiais e de grades nas ruas. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que as medidas de segurança poderão ser ampliadas conforme a situação.

O governo também enfrenta pressão política depois de o ministro do Interior, Laurent Nuñez, oferecer sua renúncia, que foi recusada pelo presidente Emmanuel Macron . A crise ocorre meses antes da eleição presidencial de 2027.

O que observar antes de sair?

Os acontecimentos recentes não resultaram na interrupção generalizada da atividade turística. Durante o último final de semana, cafés e restaurantes estavam abertos e pessoas mantiveram suas rotinas a poucos metros de lojas saqueadas e de áreas de confronto.

O setor de turismo teme impactos na imagem da França, mas os dados da rede hoteleira indicam que as reservas para as duas semanas seguintes seguem acima do nível registrado no mesmo período de 2025.

Para quem já está em Paris ou tem viagem marcada, a situação exige atenção às atualizações das autoridades, ao funcionamento do transporte público e aos comunicados das atrações. Nos dias de manifestação, pode ser necessário trocar a ordem dos passeios, evitar áreas de concentração e substituir uma visita que tenha sido interrompida.

Abaixo, confira a lista de site, perfis nas redes sociais ou aplicativos para auxiliar no planejamento e se manter atualizado:

Site oficial da Prefeitura de Paris

Perfil oficial da Polícia de Paris

Site oficial do IDF Mobilités (metrôs, trens, ônibus, RER e bondes)

Paris Aéroport: aeroportos Charles de Gaulle e Orly

Site oficial do Museu do Louvre

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