Às 10h11 (horário de Brasília), as ações da empresa de educação recuavam 4,77%, cotadas a R$ 5,39, na contramão do Ibovespa, que subia mais de 1%.
Embora a parceria tenha sido bem recebida por parte dos analistas, o acordo também levanta preocupações sobre o aumento dos compromissos financeiros da Ânima e a capacidade de capturar ganhos suficientes para compensar os custos.
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O Bradesco BBI avalia o acordo como positivo e com probabilidade de gerar valor para a Ânima, melhorando a qualidade acadêmica e o poder de repasse de preços. No entanto, segundo os analistas Marcio Osako e Henrique Colla, o movimento também possui um viés defensivo frente a uma expectativa de demanda mais fraca no setor.
O Goldman Sachs também vê mérito estratégico no acordo, mas o aumento da alavancagem merece atenção. Do ponto de vista estratégico, a parceria com um dos principais grupos hospitalares da América Latina pode dar à Inspirali uma vantagem em um segmento que enfrenta concorrência crescente e pressão sobre os preços. Isso pode ajudar a sustentar os preços, as captações de alunos e as taxas de ocupação, além de melhorar os resultados acadêmicos por meio do desenvolvimento do corpo docente e de ferramentas de avaliação mais eficientes.
Por outro lado, o Goldman Sachs destaca que o acordo cria um custo de longo prazo, vinculado à receita, que pode se estender por até 40 anos. Embora o impacto pareça administrável no primeiro ano, com um aumento de aproximadamente 0,12 vez na alavancagem considerando apenas a parcela fixa, observamos um novo aumento dos compromissos financeiros em um momento em que as taxas de juros continuam elevadas, em 12,0% e 10,25% em 2027 e 2028, respectivamente, segundo as projeções do banco.
Além disso, a redução do endividamento continua sendo um elemento central da tese de investimento, com a relação entre dívida líquida e EBITDA em 2,4 vezes no segundo trimestre de 2026, excluindo os efeitos do IFRS.
Considerando esses fatores em conjunto, a taxa fixa, a comissão e a possível remuneração adicional podem consumir uma parcela significativa do fluxo de caixa livre (FCF) da Ânima nos próximos anos.
A equipe de analistas do JPMorgan liderada por Marcelo Santos acredita que a Ânima poderá compensar a comissão anual já no primeiro ano, por meio de uma combinação de maior ocupação das vagas, menor utilização do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e de financiamentos privados, além de mensalidades mais elevadas.
Além disso, o JPMorgan avalia que a parceria pode tornar os cursos de Medicina da Ânima mais sustentáveis ao reforçar a qualidade e a diferenciação da oferta.
Já a XP Investimentos espera que a parceria aumente a atratividade dos cursos da Inspirali em um momento de intensificação da concorrência no setor, com os pares buscando consolidação e estratégias diferenciadas para captar alunos.
O Einstein prestará serviços exclusivos de consultoria para os cursos de graduação em Medicina da Inspirali e autorizará o uso de sua marca, em troca de (i) R$ 150 milhões em pagamentos fixos, sendo R$ 75 milhões na assinatura e R$ 75 milhões um ano depois, corrigidos pelo IPCA; (ii) uma comissão de 6% sobre a receita líquida das novas turmas de alunos; e (iii) potenciais pagamentos anuais adicionais entre 2027 e 2036. A parceria pode aumentar a atratividade da Inspirali em um mercado de educação médica mais competitivo.
Segundo estimativas da XP Investimentos, o ticket médio precisaria aumentar aproximadamente 10% a partir de 2027 para que a parceria alcance um valor presente líquido (VPL) neutro.
Recomendações para Ânima
O BBI manteve recomendação neutra para as ações da Ânima devido ao potencial de alta limitado após a recente forte valorização e aos riscos operacionais ligados à FMU. O JPMorgan também manteve classificação neutra.
O Goldman Sachs, por sua vez, reiterou recomendação de venda e preço-alvo de R$ 2.
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