O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou a transferência do segundo julgamento da morte de Matheus Goldoni para Belo Horizonte. A decisão foi tomada pela 4ª Câmara Criminal após a Justiça considerar que a repercussão do caso e o clima de comoção social na cidade podem comprometer a imparcialidade dos jurados.

O crime ocorreu no ano de 2014, em Juiz de Fora. Matheus tinha 18 anos quando desapareceu após uma confusão em uma boate. O corpo dele foi encontrado dois dias depois, em uma área de mata próxima a uma cachoeira no bairro Vale do Ipê.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp

O pedido de mudança foi apresentado pela juíza responsável pelo processo no Tribunal do Júri de Juiz de Fora. Segundo a decisão, o primeiro julgamento do caso foi marcado por aglomerações em frente ao Fórum Benjamin Colucci, com manifestantes usando camisetas em homenagem à vítima e cobrando a condenação dos acusados, Aroldo Brandão Júnior, Adelino Batista da Silva e Marco Aurélio de Oliveira.

Para os desembargadores, existe risco de influência externa sobre os jurados e necessidade de garantir um julgamento seguro e imparcial. A decisão também levou em conta a possibilidade de reforçar a segurança durante a sessão.

A defesa dos acusados e o Ministério Público em Juiz de Fora foram favoráveis à transferência, assim como a Procuradoria-Geral de Justiça. A acusação se manifestou contra a medida.

Com isso, um novo julgamento deverá ser marcado em Belo Horizonte. Ainda não há data definida para a sessão.

O g1 tenta contato com o advogado da vítima e com os advogados dos acusados para solicitar um posicionamento sobre a transferência do júri.

Decisão do 1° julgamento foi anulada

O primeiro júri foi realizado em agosto de 2019, com a maior duração da história de Juiz de Fora. Contudo, a decisão foi anulada pela Justiça por ser considerada contrária às provas dos autos.

Mesmo com recurso do Ministério Público e da família, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão de cassação do julgamento.

A cassação do julgamento foi anunciada em dezembro de 2020 pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), após o desembargador Júlio Cezar Guttierrez considerar que a condenação dos réus foi feita "unicamente em suposições de que eles possam ter matado a vítima, e não em evidências de autoria produzidas ao longo da instrução criminal".

Na época, os réus receberam as seguintes sentenças:

Fabrício Teixeira da Silva: foi condenado a dois anos em regime aberto, com prestação de serviços comunitários.

Adelino e Aroldo: seguranças apontados como executores, foram condenados a 18 anos em regime fechado.

Marco Aurélio de Oliveira: foi absolvido porque os jurados consideraram que a ação dele não foi determinante para a morte de Goldoni.

A apelação criminal para um novo julgamento dos seguranças foi feita pelo advogado Ricardo Fortuna. Nos argumentos apresentados, a defesa afirmou que a condenação foi embasada exclusivamente em suposições, sem prova sequer indireta da autoria, o que é considerado contrária à prova dos autos.

O argumento foi aceito pelo desembargador relator Gutierrez, que considerou que ocorreu um "julgamento arbitrário".

Relembre o crime

Matheus Goldoni tinha 18 anos quando desapareceu, em novembro de 2014, após uma confusão em uma boate, em Juiz de Fora. O corpo dele foi encontrado dois dias depois, em uma área de mata próxima a uma cachoeira no bairro Vale do Ipê.

De acordo com a denúncia, após uma briga dentro da casa noturna, Matheus foi retirado do local e perseguido por pessoas ligadas à segurança da boate. A investigação apontou que ele foi imobilizado e levado até a área da cachoeira, onde morreu por afogamento causado por asfixia, conforme o laudo de necropsia.

A Polícia Civil trabalhou por um ano e dois meses na investigação e ouviu mais de 48 testemunhas. Entre as versões apuradas, estava a de que Matheus e outra pessoa haviam brigado dentro da boate e de que o jovem foi colocado para fora do estabelecimento.

Durante a investigação, um ex-segurança da casa noturna, que estava em uma barraca de lanches próxima ao local, afirmou ter dado carona de moto a um dos seguranças que tentava alcançar Matheus.

O laudo de necropsia também apontou duas lesões internas no peito do jovem. Outro exame descartou a presença de álcool ou drogas no organismo dele, segundo as informações reunidas sobre o caso.

STJ mantém cassação do julgamento e seguranças vão a júri novamente em Juiz de Fora

TJMG confirma cassação do julgamento e seguranças vão a júri novamente em Juiz de Fora

Descarte de uso de drogas reforça tese de homicídio no caso 'Goldoni'

Jovem desaparecido após sair de boate em Juiz de Fora é achado morto

'Podemos seguir adiante', diz mãe de Matheus Goldoni após fim do julgamento em Juiz de Fora

Delegado faz acareação do caso Mateus Goldoni em Juiz de Fora

VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes